Em carta, professores da UnB pedem medidas após assassinato de aluna (G1/ Distrito Federal – 21/03/2016)

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterEmail this to someone

Louise foi morta em laboratório da instituição por se negar a reatar namoro. Veterano assumiu crime e está na Papuda em cela sem chuveiro elétrico

Professores da Universidade de Brasília enviaram uma carta à reitoria cobrando medidas para evitar violência contra mulheres, motivados pela morte da estudante de biologia Louise Ribeiro. A jovem foi dopada e asfixiada pelo ex, Vinícius Neres, por se negar a reatar o relacionamento. O rapaz era veterano dela e foi expulso após o crime.

A carta, assinada por 120 docentes de vários institutos, pede que o tema violência de gênero seja inserido nas campanhas de boas-vindas de calouros; a realização de audiências públicas a respeito; a definição de estratégias para combater situações do tipo; e o levantamento e sistematização de dados de crimes ocorridos nos campi da UnB. O reitor já havia anunciado que reforçaria a iluminação e a segurança.

Trecho de carta enviada por professores da UnB após assassinato de aluna em laboratório (Foto: Reprodução)

Trecho de carta enviada por professores da UnB após assassinato de aluna em laboratório (Foto: Reprodução)

Na sexta, a Polícia Civil divulgou trechos de novo depoimento de Neres. O aluno de biologia disse à corporação que não premeditou o crime, ocorrido em 10 de março, mas que sentiu “uma raiva absurda” da vítima durante a conversa com ela. Ele também afirmou que pensava em Louise com “amor e amargura”.

Neres prestou o depoimento nesta quinta-feira (17) no Centro de Detenção Provisória (CDP) da Papuda, onde está preso desde o dia 13, ao delegado-chefe da Divisão de Repressão a Sequestros da Polícia Civil, Leandro Ritt. Ele ocupa uma cela de 5 metros quadrados e toma banho em chuveiro sem energia elétrica.

O rapaz usou clorofórmio para dopar e depois asfixiar a garota. O corpo dela foi achado em uma área de cerrado no Setor de Clubes Norte. Na manhã posterior, depois de entrar em contato com a família da garota e ajudar a colar cartazes de “procura-se”, Neres se entregou à polícia. Louise Ribeiro foi enterrada dois dias depois da morte.

No depoimento desta quinta, o suspeito disse que teve uma “sensação de controle” no momento do crime, “o que na hora foi bom”, mas que “lembrar disso dói”. Neres afirmou que não aceitava o fim do relacionamento, que durou oito meses, porque Louise foi a única pessoa em quem “confiou de verdade na vida e a quem mais se apegou”.

Trecho de documento divulgado pela Polícia Civil. (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

Trecho de documento divulgado pela Polícia Civil. (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

O estudante disse que tentou marcar um encontro com a ex-namorada, mas que ela sempre desmarcava. Para Neres, a recusa ficava “martelando, martelando”, e criava sentimentos de “abandono” e de “desprezo”, que aumentaram a vontade de suicídio.

Crime
A estudante Louise Ribeiro foi dopada com clorofórmio e, depois de inconsciente, teve 200 ml do produto químico injetados por Neres na boca. O produto é tóxico e causa morte. Neres prendeu os pés e as mãos da menina e enrolou o corpo dela em um colchão inflável. Ele levou o corpo da estudante no carro dela até uma área de cerrado no Setor de Clubes Norte e o deixou na mata.

O rapaz afirmou ter colocado a vítima sentada com as mãos amarradas. Segundo a polícia, Neres pressionou o pescoço da vítima para que pudesse abrir a garganta e ingerir o líquido.
Depois do crime, o estudante colocou o corpo de Louise no chão e saiu para dar uma volta no carro dela pelas proximidades do instituto. O delegado disse que o passeio durou 12 minutos. O suspeito disse que chegou a tirar a calcinha da vítima e um absorvente interno, mas que não chegou a violentá-la.

O corpo da estudante foi levado com as mãos atadas por uma presilha e os pés por um arame. o corpo foi enrolado em um colchão inflável dentro de um carrinho do laboratório.
Neres levou o corpo da vítima até o carro dela e o deixou, de bruços, em um terreno de cerrado da L4 Norte. O suspeito chegou a atear fogo nas costas da garota. O veículo foi abandonado no estacionamento do Instituto de Biologia. O agressor disse que voltou para casa de ônibus.

O jovem foi autuado por homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, uso de substância química e por não dar chance de defesa à vítima) e ocultação de cadáver. Se condenado, ele pode pegar de 12 a 30 anos de prisão pelo homicídio e de 1 a 3 pela ocultação do cadáver. O suspeito deveria ser encaminhado ao Complexo Penitenciário da Papuda ainda nesta sexta.

Raquel Morais
Do G1 DF

Acesse no site de origem: Em carta, professores da UnB pedem medidas após assassinato de aluna (G1/ Distrito Federal – 21/03/2016)