Delegada afirma que tentaram desqualificar vítima de estupro coletivo (O Globo – 06/06/2016)

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Cristina Bento participou de audiência pública na Alerj

Ao voltar a afirmar nesta segunda-feira, durante audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que uma adolescente de 16 anos foi vítima de estupro coletivo na Zona Oeste no fim de maio, a delegada Cristiana Bento, titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Decav), responsável pelas investigações do caso, revelou que a partir da grande repercussão do crime inúmeras pessoas tentaram, por meio de postagens na Internet, desqualificar a denúncia.

— Estavam colocando vídeos nas redes sociais. As pessoas estavam dizendo isso e aquilo. Ela foi vítima duas vezes. Foi vítima do estupro e também foi vítima da sociedade. Ela foi negligenciada pelo estado. Negligenciada moralmente e socialmente. Eu acho muito importante dizer que nossa investigação está trazendo mais dignidade para essa jovem, porque ninguém merece ser estuprada. Ela é uma adolescente em fase de desenvolvimento. É responsabilidade de todos o desenvolvimento dessa adolescente — afirmou a delegada.

Cristiana Bento garantiu que todos os envolvidos estão sendo identificados.

— A gente está identificando os autores com prova material. Provas robustas. Para quando eles forem denunciados, eles sejam condenados e recebam uma pena exemplar — disse a delegada.

A delegada disse que a perícia no celular de Raí de Souza, de 22 anos, não deve ser concluída nesta segunda, pois há muito material armazenado no aparelho, inclusive fotos e vídeos que relacionam o rapaz ao crime de tráfico de drogas. O material será encaminhado para a delegacia de Combate às Drogas (Dcod).

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— Estamos tendo muito cuidado nessa investigação. Estamos atuando com toda imparcialidade — contou Cristiana Bento.

Participaram da audiência deputados federais, estaduais e representantes da promotoria de Justiça, Coordenadoria de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente da Defensoria Pública, Comissão de Direitos da Criança e do Adolescente da OAB, além de organizações não governamentais e representantes da sociedade civil ligados ao tema. O delegado de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), Alessandro Thiers, afastado da investigação do caso também foi convidado, mas não compareceu. A audiência foi promovida pelas comissões da Mulher, Direitos Humanos, Segurança e da Criança, Adolescente e Idoso da Alerj.

Por Antonio Werneck

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