Goiás é o 3° estado em que mais se mata mulher (O Hoje – 22/10/2016)

Goiânia é a quinta cidade do país em número de feminicídio. Casos recentes de violência assustam população

A violência contra mulheres cujos suspeitos são companheiros ou familiares das vítimas chamou a atenção da população de Goiás nos últimos dias. Foram presos desde janeiro em Goiânia cerca de 400 agressores, segundo a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam). Os motivos dos crimes geralmente são ciúmes ou companheiros que não aceitam o fim do relacionamento.

Os assassinatos de mulheres em Goiás, em que os suspeitos dos crimes são companheiros ou ex-companheiros das vítimas, geraram necessidade de ampliar o conhecimento sobre serviços que apóiam e socorrem as mulheres vítimas de violência.

Em audiência pública realizada na Câmara Municipal de Goiânia na semana passada, foi discutido pela vereadora Cristina Lopes Afonso (PSDB) os crimes de gênero e o atendimento á mulher vítima de violência.

Segundo a parlamentar, a sociedade não pode mais aceitar essa violência alimentada dentro de casa para não chegar ao extremo no início da semana, quando uma idosa de 82 anos foi encontrada morta em sua casa no centro de Goiânia. Luzia Jorge de Abreu Cordeiro foi encontrada com marcas de estrangulamento e espancamento. O marido da vítima, Reinaldo Rodrigues Cordeiro de 75 anos foi encontrado com as mãos ensanguentadas, segundo o idoso a vítima havia caído e não soube se explicar direito. O homem foi preso, e o caso será investigado pela Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH)

Representantes dos mais diversos segmentos que atuam na área de proteção á mulher, como a titular Ana Elisa Ana Elisa Gomes da Deam, destacou que faltam tornozeleiras eletrônicas e campanhas educativas para atacar a fonte do problema que é cultural e social. A delegada sugeriu ainda o trabalho em parceria da Polícia Militar por meio da “Patrulha Maria da Penha” com a Policia Civil com a Delegacia Especializada de Atendimento á Mulher.

Maria das Dores Dolly do Centro de Valorização da Mulher (Cevam), ressaltou que cada instituição da rede de proteção à mulher precisa sair do seu quadrado em busca de integração de toda a rede. Goiás é o terceiro estado em que mais se mata mulher e Goiânia é a quinta cidade do país em número de feminicídio e os governos fecham os olhos para estas estatísticas.

Gláucia Maria Teodoro Reis, Superintendente de Políticas para Mulheres e de Promoção da Igualdade Racial, apresentou proposta de fortalecimento de toda a rede de proteção á mulher e salientou que dois novos programas estão sendo implantados pela Secretaria Cidadã no combate à violência.

Para a autora da audiência pública, a vereadora Cristina Lopes Afonso, é necessário aumentar a proteção á mulher investindo em delegacias especializadas, trabalhar com policiais preparados, efetuar contratação de profissionais, apoiar centros de referência, pois a violência contra as mulheres não tem classe social, idade, nem raça.

Caio Marx

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