Denúncias de agressões contra a mulher aumentam 50% em São Luís (G1/MA – 23/10/2012)

O ano de 2012 deve terminar com um aumento de cerca de 50% nas denúncias de agressões contra mulheres em São Luís. Para especialistas, o número poderia ser ainda maior se não fosse o medo das vítimas.

Um caso registrado na Delegacia da Mulher na última sexta-feira (19) chocou a população. Segundo a delegada, Ana Régia Bezerra, um homem teria tentado decepar as mãos da própria esposa com um facão. A polícia tomou conhecimento do caso graças à denúncia de um vizinho, mas a mulher já estava com as mãos quase decepadas quando o socorro chegou. “Ele partiu com o facão para agredi-la e ela só teve como defesa as mãos. Então, ela teve o punho direito e esquerdo quase que decepados pelo agressor”, relatou a delegada.

Casos assim são cada vez mais denunciados à policia e causam sempre a indignação da sociedade. As estudantes de um curso de serviço social de uma universidade particular de São Luís desenvolveram um estudo sobre a situação da mulher sobre a suposta violência na atualidade.

“A partir do momento em que você se aprofunda em um determinado caso, você vê a realidade e o quanto dói, o quanto é difícil ver saber que a pessoa acorda, é espancada e humilhada na presença dos pais ou dos filhos na maioria das vezes”, lamentou a estudante Daniele Paiva.

Segundo o estudo, os homens que mais agridem têm idade entre 18 e 49 anos e as agredidas têm quase a mesma faixa etária, entre 18 e 39 anos. “São pessoas sexualmente ativas, que têm relacionamento íntimo com o companheiro ou com a companheira. Foi constatado, também, que 90% das pessoas conhecem a Lei Maria da Penha, mas desconhecem seu conteúdo, ou seja, o que é necessário para a denúncia, quais os órgãos de denúncia, quais são seus direitos”, explicou a assistente social Liziane Castro.

As acadêmicas constataram que, ao se sentirem mais protegidas, as vítimas criam coragem para denunciar, mas o medo, principalmente das constantes ameaças de morte que recebem, ainda é um freio. “A mulher não denuncia, muitas vezes, com medo de sofrer as consequências. Às vezes, ela depende financeiramente do agressor e tem medo que ela venha a se separar e não ter condições de se manter.

Para a conselheira municipal que cuida de questões sobre a mulher, Laurinda Pinto, a tendência é de que 2012 se encerre com um aumento de pelo menos 50% no número de denúncias. Segundo a analista, o problema não é a falta de políticas públicas, mas a execução das que já existem. “Os gestores devem estar formados, capacitados, habilitados, justamente para compreender que a violência contra a mulher é uma violação de direitos humanos, é uma violação à qualidade de vida da sociedade”, frisou.

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