Famílias falam da dor do feminicídio nos lares do Espírito Santo (G1 – 18/11/2015)

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Estado é o 2° com mais homicídios de mulheres no Brasil. G1 relembra casos que denunciam a brutalidade dos agressores.

“Falo para as mulheres: não esperem. Seja o que for, denunciem”. O alerta é de Selma Costa. Ela é mãe de Bárbara Richardelle, morta aos 18 anos pelo ex-namorado. A história desta família reflete a realidade de tantas outras que formam uma estatística alarmante para o Espírito Santo. O ‘Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres’ coloca o estado na segunda posição no país. E Vitória, como a capital com a maior taxa de feminicídios.

Familiares e amigos da jovem pediram por justiça Espírito Santo (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Familiares e amigos da jovem pediram por justiça Espírito Santo (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Em busca de soluções para o enfrentamento da violência contra a mulher no Espírito Santo, o G1 entrou em contato com mães de vítimas de feminicídio, vítimas de violência, procurou o Fórum de Mulheres, a Delegacia da Mulher e a Secretaria de Segurança Pública do estado. Também foram listados casos recentes de feminicídios que denunciam a brutalidade dos agressores.

O estudo “Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres”, divulgado neste mês, mostra que o Espírito Santo teve a segunda pior taxa de homicídios de mulheres no Brasil. Vitória ficou com a maior taxa entre as capitais e Sooretama, a terceira entre todos os municípios do país. A pesquisa também aponta que 50,3% dos homicídios femininos são cometidos por familiares.

O estudo mencionado é de autoria do sociólogo argentino Julio Jacobo Waiselfisz, radicado no Brasil, e analisa dados oficiais nacionais, estaduais e municipais sobre óbitos femininos no Brasil entre 1980 e 2013, passando ainda por registros de atendimentos médicos. Os dados informados anteriormente dizem respeito ao ano de 2013, o mais recente apresentado na pesquisa. A taxa do estado é de 9,3 homicídios a cada 100 mil mulheres. A Sesp menciona projeção de queda para 6,5 em 2015.

Mãe de uma vítima de feminicídio, Selma Costa orienta as vítimas de violência a fazerem denuncias o quanto antes e para não duvidarem das ameaças dos agressores.

“Elas têm que se abrir com a família e denunciar imediatamente. Eu não sei nem se ela [filha] acreditava no fato de que ele poderia matá-la. A gente tem mania de julgar os outros por aquilo que a gente é. Eu sei que eu e minha família não seriamos capazes, mas não podemos dizer pelos outros. Eu falo para outras mulheres, se elas receberem algum tipo de ameaça, acreditem que eles são capazes, por mais que não pareça. Não espera. Seja o que for, denuncie o quanto antes. Não espera, que quando a gente não espera é que acontece”, disse.

Filha de Selma, a jovem Bárbara Richardelle foi assassinada quando tinha 18 anos, em março de 2014 pelo ex-namorado, Christian Cunha, de 19 anos, em Vila Velha. De acordo com a polícia, Bárbara foi encontrada morta com sinais de estrangulamento, com o olho roxo e uma lesão na cabeça. O ex-namorado confessou o crime e contou que comeu churrasquinho ao lado do corpo da vítima.

“Eu acredito que não poderia ter sido evitado. Foi uma coisa muito rápida. Eu não sabia nem que ela estava sendo ameaçada. Ele é ruim mesmo. No caso da minha filha, acho que eu não tive como evitar. Eu acho que a família ensina o melhor para os seus filhos, mas isso é coisa de  ‘animal’. Onde já se viu um garoto de 19 anos ter uma atitude dessa? Foi falta de amor mesmo”, opinou a mãe, emocionada.

Selma contou que Christian foi solto por não oferecer risco à sociedade, mas a família recorreu à decisão e ele foi preso novamente. No momento, ele aguarda julgamento.

Mãe da jovem Bárbara assassinada em Vila Velha se desespera na delegacia. (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)

Arquivo – Mãe da jovem Bárbara assassinada em Vila Velha se desespera na delegacia (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)

Outra mãe de uma possível vítima de feminicídio, Ana Kátia Rodrigues Félix, disse que foi violentada por um namorado quando era mais jovem e dá a mesma orientação passada por Selma, mãe de Bárbara Richardelle, para as mulheres que são vítimas de agressões e ameaças.

