Denúncia de violência doméstica contra mulher dispara na Zona Oeste do Rio de Janeiro (O Dia – 14/11/2015)

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A cada 7,5 minutos uma mulher é vítima de violência doméstica, são dez por hora, 250 ao dia no Rio de Janeiro. De janeiro a outubro deste ano foram 76.144, 9.405 a mais do que no mesmo período do ano passado que registrou 66.739, um aumento de 14,09%. Os números da Superintendência de Operações de Emergência e Controle Social divulgados chocam, mas demonstram que as vítimas de violência domestica não ficam mais caladas diante das agressões.

A Baixada Fluminese, composta por 13 municípios – com 3.333.801 moradores, segundo o IBGE – lidera o ranking com 27.843 denuncias este ano, contra 26.093 de 2014. Mas a Zona Oeste do Rio, região com 41 bairros é que impressiona negativamente: De janeiro a outubro deste ano foram registrados 27.600 casos de violência doméstica, contra 21.946 no ano passado, um aumento de 25,75% na região que possui 2.614.728 habitantes, segundo o Censo 2010.

Segundo o coronel Djalma Beltrami, superintendente de operações da Secretaria de Estado de Segurança Pública, os casos de violência domestica perdem apenas para perturbação do da ordem em número de ligações. “Esse tipo de denúncia é nossa prioridade na hora de enviar uma viatura.” Segundo ele, as ligações aumentam a noite e aos finais de semana. “Normalmente quando o companheiro volta para casa”, diz o coronel.
Segundo o Dossiê Mulher 2014, do Instituto de Segurança Pública, ISP, das 55.218 mulheres ameaçadas em 2013, 27.388 foram vítimas de companheiros ou ex-companheiros. O dossiê de 2015 infelizmente não mostrou melhora em relação ao ano anterior. Segundo o ISP, as mulheres somam 64% sobre todas as denúncias de lesão corporal dolosa. A diferença entre vítimas masculinas e femininas desse tipo de delito é de 1,78, o que equivale dizer que para cada homem agredido há duas mulheres.

Denunciar é o primeiro passo

Segundo Arlanza Rebello, cordenadora do Núcleo Especial dos Direitos da Mulher, da Defensoria Pública do estado, ter coragem para denunciar é o primeiro passo para conseguir ajuda. “Nosso trabalho é ajudar essa mulher a construir sua defesa.” Segundo ela, o conservadorismo da área jurídica também prejudica que as mulheres agredidas sejam reconhecidas como vítimas. “Não conseguem entender o tipo de violência que a mulher sofre”, diz a defensora.

Para Marina Ribeiro, do Comitê Popular de Mulheres da Zona Oeste, o aumento das denuncias não significa aumento no número de agressões, mas o empoderamento vítimas de violência doméstica. “A mulher ir à delegacia é um sinal de que ela não quer mais viver com agressões”, diz ela que aconselha que as mulheres saibam quais são as violações que sofrem.

Até mesmo grávida vítima era surrada

E., de 52 anos, sabe o que é sofrer nas mãos de um companheiro. Ela viveu 15 anos com um marido abusivo. Teve três filhos dele, deveriam ser cinco. “Ele dava murros na minha barriga.” Ainda assim, ela que é evangélica não se separava. “Fui criada numa família que apenas a morte separa.” E ela quase morreu, foi espancada com fios, garrafas e o que aparecesse.

“Meus parentes não me apoiaram, só minha filha que na época tinha 12 anos”, lembra. A menina que também era vítima das agressões queria o divórcio dos pais. Quando o ex-marido tentou deixá-la cega para que ela parasse de trabalhar, foi a gota d’água. “Ele abriu meus olhos e colocou uma vassoura de piaçava dentro, fiquei cega do olho direito”, lamenta ela, que afirma que o ex repete as agressões na atual esposa, uma médica.

Tássia Di Carvalho

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