Curta metragem produzido em escola chama atenção para violência doméstica (Gov/MT – 08/05/2016)

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Filme, produzido por professor e encenado por alunos da rede estadual, alerta a comunidade escolar para prisão psicológica vivida por muitos estudantes.

Um curta metragem baseado em história real sobre a violência doméstica, produzido por professor e encenado por alunos da Escola Estadual Parecis, no município de Campo Novo do Parecis, acendeu a luz de alerta na comunidade escolar. O enredo retrata agressões e maus-tratos e suas consequências na vida de crianças e adolescentes – casos comuns e muitas vezes de conhecimento das próprias famílias. O drama revelado em “O Menino do Armário” ganhou o troféu de melhor filme em evento promovido na cidade. Propositalmente, o curta não apresenta um final e coloca o espectador para refletir.

A trama retrata a história de Tiago, um menino de 12 anos vítima de violência familiar e incompreendido na escola – já que ninguém tem conhecimento do que se passa com ele em casa. Na tentativa de fugir do pai agressor, o garoto se esconde no armário, fato que o condiciona a uma prisão não só física, mas psicológica. “Situação que muitos alunos vivem e que muitos professores não percebem, pois estão lá apenas para reproduzir conhecimento”, conta o autor e produtor do curta, Cleiton Marino Santana, que é professor de Educação Física, da Escola Parecis, destacando que escreveu o roteiro com o objetivo de que os educadores possam dar atenção maior e tentar compreender mais os alunos em sala de aula.

A repercussão entre os docentes começou logo na primeira exibição do filme. Isso porque ele não apresenta um fim para a trama. “Alguns deles vieram me questionar, mas a situação abordada é tão complexa e surreal que não consegui achar um final realmente viável, do tipo que hoje a escola ou qualquer professor pudesse resolver. Também os questiono sobre qual seria o melhor final”, revelou Cleiton.

O tema violência é delicado porque envolve não só o aluno, mas toda a família. “E como a escola vai interferir na vida de um pai de família que vê na bebida uma maneira de esquecer seus problemas? Até onde vai o papel da escola para ajudar na resolução de problemas? Até onde vai o papel do professor? Acho que antes de responder essas questões, ainda temos muitas perguntas a fazer”, ponderou.

Também é difícil os estudantes declararem que sofrem violência, como foi detalhado no filme. Mas os professores, segundo Cleiton, detectam pelas ações deles que refletem no ambiente escolar. “E nós muitas vezes ficamos de mãos atadas, sem condições de ajudar. Existe outro caso, por exemplo, de uma menina que tem sérios problemas e não consegue nem falar, ela não se expressa, não fala. E como ajudar?”, questiona o professor.

Cleiton conta que as escolas são orientadas a se reportar ao Conselho Tutelar, e a EE Parecis tem encaminhado os casos mais difíceis. “Mas eles não têm condições para resolver todos os problemas, e para agravar ainda mais as famílias estão desestruturadas”, afirmou Cleiton, destacando que um dos objetivos do filme é levar o assunto para o debate em sala de aula, para ajudar os alunos que sofrem com a violência em casa e instigar a reflexão sobre os problemas que enfrentam no dia a dia.

Para ele, a solução está na criação de políticas públicas de apoio a família, como assistente social, para que haja acompanhamento junto, tanto em casa quanto no trabalho dos autores da violência.

Reconhecimento

A produção do vídeo durou três dias e as locações foram nas dependências da EE Parecis e na casa de um aluno. Darlison Gomes da Silva, estudante da unidade, interpretou o ator principal. Priscila Patrícia da Silva, que trabalha no apoio da escola (limpeza), fez o papel da mãe, e Josimar Santos, primo de um professor, no papel do pai.

O curta ganhou prêmios de Melhor Filme, Melhor Ator (Darlison) e Melhor Atriz Coadjuvante (Priscila) no 5º Festival do Milho e Cine Pipoca, realizado em Campo Novo do Parecis, entre os dias 11 e 13 de abril deste ano, pelo Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis e a Prefeitura Municipal.

Produtor

Cleiton Marino Santana tem outros trabalhos reconhecidos. Ele iniciou as atividades audiovisuais área com o curta metragem “Direto para o Xadrez” – que fez do seu projeto de xadrez, desenvolvido na mesma escola, que está no youtube.

Também produziu a comédia “A loira do banheiro” – uma crítica ao uso do celular na escola. O filme conta com mais de 240 mil acessos e pode ser conferido na internet.

“O Menino do Armário” está disponível no endereço https://www.youtube.com/watch?v=zEdt_COt7C0

“Procuro mostrar que um professor pode fazer a diferença na sociedade”, declarou Cleiton sobre os trabalhos.

Eliana Bess | Seduc-MT

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