Defesa de Mizael tenta desqualificar perícia do assassinato de Mércia (Folha Online – 13/03/2013)

O perito Renato Pattoli é a primeira testemunha a ser ouvida neste terceiro dia de julgamento do ex-policial e advogado Mizael Bispo de Souza. Ele é acusado de matar sua ex-namorada Mércia Nakashima, em maio de 2010.

Na parte da manhã apenas os advogados de defesa e jurados fizeram perguntas ao perito que coordenou os laudos e exames pedidos pela polícia durante as investigações do crime. A partir das 12h, a acusação começou a interrogá-lo.

A estratégia da defesa nessa etapa foi questionar detalhes do trabalho do perito, apontando possíveis brechas que tenham sido deixadas de lado ou ainda questionando os laudos apresentados no processo.

Um dos pontos citados durante o depoimento foi o motivo pelo qual o perito não recolheu a terra presente do carro da vítima, mas apenas de três lugares — do sapato de Mizael, da entrada da casa do ex-policial e da margem da represa onde o carro e o corpo de Mércia foram encontrados.

De acordo com ele, a coleta não era necessária já que a terra da margem da represa havia sido recolhida e que ela seria mais precisa para analisar o envolvimento ou não do suspeito no crime, pois a pessoa que empurrou o veículo para a represa teria que sair do local andando.

O resultado do laudo na terra não indicou compatibilidade das terras recolhidas no local do crime com as terras na casa e no sapato do ex-policial.

Pattoli afirmou ainda que não houve falha na coleta de material para investigação, pois ele se focou na busca de matérias orgânicas que comprovassem a ligação do suspeito com a autoria do crime.

Na ocasião, uma alga microscópica foi encontrada num dos sapatos analisados de Mizael. O material era compatível com as algas presentes na represa.

Durante o interrogatório também foi questionado se a água da represa foi coletada durante a perícia realizada no local, o que foi negado pelo perito. Segundo ele, essa coleta não seria fundamental para a busca do autor do crime já que não havia particularidade na água que pudesse ser comparado com algum material recolhido na casa de Mizael.

Outro fato questionado pela defesa foi a retirada do veículo da represa não ter sido acompanhada pelo interrogado, responsável pela perícia das investigações.

Pattoli informou que estando ou não no local naquele momento, a preservação integral da área do crime seria inviável, uma vez que para fazer as análises necessária o carro deveria ser retirado da água. Ele disse que soube, após chegar no local, que apenas uma janela do veículo estava aberta quando foi retirado: a do motorista.

Os advogados podem usar na defesa de Mizael a afirmação do perito de que, do local onde a testemunha afirmou presenciar alguém jogando o carro de Mércia na represa, ele próprio não conseguia enxergar nada durante a reconstituição do crime.

Ao afirmar isso, Pattoli ressaltou sua deficiência visual e disse que durante a reconstituição foi possível verificar através da descrição de cenas por parte da testemunha que ela conseguia ver o que ocorria mesmo distante dos fatos.

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