Delegada que não registrou ocorrência de vítima de agressão é afastada (G1/Pará – 18/04/2016)

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Jovem procurou a Deam após ser agredida em boate, mas não foi atendida. Polícia Civil investiga o caso e colhe depoimentos de testemunhas.

A Polícia Civil confirmou nesta segunda-feira (18) o afastamento da delegada Maria Regina Rodrigues, que se recusou a registrar o boletim de ocorrência da estudante universitária Myriam Ruth da Silva Magalhães. A jovem procurou a Divisão Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) na noite do dia 10 de abril, após ser vítima de uma agressão em uma boate no bairro de Nazaré, em Belém.

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Segundo a universitária, a delegada se negou a atender a ocorrência e orientou a vítima a ir para casa, porque o caso não se enquadrava na Lei Maria da Penha. A delegada responde a um procedimento na Corregedoria da Polícia Civil.

Denúncia

Myriam é estudante de medicina e contou que foi com as amigas da faculdade à casa noturna para comemorar a conclusão do curso de graduação. O grupo de mulheres tinha reservado uma mesa na casa noturna e chegaram ao local às 20h. Por volta de meia-noite, um grupo de rapazes chegou ao local e tentou se aproximar para também ocupar a mesa.

As moças reclamaram e acionaram o segurança do estabelecimento, que foi até onde elas estavam e retirou um balde de cerveja que os rapazes haviam colocado na mesa das garotas. Mesmo depois de ser repreendido pelo segurança, um dos homens continuou tentando se aproximar e agarrou Myriam por trás.

A universitária o empurrou e ele teria revidado com um soco no rosto da jovem. Myriam caiu no chão e o rapaz começou a desferir chutes contra a vítima. Ele foi contido pelos amigos e em seguida fugiu. A segurança da casa noturna acionou a Polícia Militar, que colheu o depoimento de testemunhas que identificaram o suspeito.

Em nota, o advogado Tiago Brito, responsável pela defesa de Airton, confirmou o envolvimento do suspeito na violência, mas alegou que ele teria sido ofendido e houve agressões de forma recíproca. Airton foi intimado e irá se apresentar à delegacia da Sacramenta.

“Depois de ter acesso ao depoimento dela, prestado junto ao delegado de polícia, vamos estudar a possibilidade de ingressar com uma queixa crime contra ela, por injúria, calúnia e difamação”, afirma o advogado.

Testemunhas

Na última sexta-feira (15), três pessoas depuseram no caso da agressão sofrida pela universitária. Os depoimentos foram colhidos na Divisão Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), onde tramitam as investigações.

Segundo a delegada Leina Sousa, responsável pela apuração do caso, as imagens do circuito interno de segurança foram entregues e serão incluídas nas investigações, mas não mostram a mesa em que estava a vítima.

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