“A pessoa tem que denunciar. Qualquer pessoa que sofre violência tem que procurar ajuda, porque isso vai caminhando para uma coisa pior. A pessoa tem que denunciar, conversar com amigos, fazer o boletim de ocorrência, falar com os pais. Eu tiraria ele de perto dela na hora. Eu tive um namorado que me agrediu durante o namoro. A minha mãe me tirou dessa cidade durante três meses, com um filho que tive dele”, disse Kátia.

Ana Clara Cabral desapareceu após sair com namorado, diz família (Foto: Reprodução/ Instagram)

Ana Clara Cabral desapareceu após sair com namorado (Foto: Reprodução/ Instagram)

A filha dela, Ana Clara Cabral, foi assassinada em fevereiro de 2015, quando tinha 19 anos, após sair de uma festa de família. O corpo da jovem foi encontrado às margens da Rodovia do Contorno com cinco tiros, sendo dois na cabeça e três nas costas. O principal suspeito é o ex-policial militar Itamar Rocha Lourenço Júnior, de 21 anos, seu namorado na época. O suspeito foi expulso da Polícia Militar em agosto de 2015.

“Eu não sei se eu poderia ter evitado, mas acho que  a gente poderia ter mudado o caminho. A pessoa que denuncia tem muito mais chance de viver. A Ana Clara teve alguns amigos que presenciaram. Ela se ajoelhou e pediu para um amigo não contar nada para a família. Uma agressão aconteceu na casa dele. A pessoa não falou para nós e orientou ela a denunciar. Ela não comunicou para mim, porque eu já fui agressiva com alguns namorados dela. Às vezes foi a forma como eu conduzi, talvez se eu não tivesse feito isso, ela teria tido mais liberdade”, disse.

“Provavelmente ele [Itamar] fazia pressão psicológica e ela não conseguia contar para ninguém, nem para as amigas. A pessoa sempre acredita que aquele amor vai impedir de machucá-la. A pessoa que tem coragem de matar, vai e mata. No momento de ódio, a pessoa vai matar. Ela nunca acreditou. Eu falei que bebida não combinava com arma. Ele sempre bebia e saia armado, ela disse que ele não matava nem uma mosca”, completou a mãe.

Para a mãe, a denúncia é a maneira que as vítimas têm de se protegerem e, consequentemente, de protegerem outras mulheres. “Se houver mais informação, muitas vão conseguir evitar essa violência. Não importa o tipo de violência, é preciso denunciar. Se você procurar alguma ajuda, vai inibir ele. Depois que uma pessoa te fez uma ameaça, nunca mais confie nessa pessoa. Eu espero que quem estiver sofrendo qualquer tipo de agressão, que ela não fique para ela, ela tem que ‘botar a boca no trombone’. Assim muitas mulheres vão sobreviver”, concluiu.

Kátia contou que desde a morte da filha tem acompanhado os casos de feminicídio no estado.”Eu acho que esse ano foi o ano. Eu não sei se fui prestar atenção a partir do momento que minha filha morreu, mas eu achei que esse ano bateu o recorde. Às vezes você não presta atenção porque você acha que nunca vá acontecer com você e família. Só nos últimos dias vi quatro casos de moças lindas”, disse.

Segundo a mãe, Ana Clara ligou um dia antes de morrer para dizer que ia voltar para o curso de Direito. “Ela era vaidosa, ela gostava de participar de tudo, gostava de sair. Parecia que ela sabia que ia morrer cedo e que era para aproveitar tudo. Com 16 anos, ela entrou na faculdade para fazer Direito, depois foi para o Jornalismo. Um dia antes da morte, ligou falando que ia voltar para o Direito. Ela estava fazendo planos”, lamentou.

Pai de Ana Clara e mãe de Bárbara Richardelle participaram de passeata no Espírito Santo (Foto: Viviane Machado/ G1)

Pai de Ana Clara e mãe de Bárbara Richardelle participaram de passeata no Espírito Santo (Foto: Viviane Machado/ G1)

Denunciar trouxe segurança à vítima de agressões
A bacharel em direito Priscila Vieira, de 23 anos, sofreu agressões e foi ameaçada de morte pelo ex-namorado após o término do namoro, em 2014. Ela e a família cogitaram se mudar de Vitória na época. Atualmente fazendo o uso do botão do pânico e com a medida protetiva, a vítima se sente segura.

