Exibição de filme sobre assédio pauta debate a respeito de questões de gênero na PRR3 (MPF – 24/10/2016)

Evento faz parte de conjunto de ações que tratam do empoderamento feminino

A exibição do documentário “Precisamos Falar do Assédio”, no auditório da Procuradoria Regional da República da 3ª Região, foi acompanhada de um debate entre a diretora do filme Paula Sachetta, a servidora Priscilla Cruz Leal, especialista em gestão cultural pelo Centro universitário Senac, o servidor Luis Jivago de Assis Quirino, que estuda a igualdade de gênero na política, a psicóloga Maria Aparecida Pinto, que representou na discussão o Sindicato dos Comerciário de SP, servidores e convidados. Também estavam presentes no evento o presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patah, e a procuradora-chefe da PRR3, Maria Cristiana Simões Amorim Ziouva. O tema do debate: violência de gênero e representatividade feminina.

Exibição de filme sobre assédio pauta debate a respeito de questões de gênero na PRR3

Exibição de filme sobre assédio pauta debate a respeito de questões de gênero na PRR3 (Foto: Ascom/PRR3)

Depois de 180 minutos de depoimentos de mulheres de etnias, idades e classes sociais diferentes, o público pôde discutir com os debatedores sobre o assunto. Paulla Sacchetta contou sobre os bastidores da filmagem e revelou como o processo foi “doloroso e muito bonito”.”Depois da campanha #meuprimeiroassedio e #meuamigosecreto, sentimos a necessidade de ocupar os espaços urbanos, ocupar a rua para falar sobre isso. Gravamos tudo em uma van que ficava nos centros de grandes cidades. Foi assim que eu aprendi o sentido mais profundo da palavra ‘reconhecimento'”, disse.

A servidora Priscilla Cruz Leal chamou atenção sobre como o papel da mulher na produção cultural reforça comportamentos machistas. “Na produção audiovisual, no cinema, na novela, não temos uma representatividade feminina. Os filmes da Disney são exemplos de conteúdos que influenciam o público infantil. De 30 filmes, 22 tem mais diálogos masculinos do que femininos, mesmo quando as mulheres são as protagonistas. Devemos questionar o que estamos consumindo”, afirmou.

A psicóloga Maria Aparecida Pinto, que representava o Sindicato dos Comerciários de SP, fez um a análise sobre as consequências psicológicas da violência sofrida pela mulheres e atentou para a questão da mulher negra nesse cenário. “O assédio contra os negros e negras começa no Brasil em 1500 e de lá para cá, nada melhorou”, disse. O servidor Luis Jivago ressaltou o incômodo que sentiu após os depoimentos. “Mas afinal, a sensação de incômodo é ‘boa’ porque traz à luz o intenso assédio, que muitas vezes é negligenciado, fica na penumbra.”

O evento é parte de um conjunto de ações internas e externas da PRR3 que promovem o empoderamento feminino e a igualdade de gênero, como por exemplo, o júri simulado da Lei Maria da Penha, que ocorreu durante a participação da Procuradoria na Virada Sustentável.

Após o debate, foi anunciada a ação interna que ocorrerá nesta e na próxima semana para colher depoimentos de servidoras e funcionárias que queiram relatar algum assédio, nos mesmos moldes do filme. Os vídeos coletados na PRR3 serão enviados ao site precisamosfalardoassedio.com, na sessão “Fale!”, que recebe vídeos de qualquer mulher que queira contar sua história.

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