Fatores associados à violência por parceiro íntimo em mulheres brasileiras, por Ana Flávia Pires Lucas d’Oliveira et al.

OBJETIVO: Estimar a prevalência e os fatores associados à violência física e/ou sexual por parceiro íntimo em diferentes contextos socioculturais.

MÉTODOS: Estudo transversal, participante do WHO Multi-country Study on Women’s Health and Domestic Violence against women, com amostra representativa de mulheres no município de São Paulo e Zona da Mata de Pernambuco, região com normas mais tradicionais de gênero. Foram entrevistadas no domicílio 940 mulheres de São Paulo e 1.188 da Zona da Mata, entre 2000-1, com idade entre 15 a 49 anos que tiveram parceria afetivo-sexual com homens alguma vez na vida. Foram construídos três conjuntos de fatores, correspondentes a blocos hierarquicamente ordenados: características sociodemográficas, familiares e aspectos referentes à autonomia/submissão feminina. Utilizou-se regressão logística hierárquica na análise dos fatores associados à violência por parceiro íntimo em cada local.

RESULTADOS: Encontrou-se prevalência de 28,9% em São Paulo (IC 95% 26,0;31,8) e 36,9% (IC 95% 34,1;39,6) na Zona da Mata. Escolaridade até oito anos, violência física conjugal entre os pais da mulher, abuso sexual na
infância, cinco ou mais gestações e problemas com a bebida mostraram-se associados à violência por parceiro íntimo em ambos locais. Autonomia financeira da mulher, união informal, idade e consentimento na primeira relação sexual mostraram-se associadas a maiores taxas apenas na Zona da Mata. As características socioeconômicas associadas no primeiro bloco foram mediadas por outros fatores no modelo final.

CONCLUSÕES: Os achados mostram a relativização dos fatores socioeconômicos diante de outros, em especial os representantes de atributos de gênero. Nas duas localidades estudadas foram encontradas diferenças socioculturais que se refletiram nos fatores associados.

DESCRITORES: Mulheres. Violência contra a Mulher. Violência Sexual. Violência Doméstica. Fatores Socioeconômicos. Gênero e Saúde. Estudos Transversais.

Revista de Saúde Pública, 2009;43(2):299-310

Ana Flávia Pires Lucas d’Oliveira – Departamento de Medicina Preventiva. Faculdade de Medicina. Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, SP, Brasil
Lilia Blima Schraiber- Departamento de Medicina Preventiva. Faculdade de Medicina. Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, SP, Brasil
Ivan França-Junior – Departamento de Saúde Materno-Infantil. Faculdade de Saúde Pública-USP. São Paulo, SP, Brasil
Ana Bernarda Ludermir – Departamento de Medicina Social. Centro de Ciências da Saúde. Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Recife, PE, Brasil
Ana Paula Portella – SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia. Recife, PE, Brasil
Carmen Simone Diniz – Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde.São Paulo, SP, Brasil
Márcia Thereza Couto – Departamento de Medicina Preventiva. Faculdade de Medicina. Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, SP, Brasil
Otávio Valença – Coordenadoria de Pesquisa e Extensão. Faculdade de Ciências Médicas de Pernambuco. UFPE. Recife, PE, Brasil

Correspondência:
Lilia B. Schraiber
Departamento de Medicina Preventiva
Faculdade de Medicina – USP
Av. Dr. Arnaldo, 455, sala 2170
2º andar Cerqueira César
01246-903 São Paulo, SP, Brasil
E-mail: [email protected]

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