Delegacia registrou quase 5 mil casos de violência doméstica, em Belém (G1 – 16/10/2015)

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Casos foram registrados de janeiro a julho de 2015, na Delegacia da Mulher. No último sábado,10, marido queimou a mulher com um maçarico.

Dados da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher apontam que os casos de agressores que voltam a aterrorizar a vida de suas vítimas se tornaram mais comuns. De janeiro a julho deste ano, foram registrados cerca de 4.544 casos de violência doméstica na região metropolitana de Belém.

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“O meu medo era ele me matar e matar o meu filho”. A rotina de terror dessa vítima, que prefere não se identificar, foi denunciada à polícia, mas a violência não parou. O próximo passo foi conseguir na Justiça medidas protetivas e o agressor ficou proibido de se aproximar da vítima e do filho, porém, ele ignorou as determinações.

“Quando ele descobriu que eu fiz a denúncia, eu não me senti segura e pensei: será que a não existe Justiça e será que ela não vai fazer nada por mim? será que só vão fazer alguma coisa quando ele matar eu e o meu filho?”, desabafa a vítima.

Por segurança, mãe e filho moram em um abrigo da Prefeitura há mais de um mês. O local é simples e tem capacidade para 20 pessoas, mas já recebeu até 26, pois esse é um dos poucos lugares onde as vítimas ainda conseguem se sentir seguras. “O meu filho até fala assim: mãe, é tão bom e a gente dorme tão bem aqui, né?”, ressalta a mulher.

A delegada Daniela Santos reconhece que o sistema de proteção não é suficiente. “Nós não temos como garantir a segurança das vítimas 100%,pois a própria vítima também precisa adotar posturas, que são as orientações que nós damos de como ela mesma pode garantir a sua integridade física”, explica a delegada.

Violência contra a mulher

No último sábado (10), uma mulher teve o corpo todo queimado pelo marido, que usou um maçarico para cometer o crime. O agressor foi preso na última quinta-feira (15).

“Em meio a uma discussão ele tentou enforcar ela, e depois queimou ela com o maçarico. Ele queimou o rosto, o braço e o peito dela. Ela tentou lutar com ele, mas não conseguiu se defender. O motivo foi ciúme, porque eles estão em meio a uma separação. Ela não queria mais viver com ele, já tinha dito para ele ficar na casa só mais uns dias até se organizar”, disse a prima da vítima, Leudelaura Vieira.

Em Belém, a 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher recebe, em média, de 10 a 20 pedidos de proteção por dia. Para a juíza responsável pela vara, Rubilene Rosário, só as medidas protetivas não são suficiente para evitar a violência e é preciso fiscalizar, o que nem sempre ocorre.

“A Lei Maria da Penha não prevê nenhum instituto de fiscalização, mas o órgãos executivo e judiciário têm buscado a implementação ,de uma forma integralizada,  de politicas públicas para a fiscalização das medidas protetivas, entre elas, a patrulha Maria da Penha, que seria um grupo de policiais militares capacitados, que vão acompanhar a mulher quando ele tiver a medida protetiva deferida pelo juiz“, explica.

“Eu peço muito para ele ser um bom homem. E eu falo para ele: nunca machuque nenhuma mulher. Aí ele só sacode a cabeça”, ressalta a mulher que foi vítima de violência.

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