Dados estatísticos não apontam a realidade da violência contra a mulher em Sorocaba (Cruzeiro do Sul – 07/06/2015)

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Não há um levantamento dos registros, que podem ser feitos em qualquer distrito policial

Os dados estatísticos da violência contra a mulher em Sorocaba deixaram de ser unificados na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Sorocaba, e podem não representar o mapa da atual situação em que vive o município, nos últimos dois anos. Além da delegacia, cada distrito – são onze – ficou responsável por contabilizar esse tipo de ocorrência, o que dificulta um levantamento específico.

Nos quatro primeiros meses deste ano, a DDM de Sorocaba – ligada à Polícia Civil – registrou um total de 339 casos de violência contra a mulher. Os números apresentaram uma queda de 4%, se comparados ao mesmo período do ano passado, quando foram constatados 353 casos. Já em 2013, no mesmo período, os casos chegavam a um total de 961 denúncias (quase o triplo), se somados aos registrados nos plantões policiais. A Delegacia Seccional não disponibilizou os dados.

Dados centralizados

De acordo com a delegada titular da DDM, Ana Luiza Job de Carvalho Salomone, os índices deste ano se mantiveram praticamente os mesmos em relação ao ano passado, se somados apenas os originados na DDM. “Esses números são parciais, não demonstram uma realidade porque – em termos de estatística -, cada distrito centraliza o seu”, comenta. Até 2013, os dados da DDM ainda eram elaborados com informações dos registros gerados nos plantões. Para ter um comparativo, naquele ano, foram ao todo, 2.260 boletins de ocorrências, sendo de janeiro a abril, um total de 961 denúncias, no mesmo período. Em 2012 foram 2.098 ocorrências, uma média de 174 por mês. “Todos os dados que foram passados pela Delegacia Titular da DDM de Sorocaba, são os que temos. Temos também o site oficial da SSP/SP”, menciona a nota enviada pelo gabinete da Delegacia Seccional de Polícia – Sorocaba. No site da Secretaria de Segurança Pública do Estado, a estatística desse tipo de violência não discrimina o número por cidades, para saber a realidade de Sorocaba.

Recentemente a Delegacia da Mulher também mudou de endereço, e passou a atender na rua Caracas, 846, no bairro Campolim, onde funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Fora desse horário e aos finais de semana as mulheres acabam recorrendo aos plantões policiais ou distritos para fazer a denúncia. “É difícil, porque nem sempre ela não vai dar entrada como violência doméstica, vai dar entrada como lesão corporal ou ameaça”, comenta Ana Luíza.

Já o número de medidas protetivas – que tenta garantir a integridade das mulheres vítimas de violência – , aumentou. Este ano, a DDM encaminhou à Justiça 123 pedidos. A medida protetiva proíbe que o acusado da agressão mantenha contato ou se aproxime da vítima. Em 2014, o total foi de 88, no mesmo período. Em 2013 foram encaminhados 95 pedidos. Esses dados, porém, referem-se as ocorrências de violência doméstica, que se enquadram na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06), lei de violência contra a mulher.

Cresce procura

Apesar da queda dos números apontados somente com base nos dados da DDM, segundo a coordenadora do Centro de Referência da Mulher (Cerem) Paula Andrea Vial, a procura pela serviço do Cerem tem aumentado. “A gente tem uma média de 30 a 40 casos novos por mês e 80% deles já chegam com boletim registrado”, comenta. De acordo com ela, das mulheres encaminhadas para o Cerem de janeiro a maio deste ano, 51 são oriundas do Plantão Norte, 41 do Plantão Sul, 40 da DDM e 65 da Vara de Violência. “A grande maioria, por exemplo, vem do plantão da zona norte, é o nosso maior foco de atendimento”, comenta. Já os registros policiais efetuados a partir de orientação do Cerem, nos quatros primeiros meses deste ano, foram de 57 mulheres encaminhadas à DDM e 8 aos plantões policiais.”A gente faz as nossas estatísticas de atendimento anualmente. É importante ter uma estatística para levantamento de dados para a gente saber onde vamos atuar, onde será o foco do nosso traballho, mas não apenas nos registros de B.O.s, como nas demandas que a gente levanta no atendimento”, reforça. De janeiro a abril deste ano foram realizados 498 atendimentos no Cerem, entre orientação, mediação e atendimentos multidisciplinar.

Mapeamento

Para Cintia de Almeida, diretora do Centro de Integração da Mulher (Cim-Mulher), é importante chegar num consenso de informações, como a cidade está no quesito violência contra a mulher. “O Governo Federal disponibiliza verba para o município que mostra o mapa real da situação da violência urbana, da violência doméstica e as questões de saúde, e Sorocaba não apresentou este mapa até dois anos atrás. Se o governo federal não tem o mapa não manda recursos.Teria que ter esses números todos para demonstrar a real situação da cidade”, comentou.

No Cim-Mulher, que mantém a Casa Abrigo “Valquíria Rocha”, somente este ano, foram realizados 83 abrigamentos diretos (das mulheres) e 249 indiretos (que inclui membros da família). No mesmo período de 2014, foram 152 abrigamentos (diretos) e 456 (indiretos) encaminhados pelos órgãos. Segundo Cintia, casos de subnotificação ainda podem estar ligados à falta de coragem da mulher em levar adiante a denúncia. “Existe uma subnotificação das mulheres que são vítimas e não denunciam. O nosso papel é dar todo o apoio e orientação para que ela consiga se manter fora desse ciclo”, comenta.

Simone Sanches

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