Gaeco identifica mais de 40 vítimas de rede de exploração sexual no PR (G1/Norte e Nordeste – 20/10/2015)

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Investigações começaram em janeiro quando auditor fiscal foi preso em motel. Promotora de Londrina afirma que morosidade atrapalha condenações

Com a descoberta da uma rede de exploração sexual de menores em Londrina, no norte do Paraná, em janeiro deste ano, as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) já identificaram 41 vítimas deste crime.

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Na promotoria da Infância e da Juventude, os processos acumulam em meio da pilhas de inquéritos. Do total, 21 são relacionados as investigações do Gaeco, e 17 se transformaram em ações criminais. “Esta questão da exploração sexual é como um novelo que nunca teria fim”, constata a promotora Susana de Lacerda.

Até agora 23 pessoas foram denunciadas. São homens acusados de manter relações sexuais com adolescentes e mulheres que teriam aliciado menores. Os homens, na maioria, ocupam ou ocuparam posições de destaque na sociedade: são auditores fiscais, ex-vereadores, empresários, um policial civil e um ex-assessor do governo estadual.

Para o Ministério Público do Paraná (MP-PR) ficou claro que sem um trabalho de investigação as denúncias de crime sexual ficam sem resposta. Um exemplo disso é que durante a operação, o Gaeco apurou que algumas meninas marcavam programas em um mercado municipal de Londrina, usando como fachada a venda de bilhetes de loteria. Isso foi novidade para muita gente, mas a promotora descobriu que essa denúncia jၠtinha sido feita à polícia dez anos atrás. O inquérito não foi para a frente.

“Nada havia sido feito, nenhuma investigação frutífera havia sido adotada. Com um pouquinho de dedicação, essa situação veio a tona”, pontua Suzana.
Todos os homens denunciados pelo Gaeco foram presos, mas apenas um permanece na cadeia pelo crime de exploração sexual. O auditor da Receita Estadual Luiz Antônio de Souza é o único condenado. Em janeiro, o auditor foi flagrado em um motel com uma menina de 15 anos e a irmã dela, que intermediou o programa. Souza foi condenado a quatro anos de prisão.

A promotora Suzana Lacerda diz que para chegar mais rapidamente ao desfecho de outros casos, é necessário melhorar a estrutura em várias esferas públicas.
“Um crime como esse, de exploração sexual, em um processo de réu solto, uma audiência pode demorar até dois anos para ser designada. Então essa realidade tem que mudar. Começando na segurança pública, passando pelo Ministério Público e indo até o judiciário”, argumenta a promotora.

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