“Ele não chegou a ser preso, mas me sinto segura agora. Na época, eu fiquei com muito medo. Eu consegui a medida protetiva e o botão do pânico, então consegui retomar a minha vida aos poucos. Eu uso o botão do pânico todos os dias. Para mim, foi eficaz”, contou.

A vítima disse que não cogitou a possibilidade de não denunciar o agressor e recomenda que mulheres violentadas procurem a Justiça.

“Eu acho que elas têm que procurar a Justiça, que é o jeito mais eficaz para sair dessa situação. Denunciar foi uma atitude minha, aconteceu o fato e no outro dia eu fui. Nunca passou pela minha cabeça não denunciar. Eu não tenho como prever, mas provavelmente poderia ter acontecido o pior, sim. No namoro, ele nao apresentava nenhum tipo de agressividade, foi no término. A gente não sabe o que se passa na cabeça do outro”, explicou.

O pai de Priscila, João Batista Salene do Vale, acredita que medidas protetivas não fazem os agressores mudarem, mas conseguem evitar a violência contra a vítima que o denunciou.

“Eu acho que você não o consegue, com uma ação, corrigir o problema. Você corrige um dos problemas. Nesse aspecto, o botão vale para afastar”, opinou o pai.

Violência institucional x garantia de solução
A coordenadora do Fórum de Mulheres do Espírito Santo, Edna Calabrez, acredita que deva haver convengência entre os órgãos competentes para lidar com o problema de violência contra a mulher no estado. Ela menciona, ainda, que as vítimas sofrem uma espécie de violência institucional devido à burocracia a qual são submetidas. Já a delegada Susane Ferreira, da Delegacia da Mulher da Serra, diz que a burocracia é necessária para a resolução do crime.

Contestado em relação às altas taxas de homicídios no estado na ocasião da divulgação dos dados, o secretário da segurança pública, André Garcia, afirmou que os números são altos e que há um longo a se percorrer para solucionar o problema.

“O mais importante e o fundamental é a gente impactar no fator social. Não adianta o estado disponibilizar recursos se a gente não mudar a nossa cabeça, especialmente a dos homens”, enfatizou.

De acordo com o secretário, as causas do feminicídio são diferentes das do homicídio. “A mulher é mais insegura em casa do que na rua, ao contrário dos homens, que são mais inseguros na rua, na via pública, do que em casa. Os agressores, normalmente, na grande maioria dos casos são pessoas conhecidas, companheiros, maridos, parentes próximos”, pontuou.

Segundo a coordenadora do Fórum de Mulheres do estado, Edna Calabrez, o grupo atua no enfrentamento  da violência contra a mulher há 24 anos e se organiza com base em estudos e pesquisas.

“Há mais de 10 anos, o Espírito Santo é campeão em feminicídios. Na realidade, é a primeira vez que o governo do estado admite publicamente uma realidade do feminicídio. Houve uma mudança a partir da Lei Maria da Penha e, dentro dessa normalização, surgem novas obrigações a serem cumpridas. A gente tem uma mudança, ainda pequena, mas colaborou para que o estado crie esse diálogo”, disse a coordenadora do Fórum de Mulheres, Edna Calabrez.

A coordenadora do Fórum apontou, como solução para a realidade vivida pelas vítimas do estado, a convergência de ações dos órgãos que assumem o papel de acolhimento. Edna cobra a união dos órgãos, atendimento multidisciplinar em vários setores e elaboração de políticas públicas efetivas. Além disso, ela pede transparência dos dados de violência contra a mulher e que o estado busque esses dados para direcionar as ações.

“Sem políticas publicas, não vamos enfrentar essa realidade. É uma situação de milênios, construções que vão naturalizando essa violência. O estado está caminhando também, tratando a situação como um problema de segurança pública. As mulheres procuram diversos serviços e elas precisam ser amparadas. Algumas instituições, como o Tribunal de Justiça, têm ações. É preciso haver a implementação de uma rede de enfrentamento para que os órgãos, em suas especificidades, possam agir. A realidade precisa ser enfrentada. Não pode ser ‘cada um no seu quadrado'”, afirmou.

Edna alega que muitas vítimas desistem das denúncias e voltam para os parceiros. Nesse sentido, a coordenadora do Fórum menciona que elas sofrem um tipo de violência institucional, por conta da falta de preparo das instituições durante o processo e de caminhos burocráticos que dificultam e desencorajam a denunciante.

