Curso para sargentos vai oferecer módulo de enfrentamento à violência contra a mulher (Século Diário – 21/10/2014)

Curso conta com capacitação em violência de gênero, ciclo da violência e aspectos psicossociais da Lei Maria da Penha

O Curso de Habilitação para Sargentos e o Curso de Aperfeiçoamento de Sargentos da Polícia Militar do Estado passam a contar com capacitação em violência de gênero, ciclo da violência e aspectos psicossociais da Lei Maria da Penha. As capacitações são resultado de um termo de cooperação técnica firmado entre o Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Nevid), do Ministério Público do Estado (MPES) e a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).

O curso de aperfeiçoamento está disponível para dez pelotões de policiais, sendo quatro no Curso de Formação de Sargentos e seis no segundo Curso de Aperfeiçoamento de Sargentos.

As palestras serão ministradas pelas psicólogas do Nevid Camila Detoni e Jocilene Marquesini.

Violência tolerada

A pesquisa “Tolerância social à violência contra as mulheres”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), lançada em março deste ano, mostrou que 58% dos entrevistados concordaram, total ou parcialmente, que “se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros”. E 63% concordaram, total ou parcialmente, que “casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família”.

Na ocasião do lançamento da pesquisa, as militantes do Fórum Estadual de Mulheres ficaram estarrecidas com os dados. A coordenadora do Fórum, Karina Moura declarou que a confirmação da tolerância é preocupante. “As mulheres convivem com o machismo no cotidiano. O lema do movimento feminista é ‘machismo mata’ não por acaso, mas precisamos superar esta realidade”, contou ela.

Ela lembrou que todas as esferas de poder, além da sociedade, têm um papel a cumprir, a partir do Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência Contra a Mulher para reduzir os índices desta violência. “Cada um tem sua função, mas no Estado nem as funções mínimas são cumpridas”, afirmou Karina.

Livia Francez

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