Crueldade e uso de violência pelos agressores marcam os crimes de feminicídio no Piauí (G1 – 11/0/2018)

Vítima sobreviventes relatam e especialistas explicam esse sentimento de ódio.

O sentimento de ódio que transcende o poder do homem e que resulta na morte de mulheres com requinte de posse, seguido de crueldade. A mulher como uma propriedade e/ou objeto descartável do agressor, que é possível ser usada, abusada e jogada fora. É assim que os feminicidas são interpretados por especialistas e como as vítimas são tratadas pelos agressores é o tema desta quarta-feira (11) na série ‘Feminicídio’ do Piauí TV 1ª edição.

A psicóloga Aline Ascenção de Abreu falou das atitudes que levam o homem a ser um opressor da mulher e até onde o menosprezo termina. “O feminicídio é um crime cometido em razão do menosprezo, do desprezo em razão da mulher. É um crime que é carregado de ódio culturalmente aprendido e naquele momento que ele se ver que não é o senhor, dono daquela mulher e que aquela mulher não corresponde as expectativas em termo de submissão, esse homem acaba por agredir a mulher”, explicou a psicóloga.

A dona de casa Layana Araújo é prova viva das agressões que sofria do ex-companheiro. Ela contou que a maioria das agressões eram feitas na presença da filha pequena e que foram denunciadas através do aplicativo ‘Salve Maria’.

“Quando ele começou as agressões, a minha filha já estava dormindo e com uma mão ele segurava a menina e com a outra ele me agredia. Teve certo momento que ele me deu um golpe que eu caí. Quando eu entrei no quarto pra ver a menina, ele me deu outro golpe, foi onde eu bati a cabeça na porta”, desabafou Layana.

Em números absolutos, a quantidade de feminicídios não chega perto da quantidade de homicídios. Em 2017, a Polícia Civil do Piauí registrou 651 crimes contra a vida, sendo 3,5% foram feminicídios. O que chama atenção e faz desses crimes completamente diferentes dos demais: é a forma como eles são executados.

A maioria dos crimes de feminicídios tem registro de tortura, violência psicológica. “Achar que o crime de feminicídio é o mesmo de homicídio, ele não é. Existe uma questão cultural muito grande. Até pelo resquício de crueldade. Enquanto um homem morre com três facadas, a mulher é morta com 20. Não se pode falar que foi um motivo fútil”, declarou a delegada de feminicídio, Luana Alves.

Dos 17 casos registrados em 2018, apenas um deles o suspeito não era o companheiro da vítima. Isto mostra que a maioria dos casos o agressor está muito próximo, tem uma relação íntima com a mulher.

No projeto Reeducar, homens são conscientizados no enfrentamento a violência doméstica e familiar contra a mulher. A promotora de justiça Amparo Vaz explica que os agressores fossem somente processados, mas também refletisse sobre a sua conduta.

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