“As mulheres sempre reclamam que são mal atendidas na delegacia. Já ouvi relatos de que tem escrivã que pergunta se a mulher tem certeza que vai registrar boletim contra o companheiro, pai do filho dela.Tem que haver capacitação para o atendimento dessas mulheres e é necessário que esse serviço seja de melhor acesso. Para se ter uma ideia, a mulher violentada tem que ir à delegacia do município, depois para o Instituto Médico Legal de Vitória, depois de retornar ao município… Esse longo caminho acaba desestimulando para que a vítima siga em frente. A mulher sofre violência doméstica e violência institucional”, opinou.

Quanto à lei Maria da Penha, a coordenadora acredita que ela veio colaborar para ajudar as mulheres, mas não é o único instrumento possível para diminuir os números de feminicídios.

“Muitos agressores se sentem fortalecidos porque têm o argumento de que não vai dar em nada. A Lei Maria da Penha não resolverá o problema da violência. A lei é um instrumento, mas ela por si só não resolve. As instituições que deveriam ter prioridade para tratar sobre o assunto não priorizam o enfrentamento”, disse.

Calabrez explicou que a denúncia é uma maneira de transformar um problema particular em um problema público. Dessa maneira, providências para evitar essas situações podem ser cobradas.

“Eu sempre falo para elas [vítimas] que denunciar é muito difícil, mas é fundamental, porque se torna um problema público. Se ela não denuncia, ela não colabora, não ajuda a resolver o problema das outras. Se é público, e essa situação acontece com muitas, a gente tem suporte para cobrar o enfrentamento. É difícil, é doloroso, mas se não houver procura de ajuda, o caminho pode ser o feminicídio. O agressor, no momento de fúria, se sente autorizado pelo sistema e pela sociedade para matar”, afirmou Edna.

“Nós temos que mudar muitos conceitos, desconstruir algumas normas e valores e isso é uma coisa que só se muda com o tempo. Mais importante seria se ela se sentisse amparada pelas instituições”, enfatizou.

Segundo a delegada Susane Ferreira, a Delegacia da Mulher, no Espírito Santo, é de atendimento específico de crimes de violência doméstica e familiar, levando em consideração a violência motivada pelo gênero, ou seja, quando a mulher é agredida por ser mulher. Na Delegacia da Mulher da Serra, onde atua, ela disse que há o trânsito de aproximadamente 40 pessoas por dia, entre vítimas, intimados e pessoas pedindo informações.

“A vítima de violência doméstica precisa ter uma atendimento mais ágil e mais específico. A medida protetiva é a primeira coisa a ser feita. O pedido é encaminhado no mesmo dia da denúncia e, dependendo do juiz, fica pronta também no mesmo dia. A demanda é muito grande, mas a resposta é mais rápida do que em outros casos. O julgamento, o término do inquérito, tem que ser mais rápido possível. Há necessidade de rapidez de resposta”, explicou.

Em 2014, o Fórum de Mulheres pintou as escadarias do Palácio Anchieta de vermelho em ato contra a violência (Foto: Reprodução / Facebook)

Em 2014, o Fórum de Mulheres pintou as escadarias do Palácio Anchieta de vermelho em ato contra a violência (Foto: Reprodução / Facebook)

De acordo com a delegada, no momento em que a violência ocorre, a vítima de violência doméstica pode acionar a Polícia Militar, por meio de Ciodes (190). Se o agressor for detido pela PM, ele pode ser encaminhado para a Delegacia da Mulher e ser preso em flagrante.

“Se um vizinho agredir uma vizinha, um tipo de agressão moderada, e ele for detido e encaminhado para um plantão normal, o procedimento a ser adotado é um termo circunstancial. Agora, numa agressão idêntica, mas ocorrida em âmbito doméstico, ele é preso em flagrante”, exemplificou a delegada.

Em caso de ameaças, a vítima pode se dirigir à Delegacia da Mulher de sua cidade. Lá, pode ser instaurado um inquérito criminal e a vítima pode pedir uma medida protetiva. Se, com a medida protetiva, o agressor continuar com as ameaças, por meio de mensagens ou ligações, a vítima deve reportar a situação às autoridades, o que pode gerar um mandado de prisão.

A delegada afirmou que as mulheres não enfrentam uma burocracia desnecessária nas delegacias. Ela disse que as mulheres ficam desmotivadas quando têm que ir ao Instituto Médico Legal, por exemplo, mas que esse procedimento é fundamental.

