Defensoria cita cultura machista e repudia ‘ranking sexual’ da USP (G1/Piracicaba – 28/06/2015)

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Nota enviada pelo órgão afirma que conduta ‘perpetua a discriminação’. Cartaz listava características das estudantes em campus de Piracicaba

A Defensoria Pública do Estado de São Paulo repudiu a lista que expôs intimidades sexuais de estudantes da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), campus da USP em Piracicaba. Em nota oficial, o núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher informou que o ranking, que usa termos de baixo calão e identifica alunas da universidade por apelidos, “perpetua a discriminação contra as mulheres” e é marcado pela “cultura machista e influenciadas pelo patriarcado”.

A nota enviada pelo Defensoria ainda afirma que a conduta dos autores do cartaz é inadmissível em uma universidade. “Toda mulher precisa ter seus direitos sexuais e reprodutivos garantidos e preservados, bem como também deve ser respeitado seu direito à intimidade, pois somente assim alcançaremos a igualdade entre homens e mulheres”, diz o texto do órgão.

O G1 tentou contato com a Esalq por telefone durante o final de semana para saber uma posição sobre o repúdio da Defensoria, mas não obteve retorno. Na quarta-feira (24), a instituição começou a ouvir estudantes sobre o cartaz, que foi fixado no Centro de Vivência. Segundo duas alunas que foram ouvidas, as reuniões foram feitas à portas fechadas.

A instituição afirmou que a sindicância aberta para apurar o caso terá “liberdade para trabalhar e não tem obrigação de informar a direção sobre o que está sendo feito” e, por isso, não informou detalhes sobre os depoimentos. A apuração também prazo de 60 dias para ser concluída e pode ser prorrogada.

Manifestações

Na terça-feira (23), a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo protocolou um requerimento de convocação para que o diretor da USP em Piracicaba preste esclarecimentos sobre o cartaz. A proposta foi protocolada pela deputada Beth Sahão (PT), e será analisada nesta quarta-feira (24). Outros profissionais do campus também devem ser convocados.

A Câmara de Piracicaba (SP) aprovou, na noite de segunda-feira (22), uma moção de repúdio ao cartaz proposta pela Comissão de Defesa de Direitos Humanos e Cidadania.A Esalq anunciou que abriu uma sindicância para apurar, na esfera administrativa, a produção e divulgação do “ranking” e um inquérito policial foi aberto para investigar o caso na esfera criminal.

Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Piracicaba, os autores da lista incorreram em três crimes: homofobia, difamação e calúnia. A Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República afirmou que o caso reforça o “preconceito e a discriminação contra mulheres no Brasil”. O órgão informou que vai acompanhar a apuração e também questionará a instituição sobre o cartaz.

Cartaz

Considerado preconceituoso e ofensivo por alunos e professores, o cartaz fixado no Centro de Vivência do campus era dividido em colunas que atribuíam, com palavra de baixo calão e termos como “teta preta”, as supostas características das estudantes listadas pelos apelidos com que foram batizadas no campus, além do número de pessoas que teria mantido relações. Os “codinomes” são uma tradição na Esalq e muitos universitários os carregam após o curso. A lista também cita homossexuais.

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