Engajamento de empresas ajuda a quebrar o silêncio sobre a violência doméstica

Adesão de empresas à Campanha possibilita disseminar a Lei Maria da Penha a quase um milhão de trabalhadores e trabalhadoras

infografico quadros empresas parceiras da campanhaA Campanha Compromisso e Atitude passa a contar com a capilaridade dessas grandes corporações a serviço da divulgação e promoção dos direitos das mulheres a uma vida sem violência. Somados, os quantitativos de funcionárias e funcionários das companhias que firmaram o termo de adesão para divulgar a Lei Maria da Penha e realizar ações de conscientização para enfrentar o problema totalizam mais de 800 mil trabalhadores.

Agregando a esse número os outros elementos da cadeia de cada uma das empresas (fornecedores e clientes) verifica-se a possibilidade de atingir centenas de milhões de brasileiras e brasileiros.

Por isso, a adesão formalizada no ato de assinatura do termo em 27 de março deste ano, foi saudada pela ministra Eleonora Meniccuci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, por abrir a possibilidade de fazer “chegar ao mundo do trabalho a tolerância zero com a violência às mulheres”.

Ações coordenadas de divulgação da Lei Maria da Penha, da rede de atendimento e dos canais de acesso ao Sistema de Justiça dentro dessas parcerias podem incrementar sobremaneira o conhecimento das mulheres sobre seu direito a uma vida sem violência.

“As empresas são vistas pela Campanha tanto como difusoras voltadas ao grande público que atingem, quanto como formadoras de opinião dentro do ambiente de trabalho. Por meio dessas duas vias, as companhias são importantes protagonistas para a mudança de comportamento frente a violência contra as mulheres e na promoção da cultura do respeito e da igualdade entre homens e mulheres”, considera a Secretária de Enfrentamento à Violência  da SPM-PR, Aparecida Gonçalves.

As 11 parceiras agora elaboram seus planos de ações para concretizar o pacto formalizado. Algumas dessas empresas já começam a implementar iniciativas para fortalecer o enfrentamento da violência contra as mulheres (ver box).

Durante o evento de adesão os representantes das companhias destacaram a importância da iniciativa, confira:

Itaipu binacional

A dirigente da geradora de energia elétrica Maria Helena Guarezi informou que, desde 2003, a empresa mantém um programa de incentivo à equidade de gênero, que tem como uma das ações prioritárias o enfrentamento à violência, até por estar na Tríplice Fronteira, onde o tráfico de pessoas é uma realidade que coloca desafios adicionais para o Estado.

Em sua fala no evento de adesão à Campanha, a coordenadora do Programa de Incentivo à Igualdade de Gênero da Itaipu Binacional destacou as potencialidades da aliança entre os poderes públicos e o setor empresarial para enfrentar a violência doméstica. “É algo que podemos divulgar dentro de nossas empresas e, dependendo do tamanho delas, isso pode ter um impacto enorme no país”, disse. Guarezi ressaltou ainda que “é muito importante articular as mais variadas ações com empresas e entidades porque essa é uma luta que extrapola as nossas entidades”.

Avon

O diretor-executivo do Instituto Avon, Lírio Cripriani, afirmou que o engajamento da empresa na causa do enfrentamento à violência contra a mulher “gerou um retorno muito positivo para nós “. Ele conta que, quando decidiu apostar no combate aberto às violações dos direitos das mulheres, a empresa avaliou os possíveis impactos que essa opção traria.

“A violência doméstica ainda é protegida pela família, camuflada. E avaliamos isso antes de iniciar nossa campanha, porque a empresa é comercial, busca o lucro. Então, foi discutido na Avon até que ponto o tema da violência doméstica nos impactaria, porque, se temos uma em cada quatro mulheres sofrendo algum tipo de violência e temos 1,5 milhão de revendedoras, íamos mexer com cerca de 500 mil famílias, tocando num assunto delicado. Poderíamos ter reações, como o marido querer proibir a mulher de vender Avon. Mas tivemos essa coragem e o resultado foi muito melhor do que esperávamos. Em termos de imagem, reputação, e também para nossas próprias revendedoras, que arrecadam o dinheiro que destinamos à campanha. Elas sabem que são agentes de informação e de arrecadação para uma causa que está beneficiando mulheres que sofrem. Então isso envolveu as mulheres de uma forma muito bacana”, relata.