“É importante comparecer ao IML o quanto anos. Nem todas as cidades têm, então as mulheres relutam um pouco. O médico legista vai anotar todas as lesões e será possível registrar tudo o que aconteceu. Essas medidas vão garantir o sucesso da denúncia. É sempre pensando no sucesso do procedimento criminal. Não é uma burocracia desnecessária, é para tentar esclarecer ao máximo, para que o inquérito chegue à Justiça completo”, explicou Susane.

De acordo com a delegada, os policiais que realizam atendimentos na Delegacia da Mulher prestam um concurso que não é específico, mas há treinamentos, congressos e fóruns que cumprem a função de capacitação. Caso a vítima perceba sinais de falta de profissionalismo no momento do atendimento, pode fazer uma denúncia à corregedoria da polícia.

“A situação já carrega consigo o constrangimento, mas se a vítima não for tratada com profissionalismo, ela pode realizar uma denúncia na corregedoria da polícia. Quem faz o atendimento tem que ter em mente que é preciso falar de forma clara, sem influenciar as pessoas. Explicar os benefícios, os direitos, mas sem ser tendencioso. O policial tem que ter boa fé nos atos dele, porque você está lidando com a vida das pessoas. Se a pessoa tem a oportunidade, não é o policial que tem que fazer o julgamento. A pessoa é dona da vida, está lá por um direito e nosso papel é aplicar a lei da melhor maneira possível”, explicou.

A delegada Susane Ferreira disse, ainda, que quanto mais rápida for a denúncia, mais rápida será a solução. “Quanto antes a vítima fizer a denúncia, mais rápido será o desfecho. É mais fácil para colher provas. Se ela demorar muito, as marcas da agressão também vão sumindo”, disse.

Arquivo do G1 (Clique nas imagens para assistir aos vídeos)

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– Morta com cinco tiros
O corpo da jovem Ana Clara Cabral, de 19 anos, foi encontrado na noite de 5 de fevereiro, na Rodovia do Contorno, na Grande Vitória, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). O corpo estava com cinco marcas de tiro, sendo dois na cabeça e três nas costas. O principal suspeito, segundo a polícia, Itamar Rocha Lourenço Júnior, na época, policial militar e namorado da vítima.

– Estrangulada e golpeada na cabeça após vazamento de fotos
Após fotos seminuas vazarem na internet, a jovem Bárbara Richardelle, de 18 anos, apareceu morta na Rodovia Darly Santos, em Vila Velha, na noite de 17 de março de 2014. O ex-namorado, Christian Cunha, se apresentou na Delegacia de Homicídios e Proteção a Mulheres (DHPM) e confessou o assassinato.De acordo com a polícia, Bárbara estava com sinais de estrangulamento, com o olho roxo e uma lesão na cabeça.

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Christian relatou à polícia que, em um determinado momento, saiu da obra para comprar churrasquinho e guaraná. Segundo o delegado, ele se alimentou ao lado do corpo da ex-namorada e, ao perceber que Bárbara se mexeu, pegou uma cavadeira de obra e a golpeou na cabeça.

– Morta com tiro durante relação sexual
A jovem Ariele Martins, de 21 anos, foi encontrada morta dentro do apartamento do namorado, o estudante Marcos Rogério, no Centro de Linhares, Norte do Espírito Santo, na noite de 3 de setembro de 2012.

A vítima e Marcos mantinham uma relação sexual na casa do universitário, quando ela foi atingida por um tiro na boca. Na época, em depoimento à polícia, o suspeito disse que a arma, um revólver calibre 38, era usada como objetivo de fetiche sexual.

O Ministério Público pediu para que o rapaz fosse condenado por homicídio doloso, quando há intenção de matar. Os promotores afirmam que Marcos era ciumento e já havia ameaçado a jovem outras vezes.

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– Morta por ciúmes
A empresária Rosilene da Costa Silveira Delpupo, de 33 anos, estava desaparecida desde o dia 20 de fevereiro de 2014, quando saiu de casa, de moto, na localidade de São Bento, em Domingos Martins.

O corpo da vítima foi encontrado no dia 13 de março, na localidade de São Pedro de Urânia, em Alfredo Chaves, em local de difícil acesso. Segundo a Polícia Civil, o suspeito de 28 anos, confessou o crime e alegou ter assassinado a ex-namorada por ciúmes.

