Domingo teve manifestação pelo fim da violência contra a mulher na Capital (Agora/RS – 02/09/2012)

Domingo teve manifestação pelo fim da violência contra a mulher na Capital

Marcha reuniu secretárias e secretários de Estado, integrantes do Conselhão e feministas na Redenção (Foto: Eduardo Seidl/Palácio Piratini)

A atividade foi proposta durante reunião extraordinária realizada pelo Conselhão na semana passada e recebeu a adesão de vários segmentos ligados ao tema. Segundo o secretário executivo do Conselhão, Marcelo Danéris, a marcha é uma reação à sequência de femicídios (crimes de homicídio contra a mulher) ocorridos neste ano, que já superam os índices de 2011. “Queremos chamar a sociedade para um movimento de conscientização a fim de darmos um basta na violência contra a mulher. Não existe essa história de que ‘em briga de marido e mulher não se mete a colher’. Se mete, sim. A família tem que se envolver e nós temos que denunciar a violência doméstica”, afirmou Danéris.

Centenas de pessoas participaram na manhã de domingo (2) de uma caminhada no Brique da Redenção, em Porto Alegre, com o objetivo de alertar a população para o aumento dos casos de violência contra as mulheres. Com o lema “Basta de Violência contra a Mulher”, o ato foi promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Estado (Cdes-RS), em parceria com a Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres (SPM) e diversas outras entidades e organizações sociais.

Carta 

Os manifestantes entregaram à primeira-dama, Sandra Genro, uma carta de recomendação com um conjunto de propostas que serão encaminhadas ao governador para potencializar o enfrentamento da violência. Entre elas, foram sugeridas a promoção de debates, o fortalecimento da rede de atendimento e a inclusão do tema na programação de rádio e TV da Fundação Cultural Piratini.

O documento também sugere ações ao Poder Judiciário Nacional, como a adesão ao Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra a Mulher, e às empresas de rádio e televisão, como a divulgação de práticas e ações exitosas. “Essa é uma questão cultural. À medida que a sociedade cresce culturamente, ela também vai ficando menos violenta. É assim que, aos poucos, mudamos a consciência de todos nós”, disse a primeira-dama, que representou o governador Tarso Genro no ato.

De janeiro a agosto deste ano, 50 mulheres foram assassinadas no Rio Grande do Sul, segundo dados das Delegacias de Atendimento à Mulher. O número já é superior ao registrado em todo o ano de 2011, quando ocorreram 46 casos. Diagnóstico realizado pela Secretaria de Segurança Pública nos primeiros cinco anos da Lei Maria da Penha (agosto de 2006 a agosto de 2011) apontou o assassinato de 327 mulheres.

Para a secretária adjunta de Políticas para Mulheres (SPM), Catherine Topper, os números são alarmantes. “As campanhas de conscientização, a qualificação da rede de atendimento e o diálogo com outros poderes são os principais caminhos para combater o problema”.

Rede de Auxílio

O Governo do Estado possui um serviço dedicado exclusivamente às mulheres que sofrem ameaças ou são vítimas de violência. Através do Escuta Lilás, pelo telefone 0800 5410803, essas mulheres são atendidas pela equipe do Centro de Referência da Mulher (CRM/RS), ligado à SPM. Por telefone ou presencialmente, assistentes sociais, psicólogos e advogados orientam sobre direitos e serviços disponíveis para o atendimento de suas demandas.

A rede é composta ainda por delegacias, casas-abrigo, Defensoria Pública, Ministério Público, juizados, postos de saúde, centros de perícia, centros de educação, reabilitação e responsabilização dos agressores, organismos de políticas para as mulheres, Núcleos de enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, movimento de mulheres e Centrais de Atendimento à Mulher, como o “Ligue 180”.

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