Em 15 dias, dobra o número de mulheres que procuram a Casa da Mulher Brasileira (PMCG – 24/04/2015)

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Em apenas 15 dias, dobrou o número de mulheres vítimas de violência doméstica que procuraram a Casa da Mulher Brasileira. O número saltandou de uma média diária de 24 para 45.

No período entre 4 e 19 de abril, foram 686 mulheres atendidas, enquanto que nos primeiros dois meses de funcionamento da casa, 1427 mulheres buscaram algum dos muitos atendimentos oferecidos no local.

Para a secretária Liz Derzi de Matos, titular da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (SEMMU,) responsável pela gestão da primeira Casa da Mulher a funcionar no Brasil, os números demonstram claramente a eficiência da estrutura. “É um lugar onde a mulher se sente acolhida, protegida e fortalecida, disposta a romper um ciclo de violência muitas vezes suportado por décadas”. E lembra que Campo Grande é a capital brasileira com a maior taxa de registros na Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180.

Para dar todo esse suporte à mulher fragilizada pela violência, o tratamento é diferenciado desde a recepção. De acordo com a secretária,”as mulheres são recebidas por servidoras preparadas para identificar e orientar de acordo com cada caso. Pode ser o atendimento com uma psicóloga, uma assistente social, pois essa vítima está tão sensibilizada emocionalmente que precisa desabafar, botar pra fora tanta violência causada por quem ela esperava proteção e amor”. E destaca o caso de uma mulher surda que foi atendida em Libras – a língua brasileira de sinais. “Essa mulher se sentiu respeitada, amparada em sua necessidade. E esse é o nosso trabalho” reforçou.

Depois da triagem inicial, a mulher pode se dirigir à Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), que funciona 24 horas. Dependendo do caso, ela é encaminhada à Promotoria de Justiça e à Defensoria Pública, que também funcionam dentro da Casa.

Para a secretária de Enfrentamento à Violência da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR), Aparecida Gonçalves, a Casa muda a estrutura do Estado brasileiro em relação ao atendimento à mulher, já que a vítima encontra todos os serviços no mesmo espaço.

“Antes da Casa, a mulher ia à delegacia e ficava quatro, cinco horas esperando. Até sair a medida protetiva, demorava 48 horas. Depois ela tinha que ir ao juizado, o que demorava mais um dia. Depois na Defensoria, então ela levava pelo menos cinco dias para poder cuidar disso. Na Casa, ela faz tudo num dia só”, ressalta a secretária.

A promotora Paula Volpe lembra que o Brasil ocupa a sétima posição no ranking dos 84 países mais violentos do mundo, e Mato Grosso do Sul é o quinto Estado mais violento no País. “O aumento no número de vítimas que nos procuram deixa evidente que as mulheres estão despertando para seus direitos e que existe uma grande estrutura que realmente funciona para atendê-la”.

Pioneirismo
Um mês depois da inauguração da Casa da Mulher, Campo Grande deu mais um passo inédito no País com a inauguração da 1* Vara de Medidas Protetivas do Brasil, que também funciona dentro da CMB. De 9 de março a 9 de abril, o número de medidas protetivas expedidas pelo juiz substituto Valter Tadeu Carvalho chegou a 472, o que representa uma média de 15 por dia.

Muitas mulheres chegam à Casa praticamente fugidas de seus agressores, carregando filhos e só com a roupa do corpo. Para esses casos há o alojamento de passagem, que abriga a vítima e seus filhos por até 48 horas. Nesse período, crianças de até 12 anos podem ficar na brinquedoteca, que também funciona 24 horas com acompanhamento de assistentes sociais. “As crianças também são vítimas da violência praticada contra a mãe. E a secretaria da Mulher capacitou servidores para acompanhar esses pequenos enquanto a mãe passa pelo atendimento. Na brinquedoteca a criança entra no mundo dela e readquire o direito de brincar”, ressalta Liz Matos. E os números revelam essa realidade: de 3/02 a 19/04, cerca de 41 mulheres e crianças foram alojadas e mais de 350 menores de 12 anos passaram pela brinquedoteca.

Por meio de parceria entre a SEMMU, Universidade Anhanguera-Uniderp e SESAU (Secretaria Municipal de Saúde), as mulheres que tiverem indicação são encaminhadas para acompanhamento psicológico e tratamento psiquiátrico gratuito.

Um dos principais fatores que sustentam a violência doméstica é a dependência econômica que a mulher tem de seu companheiro. E para romper definitivamente o ciclo de violência, dentro da Casa da Mulher Brasileira também funciona o serviço de orientação ao Emprego e Renda da Fundação Social do Trabalho (Funsat), por onde já passaram mais de 70 mulheres.

A secretária Liz Derzi de Matos enfatiza que a Casa da Mulher Brasileira é um desafio diário. “Somos referência para todo o País, pois fomos a primeira a ser inaugurada. Todas as outras Casas que o governo federal vai entregar terâo como base o trabalho desenvolvido aqui em Campo Grande. Por isso, a prefeitura e a SEMMU não medem esforços em capacitar os servidores para oferecer não apenas o melhor atendimento profissional. “O que buscamos é oferecer o atendimento mais humano, que realmente abrace essa mulher, que acolha seus filhos e, principalmente, ofereça a ela uma nova vida!” ressaltou.
Histórico
A Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande foi inaugurada no dia 3 de fevereiro de 2015. É um complexo que conta com todos os serviços especializados para atender a mulher vítima de violência, como delegacia, juizado, defensoria, promotoria, alojamento de passagem, equipes psicossocial e de orientação para emprego e renda, além de brinquedoteca e área de convivência.

A ação faz parte do Programa Mulher Viver sem Violência, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR).

Foram investidos R$ 18,2 milhões do governo federal. Cerca de R$ 7,84 milhões foram para construção da Casa e o restante para aparelhamento e custeio para um período de 2 anos, que serão repassados para a prefeitura de Campo Grande e geridos pela Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres.

Hoje a Casa já possui 126 profissionais contratados, e a expectativa é chegar em 160. A estimativa é de que o espaço chegue a atender entre 200 e 250 pessoas por dia.

De acordo com o governo federal,12 casas estarão prontas até o fim de 2015. A previsão é que todas as capitais, exceto Recife, que não aderiu ao programa, tenham uma Casa da Mulher Brasileira até 2016.

A Casa de Mulher Brasileira está situada na Rua Brasília, s/nº, Jardim Imá, próximo ao aeroporto internacional de Campo Grande.

Telefone: 3304-7559 e Disque 180

Fonte/Autor: Carmen Cesta

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