Das vítimas de feminicídio no DF, 44% foram mortas por homens com quem tiveram filhos, diz MP (G1/Distrito Federal – 07/04/2015)

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Dados foram levantados com base em 96 ocorrências entre 2006 e 2011. Foram analisadas tipificação do crime, estatística, debate do tema e penas

Um estudo feito pelo Ministério Público aponta que 44% das mulheres vítimas de feminicídio entre 2006 e 2011 no Distrito Federal foram mortas por homens com quem tinham filhos. Os dados consideram 96 casos de feminicídio e foram analisados pelo Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero. Das outras 205 ocorrências de morte violenta, 16 foram desconsideradas porque os acusados são adolescentes, 121 foram avaliadas como homicídios genéricos e 58 foram incluídas na categoria cifra oculta – laudos cadavéricos para os quais, três anos após o crime, não havia inquérito.

Coautora da pesquisa, a antropóloga Debora Diniz explica que as teses analisadas no trabalho são três: a tipificação do feminicídio como meio para a punição, a produção de estatísticas e a politização do debate sobre violência contra a mulher. Um dado que chamou a atenção das pesquisadoras foi que 12% dos casos de feminicídio foram seguidos pelo suicídio do autor. Na metade dessas situações, o suicida era policial civis ou militar.

O levantamento também apontou que as mulheres negras possuem três vezes mais chances de sofrer a violência e que elas correspondiam a 80% das vítimas. No caso dos agressores, em 48% dos casos eles são maridos ou companheiros e em 29% são ex.

Entre os 96 casos de feminicídio, 61% foram sentenciados. Desse total, 97% foram condenados por homicídio doloso, com pena média de 15 anos. Para a pesquisadora, fica claro que há punição rigorosa para esses crimes. A tipificação do feminicídio, portanto, vem cumprir a função de apreender a realidade e politizar o debate sobre o tema, declara.

Acesse no site de origem: Pais de filhos das vítimas são autores de 44% dos feminicídios no DF, diz MP (G1/Distrito Federal – 07/04/2015)