Entidades do Paraná cobram políticas para feminicídio (Folha Web – 29/08/2015)

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Um grupo de 30 mulheres, de diversas organizações, promoveu ontem um protesto em frente aos portões da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, em Curitiba. Munidas de faixas, caixa de som e tambores, elas cobraram dos parlamentares e da gestão do governador Beto Richa (PSDB) a implementação de políticas públicas para prevenir e combater a violência de gênero. O Ministério Público (MP) do Estado registrou, entre 22 de junho e 24 de agosto de 2015, um total de 17 denúncias de feminicídio. Segundo a promotora de Justiça Mariana Seifert Bazzo, o dado engloba tanto casos tentados como os efetivamente consumados. “Ainda assim, é bastante assustador, porque há vários outros que ainda estão sendo investigados. Ou seja, o número com certeza é maior”, disse.

A realização do ato coincidiu com o lançamento da “Frente Paramentar em Defesa da Vida e da Família”, no Plenarinho da Casa. De acordo com a professora e bancária Eliana Maria dos Santos, membro do Coletivo de Mulheres da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e uma das organizadoras, a ideia foi justamente fazer um contraponto à “articulação dos fundamentalistas”, que já mexeu com o Plano Estadual de Educação (PEE), retirando as menções à igualdade de gênero do documento. “Eles dizem que estão defendendo a vida e a família. Mas a vida de quem? A família de quem? Cada vez mais mulheres e crianças vêm sendo assassinadas nesse Estado e a gente percebe um descaso muito grande do governo e dos deputados”, afirmou. Além da CUT, participaram da manifestação estudantes, representantes de sindicatos, do Levante Popular da Juventude, da Marcha Mundial das Mulheres e da Rede de Mulheres Negras.

Um cartaz colado nas grades da AL pelas participantes também relembrava feminicídios anteriores à promulgação da lei 13.104, de março de 2015, que tornou crime hediondo o assassinato motivado por gênero. As mortes da adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos, cujo corpo foi encontrado em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), em julho de 2013, e da garota Rachel Genofre, de 9 anos, esquartejada e colocada em uma mala na rodoferroviária da capital, em novembro de 2008, seguem sem solução.

Mariana Franco Ramos

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