Delegado diz ter certeza da culpa de Mizael na morte de Mércia (Folha.com – 12/03/2013)

O delegado Antônio Assunção de Olim, responsável pela investigação da morte da advogada Mércia Nakashima, disse nesta terça-feira que o ex-namorado dela Mizael Bispo de Souza tem culpa no crime. A afirmação ocorreu durante depoimento que durou mais de cinco horas nesse segundo dia de julgamento.

Ao ser questionado sobre a participação de outras pessoas no crime, Olim afirmou ter certeza que “foram só os dois” –Mizael e o vigia Evandro Bezerra Silva. Inicialmente, os dois seriam julgados ao mesmo tempo, mas o caso foi desmembrado e o júri do vigilante foi adiado para 29 de julho.

Segundo o delegado, os principais indícios para crer que os dois são culpados são o percurso do carro de Mizael, refeito nas investigações a partir do rastreamento do sinal do GPS instalado no veículo, e as diversas ligações telefônicas dele a Evandro.

No depoimento de hoje, os advogados de Mizael tentaram desqualificar a investigação comandada por Olim. A inquirição da defesa chegou a irritar a testemunha diversas vezes, assim como o juiz Leandro Cano, que ameaçou mais de uma vez instaurar o sistema presidencialista caso as perguntas continuassem a ser acrescidas de comentários.

O advogado de defesa Ivon Ribeiro confrontou ainda o vídeo em que Evandro aparece depondo no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) apontando que a versão transcrita nos autos estava diferente. Nesse momento, foi a vez do promotor se exaltar com o advogado. “O senhor é desleal e mentiroso! O diabo é o pai da mentira. O senhor é amigo do diabo!”, disse o promotor Rodrigo Merli Antunes.

Os advogados alegaram que o delegado entrou em contradições e não sabia informações importantes e se contradizia sobre a investigação. Uma delas é que foi encontrado um cigarro com saliva feminina no carro de Mizael, e Mércia não fumava.

Os advogados também questionaram se o delegado sabia que Mizael jogava futebol em Várzea Paulista (a 54 km de São Paulo), local onde ocorreu o crime. A intenção era mostrar que as algas encontradas no sapato de Mizael após o crime pode ter grudado em uma das visitas ao município.

Ontem, o biólogo Carlos Eduardo de Mattos Bicudo afirmou em depoimento que as algas são as mesmas encontradas na região da represa de Nazaré Paulista (a 64 km de São Paulo, local onde foi encontrado o corpo de Mércia.

1º DIA

O primeiro dia de júri foi marcado por provocações e discussões entre as duas partes.

Uma das testemunhas ouvida foi o engenheiro Eduardo Amato Tolezani, que afirmou que que a versão de Mizael de que estava estacionado no Hospital Geral de Guarulhos (na Grande São Paulo) na hora da morte de Mércia não é possível, de acordo com os registros telefônicos do celular dele.

Mizael havia dito durante as investigações que estava com uma prostituta, em seu carro, na noite do crime. O engenheiro, no entanto, cruzou as informações enviadas pela operadora de telefonia Oi com os dados do GPS do carro do policial aposentado, o que contesta a afirmação.

O estudo, feito a pedido do Ministério Público, mostrou que, enquanto o GPS do carro apontou que o veículo estava no estacionamento do hospital, ligações feitas e recebidas pelo celular de Mizael, usavam antenas de telefonia que não atendiam aquela área.

Antes de Tolezani, prestou depoimento o biólogo Carlos Eduardo de Mattos Bicudo, que analisou os sapatos de Mizael e afirmou que havia neles a mesma alga encontrada na represa de Nazaré Paulista (a 64 km de São Paulo), onde o corpo de Mércia foi encontrado.

“O sapato analisado foi submerso na água da represa. Não há outra hipótese para essa alga estar lá”, afirmou a testemunha. Apesar disso, ele afirmou que a alga existe sim em outros locais do Estado de São Paulo.

Também foi ouvido no plenário Márcio Nakashima, irmão de Mércia. Ele disse que o réu fazia ameaças e perseguia a vítima. “Quando ele não conseguia falar com ela, ele saía atrás dela. Ele gostava de controlar o que ela fazia”, afirmou.

Márcio disse ainda que, mesmo após o fim da parceria profissional –eles eram sócios em um escritório de advocacia– e do relacionamento, Mizael continuava passando em frente ao prédio da vítima. O acusado também ligava repetidamente para o celular de Mércia, o que fez com que ela trocasse o número do celular diversas vezes.

Durante o depoimento de Márcio, Mizael foi retirado do plenário a pedido do Ministério Público. De acordo com a acusação, a testemunha se sentia ameaçada pelo réu. A defesa contestou que, por ser advogado, Mizael faria sua autodefesa, porém o juiz deu seu parecer favorável à Promotoria.

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