Estado do Rio de Janeiro registra em média 13 casos de estupro por dia (Profissão Repórter – 15/06/2016)

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Dos casos registrados no RJ, 64% das vítimas têm menos de 17 anos. Estudo mostra que grande parte da violência é cometida por conhecidos

A notícia de um estupro coletivo no Rio de janeiro correu o mundo e uniu mulheres em protesto. O crime gerou manifestações em várias regiões do país. Em São Paulo, milhares de mulheres foram à avenida Paulista lutar contra a cultura do estupro.

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Cultura do estupro é uma expressão que representa comportamentos que ponham a mulher em risco e minimizem a gravidade de uma violência sexual, como a objetificação do corpo feminino e a culpabilização da vítima.

Rio de Janeiro

A notícia do estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos no dia 21 de maio, no Rio de janeiro, correu o mundo. A menina denunciou a violência depois que um vídeo foi divulgado na internet. Nas imagens, ela aparece nua e desacordada enquanto é abusada em uma casa da comunidade do Morro da Barão.

No primeiro depoimento, Raí de Souza, acusado de gravar e compartilhar o vídeo chegou à delegacia sorrindo e brincando. Ao lado dele, estava o jogador de futebol do Boa Vista, Lucas Perdomo. O advogado do jogador pediu a liberdade dele alegando que Lucas apenas viu a adolescente horas antes do crime. Lucas ficou cinco dias preso e recebeu parecer favorável da delegada para deixar a cadeia durante as investigações. A polícia diz que só no fim do inquérito poderá descartar o envolvimento do jovem. A polícia ainda procura quatro suspeitos que tiveram a prisão decretada. Dois estão presos.

Um estudo sobre a violência contra a mulher mostra que, em 2015, foram registrados 36 casos de estupro na região onde a adolescente foi vítima. O estado do Rio de Janeiro registra 13 casos de estupro por dia e 64% das vítimas têm menos de 17 anos. “Grande parte dessa violência não é cometida por estranhos, não é cometida por facínoras, mas por pessoas próximas, por conhecidos, parentes. A gente está falando de uma coisa que continua, uma coisa quase que permanente e de vítimas silenciosas, em grande parte, porque muitas não podem nem falar”, diz Cláudia Moraes, organizadora do estudo.

São Paulo

Na capital, uma jovem inglesa de 27 anos denunciou um taxista por estupro há dez dias. Fábio Honorato da Silva foi preso em flagrante. A jovem contou à polícia que foi violentada no banco de trás do carro e roubada. O taxista nega o estupro e diz que a relação foi consensual.

Em 2011, 53% das vítimas de abuso atendidas pelo hospital Pérola Byington tinham menos de 12 anos. O local é um centro de referência da saúde da mulher e as vítimas recebem atendimento médico, psicológico e de assistentes sociais.

De janeiro a maio desde ano, 59 denúncias de assédio no metrô de São Paulo foram levadas à polícia. A estação Sé é a mais movimentada e a que teve mais registros de assédio. Só lá foram onze casos denunciados.

Piauí

Em Bom Jesus, uma cidade de 23 mil habitantes, uma adolescente de 17 anos também foi vítima de um estupro coletivo. A menina foi encontrada por dois rapazes que moram perto do local do crime. Ela estava desmaiada, nua e com a calça amarrada na boca.

No dia seguinte, a polícia de Bom Jesus prendeu cinco suspeitos de terem cometido o crime. Um rapaz de 18 anos e quatro menores de idade. O jovem maior nega que tenha cometido o crime. Ele afirma que a relação foi consensual e que a adolescente estava embriagada. A polícia diz que o rapaz permanecerá preso até o julgamento. Os adolescentes vão responder o processo em liberdade.

A adolescente, que estuda no mesmo colégio que os suspeitos, conta que saiu com os colegas no dia do crime e que eles estavam bebendo. Ela afirma que tinha uma relação com um deles e que desmaiou quando outro tentou forçar uma aproximação. Ao acordar, a menina já estava no hospital.

Nem todo estupro é registrado, por medo ou vergonha. Mesmo com a subnotificação, a polícia do Piauí registrou 539 casos em 2015 e 481 em 2014.

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