Delegadas ajudaram Estado do Mato Grosso do Sul a virar referência no atendimento a mulheres (O Estado MS – 06/03/2015)

Quem senta para conversar com elas não se dá conta da dimensão do trabalho que desenvolvem. A serenidade e espontaneidade com que se manifestam nem de longe lembra o ambiente sisudo e tenso de uma delegacia de polícia. Parte do efetivo de oito delegadas na Casa da Mulher Brasileira, recém-inaugurada em Campo Grande, as titulares Rosely Molina, 50, e Marília Martins, 35, contam como ajudaram a tornar o Estado uma referência no atendimento às mulheres vítimas de violência.

Delegadas implantaram modelo de trabalho referência no país. (Foto: Cleber Gellio/O Estado MS)

Delegadas implantaram modelo de trabalho referência no país. (Foto: Cleber Gellio/O Estado MS)

 

A experiência de Rosely, com passagens por diversas delegacias, aliada à dinamicidade de Marília fez com que o desempenho e os resultados alcançados na Deam (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher) da Capital fossem reconhecidos no país. “Estamos juntas desde 2012 e tem muita coisa que a gente implantou que está sendo levado para todo o Brasil”, citou.

Marília recorda que buscaram tirar o peso do ambiente de delegacia e trouxeram painéis, briquedoteca, fraldário, assistentes sociais e tudo que pudesse tornar o local mais acolhedor, diante da delicadeza das ocorrências que atendiam. “O que a Casa da Mulher Brasileira trouxe a gente já pensava num universo menor. Até brincava que éramos uma ilhota da Polícia Civil. Fizemos isso pela necessidade que a gente detectava. Por exemplo, tirar a criança de perto da mãe enquanto ela cede um depoimento, falando mal do marido”.

As delegadas revelam que há uma relação de dualidade para trabalhar com violência contra a mulher. “Você tem que prestar um atendimento humanizado à mulher e, em contraponto, tem que ter a dureza. Você não pode chorar junto com a vítima e se descabelar. Tem que ouvir e conduzir de uma maneira técnica”, detalha Marília. Apesar do profissionalismo, Rosely entrega. “Já me emocionei. Na hora você atende fria e técnica, mas quando fecha a porta…”.

Quando se fala em eficácia, a resposta vem na forma de números. “No ano passado a gente encaminhou 4,3 mil procedimentos ao Judiciário. Isso corresponde a 50% do volume do fórum, de toda a área criminal, só com a Deam. No Tribunal de Justiça é da mesma forma. Dos projetos que estão tramitando em segunda instância, violência doméstica representa quase 50%”, pontua Rosely.

Realistas, elas salientam que a cultura machista impregnada na sociedade não muda fácil, mas se orgulham de resistir e buscar a mudança de uma realidade desigual.

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