Estupro de menina de 12 anos em escola de SP acende sinal de alerta (Jornal Nacional – 20/05/2015)

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Hospital Pérola Byington atendeu 2,4 mil vítimas de violência em 2014. Quase metade delas eram crianças com no máximo 11 anos de idade.

O repórter José Roberto Burnier foi investigar um caso de violência contra uma menina. E o que ele ouviu de especialistas serve de alerta pra todos nós.

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“Ela sofreu, sofreu durante 50 minutos na mão desses criminosos. É uma agressão assim, muito grande, muito grande”. O relato é da mãe de uma menina de apenas 12 anos de idade. Ela conta que a filha foi estuprada dentro da escola por três alunos.

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Segundo a mãe, um dos agressores agarrou a filha dela pelo pescoço e a levou para o banheiro masculino, onde outros dois adolescentes já esperavam. A menina contou que foi violentada por todos eles. A mãe contou também que a garota desmaiou depois de ser estuprada e só conseguiu contar o que tinha acontecido a caminho do hospital. “A socorrista do SAMU que ela se abriu e ela comentou que ela tinha sofrido essa violência”, conta a mãe.

Por precaução, a menina tomou um coquetel antiaids. Aos 12 anos, está traumatizada. A polícia já ouviu um dos suspeitos, que negou tudo.

Quem pensa que esse tipo de crime é raro está enganado. Só no Hospital Pérola Byington, de São Paulo, que é referência no tratamento de mulheres e crianças vítimas da violência sexual, foram atendidos no ano passado mais de 2,4 mil casos. Isso dá uma média de quase sete por dia, e o que é ainda mais estarrecedor é saber que, desses casos todos, em quase a metade as vítimas eram crianças com no máximo 11 anos de idade.

As vítimas fazem exame de corpo de delito no próprio hospital e são atendidas por psicólogos e médicos. A pediatra Gabriela Zembruski Nunes diz que muitas crianças violentadas sequer completaram quatro anos de idade e que todas elas chegam traumatizadas. “Chegam com sentimento de culpa, chegam com sentimento de medo que o agressor possa fazer alguma coisa contra elas e a família. Então, a criança chega com muito medo de ter revelado o abuso”, conta a especialista.

A psicóloga Lúcia Williams diz que os abusos ocorrem quase sempre dentro de casa e que as crianças dão sinal de que algo errado aconteceu. “Quando a agressão é grave, a criança muda de conduta. Ela fica temerosa, ela chora, fica arredia, fica com medo, muitas vezes ela não fala. Mas, se ela se abrir com a família, a primeira reação que a família deve ter é uma sensação de alívio, ‘que bom que você contou, que bom que você não está mantendo isso como segredo, porque agora nós vamos buscar ajuda’”, diz a psicóloga e professora da Universidade Federal de São Carlos.

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