Exposição de vídeos íntimos na internet chega a 15 casos por mês em Franca/SP (GDN Net – 29/08/2015)

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A DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Franca tem registrado por mês de dez a 15 casos que envolvem mulheres que tiveram fotos e vídeos íntimos publicados na internet. Embora não haja uma estatística apontando precisamente um aumento, a delegada Graciela Ambrosio afirma ter observado o crescimento de casos do tipo nos últimos anos.

“É algo (o aumento) que percebemos de uns dois anos para cá”, disse a delegada ontem. “As meninas mandam fotos nuas, das partes íntimas e, depois, quando o namorado briga, ele joga o material na internet ou ainda usa para fazer chantagens”, explicou. Mas o abuso não é algo exclusivo do universo juvenil. Graciela aponta que também procuram pela DDM pessoas mais velhas, vítimas da mesma situação. “São mulheres casadas, experientes, que passam a ser ameaçadas pelos ex-maridos após o fim do relacionamento”.

Quando convocados a prestar depoimento, os detentores das imagens costumam acatar o pedido de retirar as imagens da rede. “Eles dizem que não sabem por que fizeram isso e apagam as imagens mas, muitas vezes, é tarde demais. Quando vai para o WhatsApp, por exemplo, não há mais controle sobre o material”.

Por esse motivo, a recomendação é para que esses tipos de fotos e vídeos não sejam produzidos a fim de evitar a exposição pessoal. A divulgação indevida de tais materiais pode ser enquadrada como difamação, crime que prevê pena de reclusão de três meses a um ano. Quando a situação ocorre com menores, a punição é prevista pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e a pena mínima sobe para dois anos. De acordo com o Conselho Tutelar, esses casos, quando reportados, são encaminhados ao Creas (Centro de Referência Especializada de Assistência Social) após acolhimento dos pais. “Não temos contato direto com as adolescentes porque não somos psicólogos e não há necessidade de constrangê-las a nos contar sobre o fato”, disse o conselheiro tutelar Ilton Ferreira. “Nosso trabalho é ouvir os responsáveis e orientá-los a procurar a DDM para registrar um Boletim de Ocorrências. Em seguida, fazemos o encaminhamento da menor ao Creas, onde a jovem terá apoio psicológico”.

Apoio psicológico

A própria DDM realiza um atendimento prévio das mulheres que tiveram suas vidas íntimas expostas na internet. De acordo com a psicóloga da Delegacia, Fabiana Zagolin, as vítimas chegam a chorar ao esboçar grande sentimento de vergonha e culpa. “Muitas vezes, (vítimas) se recusam a voltar à escola. Os pais, embora tenham algum sentimento de revolta, devem apoiar e dialogar com a adolescente porque vemos casos extremos em que a jovem se mata porque entra em depressão”, finaliza Zagolim.

Tarissa Esteves

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