Crise financeira prejudica atendimento a mulheres no Rio (O Globo – 02/06/2016)

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Dos quatro centros do estado, apenas um está funcionando regularmente

Em 2015, 900 mulheres procuraram a Casa da Mulher de Manguinhos, centro mantido pela Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos para vítimas de violência. Em 2016, será improvável que a marca seja alcançada. Fechado há três meses, o local sofreu três ataques de criminosos desde o início do ano. Sem terceirizados da segurança e sem condições de reabrir, em um território que voltou a ser dominado pelo tráfico, a unidade inteira será transferida para uma das salas do Centro Comunitário de Defesa da Cidadania de Manguinhos, na Avenida Leopoldo Bulhões.

A agonia da Casa da Mulher de Manguinhos é o exemplo mais grave da precariedade que atinge toda uma rede de assistência. Com a crise estadual, os repasses secaram para os profissionais dos centros, como psicólogos e assistentes sociais. Há cinco meses, eles não recebem salários, vinculados a um contrato da secretaria com a Uerj. Dos quatro centros de atenção à mulher, apenas um está funcionando com regularidade (o Márcia Lyra, no Centro).
Dois centros na Baixada Fluminense — um em Queimados e um em Nova Iguaçu — operam com revezamento de funcionários para prestar atendimentos. Em janeiro deste ano, O GLOBO revelou os problemas financeiros da rede. De lá para cá, nada melhorou.

A Casa da Mulher de Manguinhos teve suas instalações depredadas pela primeira vez no dia 4 de janeiro. Vândalos levaram computadores, eletrodomésticos e quebraram janelas. O ataque, atribuído a traficantes e usuários de drogas, foi comunicado à Polícia Civil. O local chegou a reabrir, mas, por falta de segurança, fechou as portas no início de março. Mesmo sem expediente, sofreu furtos e depredações em mais duas ocasiões: uma no dia 28 de março e, a última, no dia 17 de maio.

A Secretaria chegou a ter uma empresa de vigilância atuando nos postos de atendimento à mulher, mas o contrato foi encerrado por falta de repasses do Tesouro Estadual, segundo a subsecretária de Política para as Mulheres, Marizete Ramos.

— A gente está fazendo o possível para que esses atendimentos continuem — declarou ela, afirmando que a secretaria vai correr atrás de um novo contrato de segurança.

Já os cerca de 150 funcionários que estão sem receber ainda não sabem quando a penúria acaba. O contrato anual com a Uerj chegou a vencer em dezembro do ano passado, e só foi renovado em março deste ano, depois que o pastor Ezequiel Teixeira (PMB) deixou a pasta, no fim de fevereiro, após suas declarações em entrevista ao GLOBO repercutirem. Desde então, a secretaria vem sendo comandada por Paulo Melo (PMDB), mas o problema da falta de dinheiro continua:

— Está muito difícil — admitiu o titular da pasta.

A Secretaria de Fazenda informou que os pagamentos serão realizados “o mais rapidamente possível, dependendo da disponibilidade de recursos”.

Por Carina Bacelar

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