DF registra 13 casos de feminicídio até maio; índice subiu 30% em relação a 2017 (G1 – 11/06/2018)

Em maio, 6 dos 38 homicídios foram contra mulheres; três são tratados como feminicídio. Casos recentes abalaram o DF; relembre.

Em apenas cinco meses, entre janeiro e maio deste ano, o Distrito Federal contabilizou 13 assassinatos investigados como feminicídio. O termo se refere aos crimes contra a vida de mulheres, praticados em função do gênero.

O número é 30% maior que os 10 casos registrados no mesmo período de 2017. Os dados da Secretaria de Segurança Pública, responsável pela elaboração das estatísticas mensais de crimes na capital.

O balanço divulgado na última sexta (8) informava apenas o número geral de assassinatos – o recorte foi passado ao G1 a pedido da reportagem.

Nas tabelas gerais de homicídios, o índice cresceu 22,6% na comparação entre maio de 2017 e maio de 2018, passando de 31 para 38 casos. No acumulado do ano, o número caiu 4,8% – foram 210 mortes violentas no começo de 2017, e 200 neste ano.

O feminicídio entra no registro criminal como um qualificador, assim como motivo fútil, uso de veneno, emboscada ou outra motivação de ódio, por exemplo. O homicídio qualificado é crime hediondo e, por isso, o acusado não tem direito a pagar fiança ou receber liberdade provisória.

Caso Jéssyka

Dos 38 homicídios registrados em maio, 6 foram cometidos contra mulheres. Em três desses casos, o assassinato é investigado como feminicídio.

O índice inclui a morte da estudante Jessyka Laynara. Em 4 de maio, ela foi assassinada dentro de casa pelo ex-namorado – um policial militar – na frente da avó e do primo. Duas semanas antes, a jovem de 25 anos tinha enviado áudio a uma amiga relatando agressões do ex.

Depois de matar Jessyka, ainda naquele dia, o policial foi até a academia frequentada pela ex-namorada e atirou no professor Pedro Henrique Torres, de 29 anos. A vítima sobreviveu e, por isso, o PM Ronan Menezes do Rego também responde por tentativa de homicídio.

Ao serem questionados sobre a medida protetiva para as vítimas, o secretário de Segurança Pública, Cristiano Sampaio, informou que “A polícia militar atua intensamente para prevenir. Mas se tem algo que nem nós nem ninguém consegue controlar é o elemento humano”.

Violência não para

Os dados de junho só serão fechados no início do próximo mês, mas a contagem de feminicídios já começou. Na última quinta (7), a operadora de caixa Tauane Morais, de 23 anos, foi morta a facadas pelo ex-namorado Vinícius Rodrigues de Sousa, de 24.

O suspeito se dizia “inconformado com o término”. Três dias antes de matar a ex, ele tinha sido preso em flagrante após agredir Tauane com socos e tentar enforcá-la. No dia seguinte à prisão, ele foi solto pela Justiça após audiência de custódia.

Segundo a irmã, Nakuécia Morais, Tauane sofria ameaças há muito tempo, mas não queria denunciar Vinícius por medo de ser assassinada.

“Ela pensava em denunciar, mas ele a ameaçava. E ela ficava com medo.”

“Às vezes, ela saía para trabalhar com olho roxo. Ele rasgava a calça dela, foram três celulares destruídos. Ele a perseguia nas redes sociais, no telefone e até mesmo no serviço”, disse Nakuécia.

Crime que se repete

Segundo análise feita pela própria Secretaria de Segurança Pública, a cada 10 casos registrados entre janeiro e março, 8 aconteceram na própria casa da vítima. A arma de fogo aparece em 37% das ocorrências.

Nos casos analisados, a maior parte das vítimas e dos autores têm entre 30 e 50 anos. De 2017 para cá, a região do DF com maior número de feminicídios registrados é São Sebastião.

Os números crescem, também, em razão de uma mudança no método de registro das ocorrências na Polícia Civil. Até 2017, o caso era registrado como homicídio e “evoluía” para feminicídio ao longo da investigação. Agora, a corporação adota estratégia inversa: registra como feminicídio, e modifica a ocorrência se o inquérito indicar algo diferente.

Brena Silva e Mateus Rodrigues sob supervisão de Maria Helena Martinho

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