Petrobras

Evento de adesão das empresas à Campanha Compromisso e Atitude (Foto: Abdias Pinheirol)

Evento de adesão das empresas à Campanha Compromisso e Atitude (Foto: Abdias Pinheirol)

A Petrobras Distribuidora informou que já está fomentando o debate entre os trabalhadores das obras em vários empreendimentos através de apresentações sobre o tema do Combate à Violência contra a Mulher. “Ainda este ano, pretendemos realizar uma nova ação com clientes cadastrados no programa de fidelidade Petrobras Premmia, que já conta com mais de cinco milhões de pessoas. Nosso objetivo é conscientizá-los para a relevância do tema e torná-los também agentes de proteção dos direitos das mulheres”.

A BR informa que, em 2013, foram capacitados 13.693 colaboradores e distribuídos materiais em 1.457 postos, em 295 municípios. A empresa também vai continuar participando da campanha internacional 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher, distribuindo materiais em postos, áreas operacionais e aeroportos. E também com a Caravana Siga Bem, ação voltada aos caminhoneiros de todo o Brasil e ao treinamento dos motoristas da empresa e equipes dos postos, além de prometer ampliar a divulgação no Facebook e no site da empresa.

A gerente de Orientação e Políticas de Responsabilidade Social da Petrobras, Janice Dias, destacou a importância de iniciativas neste sentido. “Patrocinamos crianças em situação de violência, adolescentes envolvidos em atos infracionais, estamos em presídios trabalhando com homens e mulheres. E temos uma longa trajetória de trabalhar com a diversidade. A Petrobras acredita que essa realidade também faz parte do Brasil. E trabalhar com essa verdade é também uma forma de contribuir para que a nossa sociedade se transforme”. Ela acrescentou ainda que a empresa tem “desenvolvido uma campanha de comunicação para a questão de gênero junto com a área de propaganda da Petrobras. E a primeira campanha está relacionada à questão da violência, com cartazes, mídias internas e uma série de produtos que serão lançados de agora em diante”.

Fundação Vale

Andreia Rabetim (gerente geral de Relações Intersetoriais da Fundação Vale) afirmou ao Informativo Compromisso e Atitude que a empresa vai “discutir a inserção das ações da Campanha no plano de ações que a Fundação já trabalha diretamente com a comunidade. A gente tem feito cooperações técnicas com Ministérios e Secretarias, com metas e ações”.

Banco do Brasil

Marco Sardi, gerente executivo do Banco do Brasil, informou que o banco, “dentro da sua política de responsabilidade socioambiental, tem como premissa incentivar e participar de todas as ações que, de alguma forma, possam tornar o país mais cidadão e igualitário. É nesse sentido que o Banco assina esse termo e se compromete na prática, em todas as localidades, em todas as agências e com todos os seus funcionários, o que também de alguma forma interfere na vida das comunidades”.

Magazine Luiza

A representante do Magazine Luiza, Ivone Santana, relatou que a empresa constatou a gravidade do problema no seu quadro de pessoal ao realizar pesquisas dentro do programa de inclusão de pessoas com deficiência. “Quando aprofundamos os estudos sobre esse assunto, nos deparamos com o fato de que várias funcionárias estavam deficientes como resultado da violência doméstica, por causa da violência dos maridos. Uma funcionária nossa em Heliópolis (SP) ficou cega porque o marido colocou um cigarro no olho dela”, contou a gerente de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da rede varejista.

EBC

O presidente da Empresa Brasil de Comunicação – EBC, Nelson Breve, iniciou sua fala frisando que “às vezes a gente só se dá conta desse tipo de problema quando ele acontece nas nossas famílias. Às vezes achamos que é uma coisa muito distante da nossa realidade, mas aconteceu conosco, com a coordenadora da nossa rádio em Tabatinga, a Lana Micol”. Lana era coordenadora de programação da Rádio Nacional do Alto Solimões, na cidade de Tabatinga (AM), e foi assassinada com três disparos de arma de fogo feitos por dois motoqueiros, em maio de 2013. O ex-marido é o principal acusado e aguarda julgamento. “A gente já tinha uma ligação com o tema [em função da participação da biofarmacêutica Maria da Penha Fernandes no Conselho Consultivo da emissora], que agora será reforçada com a adesão à Campanha”.

