Em dez anos, homicídios de mulheres crescem 52,7% no MS (O Progresso – 29/03/2016)

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Maior parte do chamado ‘feminicídio’, está relacionado a violência doméstica praticada por parceiro ou ex-parceiro

Em dez anos, o número de mulheres assassinadas em Mato Grosso do Sul cresceu 52,7%. É o que revela o Atlas da Violência divulgado na semana passada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Maior parte do chamado, feminicídio, desta está relacionado a violência doméstica praticado por parceiro ou ex-parceiro.

Entre 2004 a 2014 foram assassinadas 762 mulheres, 84 só em 2014. O estudo revela também que entre 2013 a 2014 houve um crescimento de 12% de assassinatos.

O ano que mais foi registrado assassinatos de mulheres foi em 2014, nove mortes a mais em relação a 2013. 2004 aparece na lanterna com 55 assassinatos.

Média

Por outro lado, Mato Grosso do Sul está entre os 18 estados da Federação que apresentaram taxa de homicídio de mulheres acima da média nacional, que é de 4,6 a cada grupo de 100 mil mulheres. O Estado aparece com a taxa de 6,4, ocupando a 11ª posição, seguido por Rondônia (6,4), Mato Grosso (7), Espírito Santo (7,1), Alagoas (7,3), Goiás (8,8) e Roraima, com 9,5.

Este ano

De janeiro a março deste ano, pelo menos 117 mulheres perderam a vida, vítimas de assassinatos em Mato Grosso do Sul. Destas, 29 residiam em Campo Grande. Outras 177 mulheres foram vítimas de violência e tentativa de assassinato, sendo 45 em Campo Grande. Os números são da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

Para a deputada estadual Antonieta Amorim (PMDB) lamentou os números da violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul. “Estamos ainda no dia 22 de março, encerrando o mês da mulher, e temos esse número trágico; isso precisa acabar”, afirmou.

Antonieta também defendeu a criação de uma comissão permanente em defesa dos direitos da mulher no âmbito da Assembleia Legislativa. “Fizemos essa proposta e agora esperamos poder contar com o apoio dos nossos colegas, os demais deputados, para que possamos ter um amplo espaço de debates sobre esse assunto tão importante”, disse. A deputada citou casos recentes em que a mulher é autora do assassinato dos companheiros, muitas vezes motivada pela vitimização constante a que foi submetida. “Esses dias uma mulher matou o marido com a espingarda dele, atitude que não é da natureza da mulher e demonstra que estava em desespero”, disse.

A deputada também informou que o Governo do Estado e a ONU Mulheres começaram este ano estudos para que Mato Grosso do Sul tenha protocolo próprio para investigar, processar e julgar as mortes violentas de mulheres, denominadas de “feminicídio”. Depois de ter sido instituído, no último dia 19 de fevereiro, o Grupo de Trabalho Interinstitucional (GTI) tem se reunido para definir como adaptar a realidade estadual às diretrizes nacionais do feminicídio. Com representantes da Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Coordenadoria de Perícias, Ministério Público, Defensoria Pública e Poder Judiciário, o GTI vai sensibilizar os profissionais envolvidos em processos de investigação e julgamento de crimes contra mulheres.

Marli Lange

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