Em Minas, 15 menores sofrem violência sexual todos os dias (R7 – 08/09/2015)

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Segundo a Polícia Civil, boa parte dos agressores são pessoas próximas às vítimas

Pelo menos 15 crianças e adolescentes são abusados sexualmente todos os dias em Minas Gerais, de acordo com dados divulgados pela Seds (Secretaria de Estado de Defesa Social). Conforme o órgão, 3.239 menores, com idades de zero a 17 anos, foram vítimas de crimes contra a dignidade sexual no Estado nos primeiros sete meses deste ano. Os números englobam estupros, favorecimento de prostituição, assédio, entre outras infrações. Mesmo assim, as estatísticas apresentaram queda: em 2014, foram 3.527 denúncias no mesmo período, cerca de 9% a menos.

Já a Polícia Civil registrou 1.278 casos de estupro de vulneráveis entre janeiro e julho deste ano, num total de aproximadamente seis ocorrências diariamente, contra 1.532 no mesmo período do ano passado. No entanto, a delegada Isabela França Oliveira, da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente reflete que a redução nos dados não significa, necessariamente, que crimes deste tipo estejam ocorrendo com menor frequência.

— É complicado falar o que aconteceu, se essa queda é real ou se caíram o número de notificações, porque, na maioria dos casos, os abusos acontecem no ambiente intrafamiliar e, por isso, talvez não estejam chegando ao conhecimento da polícia.

 

Isabela explica que os perfis dos agressores costumam ser parecidos: alguém de grande confiança da família e da própria vítima, que manipula o menor. Isso faz com que a criança ou adolescente tenha medo do poder de influência do suspeito sobre sua vida e inibe as denúncias. A vergonha, a culpa e a possibilidade de que as pessoas não acreditem no ocorrido também contribuem para o silêncio. É no ambiente escolar que muitas vítimas encontram espaço para desabafar. Conforme a policial, boa parte das denúncias chegam através das instituições de ensino que, por terem contato intenso e diário com os menores, percebem as marcas emocionais deixadas pelos abusos.

— Como não têm coragem de contar em casa, no ambiente escolar a criança sente confiança e liberdade para relatar isso durante uma aula específica, muitas acabam denunciando após uma palestra sobre educação sexual, por exemplo. Orientamos os pais a conversarem com os filhos. A gente nota que a alteração de comportamento das vítimas é muito nítida, uma das principais caracteristicas da criança violentada. Às vezes, não há nenhum vestígio físico, mas o psicológico está totalmente afetado.

Diagnóstico

Para a presidente do Comitê de Ginecologia da Infância e Adolescência da Sogimig (Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais), Cláudia Mourão, os números divergem do cenário atual. Ela alerta que a violência sexual é a segunda agressão mais recorrente contra crianças de zero a 10 anos e deve ser considerada “um problema de saúde pública importantíssimo”.

— Não é confiável esta queda nos dados porque, em 64% dos casos, o agressor está dentro do âmbito de conhecimento da vítima, é um pai, padrasto ou tio, por exemplo. Isso causa uma subnotificação absurda. Às vezes, a própria mãe é ameaçada.

A especialista avalia que os médicos têm papel fundamental no combate aos crimes de abuso contra menores. Ela ressalta que o profissional tem “a obrigação” de notificar o sistema de segurança caso suspeite de um caso potencial de violência sexual entre seus pacientes. Por isso, a Sogimig tem feito uma campanha intensa de conscientização e orientação sobre a forma correta de atendimento destas vítimas.

— Se o médico percebeu que existe um grande risco, que a criança está muito vulnerável perante uma violência ainda mais grave, é compromisso do serviço médico acionar a escolta policial. O atendimento destas vítimas tem pormenores médicos que a pessoa tem que se familiarizar, mas nem todos estão. Por isso, nossa campanha não é para criar uma obrigatoriedade de que o profissional entenda toda a parte técnica, mas que ele compreenda a importância do acolhimento e orientação do paciente. Ele é importantísstimo para que a família se sinta acolhida.

Márcia Costanti, do R7

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