Em 6 anos, 800 mulheres ameaçadas de morte foram atendidas em abrigo em Bauru (JCNET – 05/03/2016)

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Local recebe vítimas dos mais variados tipos de violência: psicológica, física e sexual; lançamento oficial do Mês da Mulher ocorreu em evento ontem

A Casa Abrigo, que tem como função proteger 24 horas mulheres ameaçadas de morte – algumas já agredidas -, atendeu 800 pessoas em Bauru desde sua inauguração em 2009. O número, infelizmente, faz parte de uma realidade ainda a ser lembrada quando se aproxima o 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

Os dados foram apresentados pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), que oficializou, ontem, no Café com Política, do JC, a abertura do Mês da Mulher, que contará com uma série de atividades informativas e também culturais até o dia 31 de março (leia mais abaixo).

Darlene Tendolo em abertura do Mês da Mulher, ontem, no JC  (Foto: Aceituno Jr)

Darlene Tendolo em abertura do Mês da Mulher, ontem, no JC (Foto: Aceituno Jr)

O combate à violência contra a mulher ainda é o principal mote da campanha. Isso porque os números já apresentam, de certa forma, os resultados de algumas das ações realizadas pelo poder público.

Atualmente, 771 vítimas de algum tipo de violência, seja psicológica, física, sexual ou contra o patrimônio, seguem acompanhadas pela rede de atenção da Sebes.

Além da casa abrigo (um imóvel com cinco suítes, que abriga mulheres e filhos e não tem sua localização divulgada), a pasta oferece atendimentos em seu Centro de Referência, centros de convivência, na Casa do Garoto e na sede da própria secretaria. Todos os pontos oferecem atividades e cursos de formação. “A violência contra a mulher pode ser combatida a medida em que trabalhamos o empoderamento e a autoestima dessas pessoas. A mulher tem que ser dona de sua própria vida, independente financeiramente e emocionalmente”, comenta Darlene.

“Precisamos de políticas públicas voltadas para a mulher jovem, que deve ser incentivada a continuar os estudos. O casamento tem que ser visto como uma opção e não como uma obrigação”, completa o vereador Markinho da Diversidade (PMDB), que acompanhou o evento ontem.

Desde 2009, 2,2 mil mulheres frequentaram os cursos de formação da Sebes.

Diminuição
Em 2012, 945 mulheres procuraram ajuda da Sebes. Tal número diminui ano a ano, sendo que, em 2015, foram 757 registros.

Em 2016, já foram atendidas 29 vítimas: 19 relataram violência psicológica, 3 agressão física, 1 violência sexual e 6 violência patrimonial.

O problema, contudo, é a subnotificação. “Não é todo mundo que tem coragem de pedir ajuda. Por isso, o Conselho (Municipal de Políticas para Mulheres, CMPM) tem lutado por uma rede de protocolo integrada. Ao ser atendida no PS, a vítima entraria para o sistema e teria seu caso acompanhado pela Sebes, Delegacia da Mulher e Conselho”, comenta Gisele Moretti, presidente do CMPM.

Gisele aponta que a Lei Maria da Penha, que irá completar dez anos em 2016 é um instrumento ainda ineficiente. “As penas são brandas demais e não há a prisão do agressor na maioria dos casos”, completa.

‘Aprendi a me defender dele’

Juliana (nome fictício) tem 44 anos, 20 deles vividos ao lado de seu agressor, que proferia ameaças constantes e com quem teve três filhos. Após o divórcio, há 2 anos, ela buscou a Sebes para pedir proteção e foi integrada no projeto “Mulheres que Brilham”, iniciando aulas gratuitas de defesa pessoal. “Uma semana antes do Natal, ele (ex-marido) invadiu minha casa e tentou me agredir, mas, dessa vez, eu me defendi com um golpe e ele fugiu. Não tenho mais medo e já consigo andar tranquila na rua”, conta.

Marcele Tonelli

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