Pão de Açúcar

Para Paulo Pompilio, diretor de Comunicação e Relações Institucionais do Grupo Pão de Açúcar, “o poder que o setor do varejo tem de comunicar sobre a realidade da violência é muito grande. E faz parte da nossa responsabilidade informar e proporcionar acesso às leis, como a Lei Maria da Penha”. Para ele, a temática está diretamente ligada às politicas de sustentabilidade e equidade de gênero já desenvolvidas pelo Grupo, que, de acordo com Pompilio, “colocará todos os seus negócios a favor da divulgação da Lei”.

Correios

Célia Corrêa, vice-presidente de Administração dos Correios, afirmou que a empresa desenvolverá ações para colocar sua rede de funcionários presentes na maioria das cidades brasileiras trabalhando em prol do direito das mulheres. “Temos 9 mil agências e 75 mil carteiros que estão todos os dias em todos os domicílios do País”, frisou.

Caixa

Paulo Roberto dos Santos, vice-presidente de Operações Corporativas da Caixa, ressaltou que o banco já tem uma história de parcerias para a igualdade de gênero e raça, com Ministérios e várias entidades. “Vamos trabalhar com os públicos interno e externo e também com nossos fornecedores. Vamos levar também a Campanha à nossa cadeia de valor, que eu costumo dizer que vai desde a padaria da esquina, que atende clientes, até os grandes players globais”, apontou.

Ações

Confira algumas iniciativas informadas pelas empresas parceiras da Campanha Compromisso e Atitude:

  • A Petrobras já iniciou campanha publicitária composta por cartazes, anúncios em veículos de comunicação e mídias internas voltadas a empregados e contratados. Além disso, divulga o Ligue 180 – a Central de Atendimento à Mulher – na ‘Caravana Siga Bem, Caminhoneiro’.
  • O Instituto Avon já desenvolve diversas iniciativas de combate à violência doméstica e agora, com a adesão da Avon à Campanha, ambas pretendem intensificar suas ações junto a funcionárias e funcionários, revendedoras e clientes.
  • A EBC está investindo na construção de um centro de atendimento à mulher vítima de violência em Tabatinga, que receberá o nome da radialista Lana Micol (ex-funcionária da empresa, vítima de assassinato em que o principal suspeito é o ex-marido).
  • A Itaipu Binacional, que em 2004 já foi pioneira no apoio à construção de serviços especializados de atendimento a mulheres em situação de violência em Foz do Iguaçu (Paraná), pretende incluir as ações da Campanha Compromisso e Atitude nas iniciativas já desenvolvidas pela empresa em prol da equidade de gênero.
  • Banco do Brasil e Caixa já se comprometeram a divulgar os materiais produzidos pela Campanha para suas redes de atendimento e funcionários. A Caixa também cedeu recentemente espaço nas agências-barco para o atendimento às mulheres vítimas de violência e tem feito ações como a divulgação do Ligue 180 nos volantes de apostas.
  • A Fundação Vale já realiza palestras e outras iniciativas – como apresentações teatrais – para seus funcionários, trabalhadores das empresas contratadas e nas vilas do entorno de atuação da empresa e propõe ampliar a divulgação do Ligue 180 e da Lei Maria da Penha como parte do programa de responsabilidade social da mineradora.
  • O Magazine Luiza fará uma avaliação das pesquisas sociais realizadas nos últimos cinco anos para verificar a realidade do tema no corpo de funcionários e funcionárias e discutir ações específicas. A empresa também colocou à disposição da Campanha a Rádio e a TV Luiza (emissoras internas às lojas e centros de distribuição que também alcançam os clientes), além do site da empresa.
  • O Grupo Pão de Açúcar (que envolve a rede de supermercados de mesmo nome, mas também as lojas Extra, Assaí, Casas Bahia, Ponto Frio e Barateiro) também se comprometeu a realizar divulgações em seus meios de comunicação internos. O mesmo compromisso assumido pelos Correios.

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