Em um ano, Delegacia da Mulher de Suzano/SP registrou mais de mil casos (G1 – 15/08/2016)

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Em Mogi das Cruzes, no primeiro semestre de 2016 foram mais de 500 casos. Essas são as únicas delegacias especializadas em mulheres na região.

Em um ano de funcionamento, a Delegacia da Mulher de Suzano já registrou mais de mil casos. Já em Mogi das Cruzes, apenas no primeiro semestre de 2016, foram mais de 500 registros. Essas são as únicas delegacias especializadas em mulheres no Alto Tietê. Em outras cidades, há as Salas Rosas, que oferecem alguns serviços.

A Lei Maria da Penha completou 10 anos neste mês. Uma mulher, que prefere não se identificar, disse que as agressões começaram primeiro com ofensas, mas logo depois tornaram-se físicas. “De apertar, pegar no pescoço e dizer que vai te matar ou o que você está fazendo. Mas eu acredito que o pior de tudo ainda são as palavras mesmo. Tem palavras que são piores que um tapa, pior que uma agressão física.”

Vítima de violência doméstica, a mulher dividiu a casa com o ex-companheiro por quase duas décadas. “Eu me sinto livre, libertada de tudo isso. Eu não podia expressar meus sentimentos de tristeza, de alegria. Isso é horrível. Hoje eu posso chorar se eu me sentir triste, eu posso sorrir se eu estiver feliz. Hoje eu posso ser eu”, comenta.

A Delegacia de Defesa da Mulher de Mogi registrou 594 ocorrências no primeiro semestre, já no ano passado foram 824. Em Suzano foram 1.264 casos em um ano.

“Elas acham que essas condições são normais. Isso começa na família e gritar, xingar e às vezes até bater seria normal. Algumas tem vergonha de demonstrar a sua fraqueza, demonstrar o que está vivendo e isso ainda precisa ser melhorado”, explica a delegada Silmara Marcelino.

Para Silmara, o principal motivo das agressões continua sendo o machismo. “Esse indicativo vem desde o início do mundo: o homem como chefe e a mulher sempre ao lado, obedecendo. Infelizmente isso ainda está enraizado na sociedade.”

O trabalho da Delegacia de Defesa da Mulher consiste na instauração de inquérito, apuração dos fatos e a solicitação da medida protetiva, se for o caso. “Podemos fazer também o apoio jurídico e psicológico até de saúde.”

Por não acreditar na lei, a mulher vítima de violência que morou com o companheiro por quase duas décadas demorou para procurar a Polícia. “Não pode ficar calada. Eu aconselho que tem que falar mesmo, denunciar e procurar ajuda.”

O medo muitas vezes impede a busca por ajuda. “O medo vem pelas mulheres serem dependentes deles. Vários fatores interferem, mas a dependências financeira, ou até emocional. Elas são apaixonadas, convivem com eles por muito tempo, têm filhos e acabam tendo esse temor de fazer um boletim de ocorrência”, avalia a psicóloga Rosângela Perella, voluntária na delegacia de Suzano.

Para a psicóloga, o ambiente policial também pode causar aversão. “Ela não precisa de um boletim de ocorrência, ela relata o ocorrido, é feita uma triagem e a mulher é encaminhada para um apoio psicológico emergencial. Após algumas sessões é feito um diagnóstico e, a partir dele, são dadas as orientações e ela pode até ser encaminhada para a Secretaria de Saúde.”

O medo das mulheres impede que a conversa com os psicólogos flua naturalmente. “O que a gente passa para elas é que tudo o que é dito é extremamente confidencial e sigiloso. Ninguém vai ter acesso a essas informações e, quando ela vai se sentindo mais à vontade, ela começa a contar os fatos e isso se reflete até em uma melhora para ela.”

Em Suzano o atendimento também é estendido para a família da vítima e até mesmo para o próprio agressor, para minimizar o conflito. “O primeiro passo é ela perceber que precisa de ajuda, ela tem que se sentir segura. O trabalho é lento, mas em pouco tempo, nós já percebemos o resultado.”

Serviços

Em Poá, existe uma Sala Rosa que fica na delegacia e foi inaugurada no ano passado. No local é feita a investigação de crimes e há auxílio para o registro dos boletins de ocorrência. O endereço é a Avenida Antônio Massa, 195, no Centro.

Itaquaquecetuba também conta com uma Sala Rosa no DP Central, que fica na Avenida Vereador João Fernandes da Silva, 220, na Vila Virgínia.

A Delegacia da Mulher de Mogi das Cruzes fica na Avenida Antônio Nascimento e Costa, 21, no Parque Monte Líbano.

A Delegacia de Suzano fica na Rua Presidente Nereu Ramos, 302, no Centro.

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