Grupo Mulheres do Brasil se reúne no TJES para conversa sobre violência doméstica contra a mulher

Com o evento, os organizadores propuseram uma conversa sobre os mecanismos de combate à violência – seja física, psicológica ou patrimonial – na defesa da mulher agredida.

O Grupo Mulheres do Brasil – Núcleo Vitória – e o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Comvides), realizaram uma roda de conversa sobre “Violência Doméstica Contra a Mulher e Seus Aspectos”, na tarde desta quinta-feira (27), no Salão Nobre do Palácio da Justiça.

Com o evento, os organizadores propuseram uma conversa sobre os mecanismos de combate à violência – seja física, psicológica ou patrimonial – na defesa da mulher agredida, e no empoderamento dessa mulher com a intenção de se desvencilhar do relacionamento abusivo. A juíza coordenadora da Comvides, Hermínia Azoury, deu as boas-vindas às participantes e destacou que todas as mulheres presentes são multiplicadoras da causa.

Uma das palestrantes convidadas para a roda de conversa foi a promotora de Justiça e coordenadora estadual do Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero em Defesa dos Direitos das Mulheres (Nevid) do Ministério Público Estadual (MPES), Cláudia Santos. A promotora alertou para os números de feminicídio no estado, presentes no Mapa de mortes violentas de mulheres no ES: de A a Z, elaborado pelo MPES.

“A gente deve sempre ter a clareza que o feminicídio representa uma sequência de violências naquele relacionamento íntimo de afeto, onde essa mulher é violentada, onde vive nesse relacionamento abusivo. O feminicídio raramente representa a primeira violência que a mulher sofreu na vida dela. Hoje a doutrina já fala, majoritariamente, que o feminicídio é o ápice, que o feminicídio é a somatória de violências que esta mulher sofre no decorrer da vida dela”, disse a coordenadora do Nevid.

A psicanalista e coordenadora do Fórum Clínico da Infância e da Adolescência da Escola Lacaniana de Psicanálise de Vitória (ELPV), Vera Lúcia Saleme Colnago, também contribuiu com o debate. A palestrante ressaltou que esse é sempre um espaço muito importante para o diálogo e uma troca sobre o que se passa na atualidade.

“Nós vivemos tempos novos, contemporâneos, mudanças no mundo, e nós precisamos saber ler o que se passa na atualidade, pois isso é importante, tanto para a minha prática, como psicanalista, como para a prática de todas nós, como mulheres nas nossas inserções profissionais”, disse Vera Lúcia.

Por fim, a subsecretária de Estado de Políticas para Mulheres, Juliane Barroso, falou sobre sua satisfação em ver tantas mulheres reunidas para pensar em outro modelo de sociedade, identificando o quanto a história da mulher na sociedade ainda é desigual.

“Hoje eu vejo o grupo Mulheres do Brasil como impulsionadoras para fazer diferente e nesse processo, a gente sabe que o protagonismo das mulheres é determinante para tecer a política, para ocupar os espaços de poder, de liderar. Mas, é determinante também que os homens somem a essa luta, que homens também abracem essa causa, porque quando uma mulher avança nenhum homem retrocede”, destacou a subsecretária.

Grupo Mulheres do Brasil

A advogada Patrícia Silveira contou que o Grupo Mulheres do Brasil foi criado em 2013, em São Paulo, por 40 empresárias. Hoje, o grupo já tem mais de 27 mil mulheres participantes no Brasil e no Exterior. O Núcleo Vitória, iniciado há aproximadamente um ano, conta atualmente com 120 inscritas. Patrícia também explicou que o Núcleo Vitória tem como mote o combate à violência contra a mulher. Além de empreendedorismo, saúde e educação, que estão sempre ligados ao combate à violência contra a mulher.

Texto: Elza Silva | [email protected]

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