Delegada afirma que suspeito de estupro tentou desqualificar vítima (G1/Pernambuco – 23/09/2016)

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Homem foi intimado pela polícia, mas se apresentou espontaneamente. Ele é suspeito de perseguir e abusar sexualmente da jovem duas vezes

O suspeito de ter estuprado uma estudante de 21 anos no metrô do Recife,na quarta-feira (21), foi ouvido pela Polícia Civil na quinta-feira (22). De acordo com a gestora da Delegacia da Mulher, Inalva Regina, ele negou o crime e tentou desqualificar a vítima durante o depoimento. Apesar de ter sido levado à Central de Flagrantes da Polícia Civil, no dia do abuso, o homem acabou sendo liberado pelas autoridades.

Último abuso ocorreu dentro do metrô do Recife (Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press)

Último abuso ocorreu dentro do metrô do Recife (Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press)

O homem, suspeito de abusar sexualmente da estudante em duas oportunidades em um curto intervalo de tempo, foi intimado pela delegada responsável pelo caso, Ana Elisa Sobreira, a comparecer à delegacia nesta sexta-feira (23). No entanto, resolveu se apresentar espontaneamente na quinta. Segundo Inalva Regina, ele está sendo “muito bem orientado pela advogada”. “Ele já saiu da Central de Flagrantes com uma profissional”, citou.

Muito solícito, ele teria negado todos os fatos contados pela vítima e tentado desqualificar tudo que ela disse em seu depoimento. “Ele afirma que nem a conhece e que nunca a viu. Ele até se dispôs a se procurar nas câmeras do metrô. Claro que isso não se faz, isso é papel da polícia e nós explicamos para ele. Ele está sendo muito bem orientado pela advogada, isso sim”, repassou a gestora.

Após a vítima relatar uma série de fatos incomuns durante os procedimentos da polícia, o delegado Flamínio Barros, da Central de Flagrantes, responsável pelo primeiro atendimento à estudante, foi afastado das atividades da corporação. “Ele não está em nenhuma delegacia. Está afastado das atividades, não faz inquérito e não está em nenhuma investigação”, afirmou o chefe da chefe da Polícia Civil, Antônio Barros.

A jovem alega que não foi atendida pelo delegado e não teve a atenção devida do escrivão. Ela também defende que uma das três folhas do seu depoimento “sumiu”. Constaria, nessa parte, o que aconteceu na quarta-feira, o que permitiria que a polícia realizasse o flagrante no suspeito.

A estudante ainda denúncia a conduta de dois funcionários da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). Eles teriam tentado convencer a vítima a não prestar queixa, já que, segundo eles, não levaria a nenhum resultado.

Questionada, a gestora da delegacia da Mulher contou que já encaminhou um ofício à CBTU, solicitando o comparecimento dos dois funcionários. “Quando é um cidadão comum nós intimamos. No caso de funcionários, nós precisamos enviar um ofício para a empresa. Já enviamos e estamos aguardando eles aqui”.

Além dessas últimas duas ouvidas, a polícia ainda analisará o circuito interno do metrô. Caso os fatos repassados pela vítima sejam comprovados, o suspeito responderá por estupro.

Entenda o caso
A estudante de 21 anos afirma que o homem a perseguia há duas semanas no metrô do Recife. As investidas teriam ficado cada vez mais violentas. O que começou com uma sensação desconfortável de perseguição, logo se transformou em contato físico. Mesmo com o vagão vazio, ele a procurava. O homem também a seguia até o ônibus. Ela relata que ele se esfregava nela repetida vezes.

As abordagens foram aumentando e ficando cada vez mais graves, segundo a jovem e na terça-feira (20) ele teria apertado seus órgãos genitais pela primeira vez. Assustada, contou para mãe o que estava acontecendo. No dia seguinte, mãe e vítima voltaram ao cenário do abuso. Dessa vez, após violentar mais uma vez a jovem, a mãe conseguiu segurar o homem, que foi detido por populares até a chegada da segurança da CBTU. [Veja o vídeo abaixo]

Encaminhados para um setor administrativo do metrô, elas aguardaram um carro que as levaria para a Delegacia da Mulher, no bairro de Santo Amaro. Porém, a atitude dos dois funcionários chamou a atenção da vítima. Eles teriam tentado convencer a estudante de não levar o caso adiante.
Após duas horas de espera, a vítima e a mãe foram levadas até a delegacia. No entanto, foram informadas pelos mesmos dois funcionários de que o Boletim de Ocorrência poderia ser feito em qualquer lugar. Com isso, foram conduzidas por eles até a Central de Flagrante.
A jovem narrou, então, uma sucessão de fatos que, segundo ela, são absurdos. Ela diz que não teve contato com o delegado de plantão em nenhum momento e questiona a conduta da Polícia Civil. Uma das três folhas do seu depoimento teria “sumido”. Justamente, a folha com o relato do último abuso, que daria o flagrante do suspeito.

Medo e revolta
A estudante diz que sente medo ao saber que o suspeito está solto e tem receio de sair na rua novamente. Ele chegou a dizer para a mãe dela, no momento da abordagem, que não faria nada com a jovem porque sabia onde ela morava.
Pedindo a prisão dele, a estudante ainda pôs em cheque a postura da Polícia Civil e as campanhas de combate a violência contra a mulher.

Resposta CBTU
Em nota, a a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) alega que a equipe de segurança atuou de imediato, evitando o linchamento do suspeito. “Mãe e filha, após o tumulto, não se apresentaram espontaneamente à segurança para apresentar queixa, que só foi efetivada após os seguranças as conduzirem à sala operacional”.
O comunicado ainda confirma que as duas foram acompanhadas por dois seguranças operacionais até a Delegacia da Mulher, porém a unidade policial não teria recebido o caso e orientado que se encaminhassem para a delegacia da jurisdição.
“Antes que os seguranças levassem as duas para a delegacia em questão, a mãe da vítima recebeu um telefonema, cujo interlocutor pediu que fossem levadas à Central de Plantões da Capital, o que foi feito”, completa o texto.

Thays Estarque
Do G1 PE

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