Em 48h, 22 mulheres vão à delegacia denunciar os maridos por violência no MS (Correio do Estado – 24/08/2015)

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterEmail this to someone

Num dos casos, na Capital, homem se matou depois de esfaquear companheira

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul registrou 22 casos de violência doméstica de sábado até a manhã de ontem. Um dos crimes considerados mais graves ocorreu em Campo Grande. Jucilene Paredes da Silva, 26 anos, foi esfaqueada pelo marido na noite do último sábado, em uma casa na Rua Universal, no Bairro Aero Rancho. O autor se enforcou depois do ocorrido.

De acordo com registro policial, a mulher contou à polícia que o marido havia chegado nervoso à casa em que conviviam e iniciado uma discussão. Em determinado momento, pegou uma faca e a golpeou inúmeras vezes. Após cometer a tentativa de homicídio, se enforcou em uma árvore localizada no quintal da residência. A mulher foi socorrida por equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levada à Santa Casa, onde permanece internada. Até ontem à tarde, a polícia ainda não tinha informação sobre o motivo da agressão praticado pelo homem. O casal teve um filho em comum. Ela é mãe de mais dois de outro casamento.

O caso foi registrado como tentativa de homicídio (violência doméstica) e suicídio. Além de Jucilene, outras 21 mulheres estiveram envolvidas em casos de violência doméstica no estado. As ocorrências foram registradas em menos de 48 horas. Dourados, Três Lagoas e Corumbá foram os municípios onde ocorreu o maior número de crimes. No primeiro e no segundo foram seis ocorrências e no terceiro foram quatro.

Em Amambai, Cassilândia, Selvíria, Rochedo, Nova Andradina, Rio Brilhante e Campo Grande também houve casos de violência contramulheres. Das ocorrências, 12 foram registrados como casos de lesão corporal, oito como vias de fato, uma como ameaça e um como tentativa de homicídio. Os crimes se enquadram na Lei Maria da Penha. A Lei número 11.340 é um dispositivo legal brasileiro que visa aumentar o rigor das punições sobre crimes domésticos, é normalmente aplicada aos homens que agridem fisicamente ou psicologicamente a uma mulher ou a esposa, o que é mais recorrente.

NA CAPITAL Desde fevereiro, Campo Grande conta com a Casa da Mulher Brasileira para dar suporte ao combate à violência contra a mulher. Em seis meses de funcionamento, a unidade já apresenta números expressivos. De acordo com relatório de fluxo de atendimento daSecretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR), foram registrados 1.757 boletins de ocorrência por violência doméstica no local, superior ao volume total constatado no ano anterior na Capital, de 1.467.

A quantidade ainda é maior que o dobro de casos em igual período de 2014, quando foram constatados 660 no semestre – crescimento de 166,2%. A Casa da Mulher Brasileira faz parte do programa “Mulher, Viver sem Violência”, do governo federal, cuja primeira unidade inaugurada foi a de Campo Grande, em fevereiro deste ano, seguida de Brasília(DF), aberta em junho. A previsão da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República é de implantar a ação em todas as 27 capitais brasileiras, que seguirão um protocolo de atendimento, preparado em parceria com a CBM da Capital.

Em Campo Grande, 1,8 mil fatos em 6 meses

Dados da Secretaria de Políticas para as Mulheres revelam que nos seis primeiros meses deste ano, em Campo Grande, foram registrados em torno de 1,8 mil boletins de ocorrência acusando a violência contra a mulher, média de ao menos dez anos por dia

Tainá Jara