– Estrangulada com fio de internet teve corpo escondido dentro de guarda-roupas
Isabela Malta Bustamante, de 18 anos, foi estrangulada com um fio de internet pelo então namorado Diogo de Oliveira de Jesus, de 20 anos, no bairro Jardim Carapina, na Serra, Grande Vitória, em março de 2014.

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O corpo da jovem ficou escondido dentro de um guarda-roupas por pelo menos três dias. O motivo teria sido uma traição, segundo o suspeito.

Na delegacia de Homicídios contra a Mulher, Diogo de Oliveira de Jesus disse que estava sob efeito de drogas e que tentou se matar depois de estrangular Isabela.  Ele foi indiciado por homicídio triplamente qualificado.

– Esfaqueada durante estupro teve vídeo enviado para mãe
Uma jovem de 24 anos foi estuprada e assassinada a facadas na noite de 23 de junho de 2014, no bairro Novo México, em Vila Velha, no Espírito Santo. A ação do crime sexual foi filmada e enviada para o celular da mãe da vítima. Segundo a polícia, o principal suspeito do crime é o namorado da jovem, um rapaz de 25 anos.

De acordo com a polícia, o rapaz ligou para a mãe da jovem momentos antes do crime, dizendo que iria estuprar e matar a namorada. Em seguida, ele enviou um vídeo que registrava a ação para o celular dela.

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– Esfaqueada por diplomata
Rosemary Justino Lopes, de 56 anos, foi morta dentro de seu apartamento em Jardim Camburi, Vitória, em maio de 2015. O Conselheiro de Interior da Embaixada da Espanha no Brasil, Jesús Figón Leo, de 64 anos, confessou à Polícia Civil que matou a esposa. Eles eram casados há quase trinta anos.

– Esfaqueada em ponto de ônibus na frente da filha e do irmão
Sirlene da Silva Modesto, 39 anos, foi esfaqueada e morta perto de um ponto de ônibus na presença da filha e do irmão, em Ibatiba, no Sul do Espírito Santo, em agosto de 2015. Eles também sofreram ferimentos pelo agressor.

De acordo com informações de populares à polícia, Sirlene da Silva Modesto estava em um ponto de ônibus da cidade com a filha, de 11 anos, e o irmão, de 29 anos. O ex-marido da vítima, Adilson Calisto Modesto, de 48 anos, teria agredido a família na presença de várias pessoas que passavam pela rua.

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– Esfaqueada teve filha levada pelo assassino
Simone Aparecida Coutinho, de 29 anos, foi morta a facadas pelo ex-marido durante a madrugada, em Colatina, Noroeste do Espírito Santo, em agosto de 2015.

Eles haviam se separado há 15 dias e trabalhavam no mesmo local. A vítima foi acordada de repente pelo agressor e tentou pedir socorro na rua. O ex-marido fugiu, levando a filha do casal de 6 anos.

– Morta com tiro em local de trabalho
Lívia Gomes Bernadino, de 24 anos, foi morta com um tiro dentro de um ônibus em que trabalhava, no bairro Flexal II, em Cariacica, em fevereiro de 2015. Segundo testemunhas, o autor dos disparos foi o ex-marido da cobradora, Jesus Campos Golçalves, de 46 anos, que se matou em seguida.

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– Espancada até a morte dentro de casa
A médica Clícia Regina Alcântara, de 48 anos, foi agredida até a morte dentro de casa, em Cachoeiro de Itapemirim, região Sul do Espírito Santo, na madrugada de 1º de maio de 2015.

Três dias após o crime, o marido da vítima, Inácio Gabriel Peruchi, 45 anos, se apresentou acompanhado de um advogado na delegacia e confessou o crime. Ele foi preso e encaminhado para o Centro de Detenção Provisória de Cachoeiro.

Um tio de Clícia contou que o marido dela tinha um comportamento violento e era muito ciumento com a esposa.

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– Morta a pauladas e esquartejada
Mayara Silva de Jesus, de 16 anos, foi morta a pauladas e teve o corpo esquartejado em Porto Novo, em Cariacica, região Metropolitana de Vitória. O namorado da vítima foi detido na ocasião.

De acordo com a polícia, o namorado da adolescente desconfiou de uma traição, após encontrar conversas dela com outro homem em uma rede social. Ainda segundo a polícia, vizinhos encontraram parte do corpo da vítima dentro de uma bolsa de viagens e outras partes do lado de fora a bolsa. Tudo estava enrolado em um lençol.

Manoela Albuquerque

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