Cuiabá é única capital brasileira a fechar o ano sem registro de feminicídio; violência contra mulher avança em MT (Olhar Direto – 30/11/2016)

Cuiabá poderá encerrar o ano sem nenhum registro de crime de feminicídio, ou seja, perseguição e morte de pessoas do sexo feminino motivadas pela diferença de gênero. A afirmação é da promotora de Justiça Lindinalva Rodrigues. De acordo com ela, mesmo diante dos altos índices de violência doméstica registrados no Estado, a cidade se destaca como a única no país onde este tipo de ação não foi constatada até o momento, em 2016.

Em entrevista concedida no evento de lançamento do projeto “Homens que agradam, não agridem”, na segunda-feira (29), ela comentou que os indicies de violência doméstica em Mato Grosso seguem avançados.

“A violência doméstica em Mato Grosso continua avançada, principalmente no interior. Em Cuiabá nós temos essa notícia maravilhosa. Na nossa cidade, uma das mais violentas e perigosas do Brasil, nenhuma mulher foi morta por essa motivação. Somos a única Capital que não enfrentou esse tipo de problema. Isso com base em uma década de luta, de projetos educativos e reeducativos e de um trabalho sério de punição efetiva aos homens agressores”, disse.

A frente do núcleo de Enfrentamento da Violência Doméstica a promotora assevera não tem dúvidas: a cultura machista deve ser combatida no seio familiar.“Depois de conseguirmos essa etapa, de quase um ano, partimos para o desafio da parte educativa, trabalhando com a prevenção da violência doméstica. Porque o trabalho é muito mais do que prender e processar, é também, e muito mais, educar, prevenir e criar políticas públicas para evitar esse tipo de violência.”

Com relação a uma melhora nestes comportamentos, arraigados aos nossos costumes, ela avalia que assim o país, o Estado têm caminhado a passos vagarosos rumo a uma sociedade igualitária para mulheres. “Não só Mato Grosso como o Brasil e os países latinos andam a passos vagarosos com relação a isso. O Brasil é um país machista que nega ser machista, é um país racista que nega que é racista. É o país da hipocrisia”, finaliza Lindinalva.

O projeto

A promotora explica que o trabalho envolve, além do Ministério Público Estadual (MPE), o legislativo, o executivo, o Tribunal de Contas e a sociedade civil organizada. “O que queremos é que a mulher e a família sejam respeitadas. Não tem cabimento o número de mulheres espancadas e mortas. Precisamos trabalhar para que acabe essa agressão e o homem, enquanto marido e namorado, respeite sua companheira. Precisamos conscientizar que homem que agrada, não agride. Partimos dessa premissa para espalhar essa metodologia e essa cultura, para mudarmos o pensamento machista que, infelizmente, ainda vigora no país.”

André Garcia Santana

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