Grupo no Reino Unido faz banco de dados de mulheres mortas por homens (Folha de S. Paulo – 16/02/2015)

Intuito é pressionar o governo a tomar medidas para frear o aumento da violência contra mulheres

As filas organizadas de fotos de mulheres sorridentes, jovens e mais velhas, mulheres de todas as origens, classes sociais e religiões, poderiam fazer parte de páginas de um site de mídia social ou de uma campanha publicitária. Centenas de mulheres captadas em momentos de vitalidade e ânimo, em casa, em festas, em férias ou com amigos.

Por trás das fotos estão histórias de mulheres que, a não ser entre seus familiares, são lembradas principalmente como estatísticas. Mas elas deveriam estar vinculadas, diz a ativista Karen Ingala Smith, porque todas foram mortas por homens.

Na quinta-feira (12 de fevereiro) foi lançado online o banco de dados “Femicide Census: Profiles of Women Killed by Men” (Censo do Femicídio: Perfis de Mulheres Mortas por Homens). Trata-se de um projeto que quer impôr o reconhecimento da escala e do significado da violência de homens contra mulheres e é o ponto culminante de alguns anos de trabalho de Ingala Smith, que em 2012 iniciou a tarefa tenebrosa e demorada de contar as mulheres assassinadas no Reino Unido e colocar os nomes delas em seu blog. Naquele ano houve 126 mulheres mortas pela violência masculina. Em 2013, foram 143, e em 2014, 150.

Vasculhando sites noticiosos e boletins policiais, Smith descobriu o que ela afirma ser um padrão importante no modo como os crimes e outras estatísticas são comparados e analisados; segundo ela, esse padrão não está sendo mostrado. O trabalho também se tornou uma homenagem pessoal dela às vítimas. “Às vezes é muito duro, e admito que de vez em quando choro. Uma foto capta um momento no tempo que não é visto nos julgamentos. Um momento da pessoa que foi aquela mulher. É tão difícil entender o sofrimento que ela suportou e o sofrimento que continua para sua família.”

Lançado por Ingala Smith –executiva-chefe da organização Nia Project, de Londres, que combate a violência doméstica– em conjunto com a entidade Women’s Aid e a firma de advocacia Freshfields, o banco de dados vai garantir uma contagem pública das mulheres assassinadas, realizada de maneira mais formal, usando estatísticas policiais e relatórios de tribunais. O site será usado para armazenar o máximo possível de informações sobre os crimes e seus antecedentes. É a primeira vez que informações desse tipo são reunidas em um só lugar. Elas serão disponibilizadas para assinantes aprovados, no intuito de facilitar pesquisas e estudos.

Hoje o Home Office (o ministério do Interior britânico) registra e divulga dados sobre vítimas de homicídio, o sexo da vítima e seu relacionamento com o suspeito principal do crime. Mas os dados não incluem o sexo do assassino, nem traçam conexões entre diferentes formas de violência masculina contra mulheres. Para conseguir algumas das informações necessárias, o projeto Femicide terá que encaminhar pedidos de acesso à informação às diversas forças policiais a cada seis meses. Ingala Smith espera que isso possa ser evitado, se as forças policiais puderem ser persuadidas a organizar seus dados de maneira diferente, facilitando o acesso a estatísticas sobre homens que matam mulheres.

As coisas já melhoraram muito no Reino Unido em relação aos tempos em que “bater na mulher” era tema de piadas e o estupro marital não era considerado crime; apenas em 1991 é que se tornou ilegal um homem violentar sua mulher. Hoje o governo exige a realização de uma “revisão de homicídio por violência doméstica” a cada vez que uma pessoa é morta desse modo, mas os resultados das revisões muitas vezes ficam escondidos nos sites de governos locais. A Refuge, organização beneficente nacional de apoio a mulheres e crianças vítimas de violência doméstica, acaba de lançar uma campanha pedindo ao governo a abertura de um inquérito público para investigar por que as vítimas de violência doméstica ainda não recebem a proteção que merecem da política e outros agentes do Estado.

A Women’s Aid aponta para a pressão crescente para ajudar os serviços de assistência às vítimas de abusos domésticos; sua pesquisa indicou que mais de 74 mil mulheres procuraram ajuda em 2013-14. O mesmo relatório revelou que em apenas um dia em 2014, 112 mulheres e 84 crianças foram barradas em casas de refúgio, por falta de espaço. A organização acredita que pessoas morrem todos os anos devido à ausência de uma rede nacional de abrigos para mulheres.

Para Ingala Smith, homens e mulheres precisam encarar a situação de frente. “Quero que deixemos de enxergar os assassinatos de mulheres por homens como incidentes isolados. Que os enxerguemos em conjunto e tracemos as ligações e os padrões, que destaquemos qual é o problema maior”, ela disse. “Hoje muitas pessoas já conhecem as estatísticas de pessoas mortas por um parceiro ou ex-parceiro; elas sabem que duas mulheres por semana morrem dessa maneira na Inglaterra e no País de Gales. Mas, se humanizarmos as estatísticas, e se as pessoas puderem ver os nomes das vítimas, talvez mais pessoas comecem a enxergar que há um padrão que se repete aqui. Se continuarmos a negar o que está acontecendo, como acho que a maioria das pessoas faz, nunca vamos encarar o problema de frente.”

De acordo com ativistas, a questão não se limita a mulheres mortas por seus parceiros ou ex-parceiros em incidentes de violência doméstica, mas se estende a todas as mulheres mortas por homens. “Comecei a contar as mulheres mortas em violência doméstica depois de observar que oito mulheres foram assassinadas nos três primeiros dias de janeiro de 2012”, diz Ingala Smith. “Mas então comecei a perceber que há um padrão que se repete em outras mortes de mulheres cometidas por homens. O que me chocou foi ver as mulheres mortas por filhos homens. Isso ainda é bastante raro, mas não vemos filhas matando seus pais do mesmo modo como mães são mortas.” Mesmo quando um assaltante ou ladrão causa a morte de uma idosa, disse ela, se esse assaltante segue um padrão de atacar mulheres vulneráveis, pode-se argumentar que isso o insere na mesma categoria que a do homem que comete violência doméstica.

Em 2012 Ahmad Otak matou a facadas Samantha Sykes, 18 anos, e Kimberley Frank, 17. Otak não era o namorado de nenhuma das duas, mas da irmã de Kimberley. Ingala Smith disse que esse caso a fez entender que o problema não se limita à violência doméstica. O caso a fez perceber que esses crimes são um caso de violência de homens contra mulheres, tanto quanto se o criminoso tivesse sido namorado ou marido da vítima. E, às pessoas que perguntam “onde posso encontrar o site com os nomes de homens assassinados?”, ela responde que criaria um site desse tipo mas que “ninguém pode mudar a realidade de que na maioria avassaladora dos casos, as vítimas da violência doméstica são mulheres”.

Cifras oficiais mostram que entre 2002 e 2012, 6,1% dos adultos condenados por homicídio foram mulheres –ou seja, 93,9% foram homens. Embora Ingala Smith reconheça que mulheres às vezes cometem violência e que isso deve ser levado a sério, diz que não é o problema maior. “As pessoas estão se deixando levar pelo argumento de que mulheres também podem ser violentas. E é claro que homens também matam homens. Mas, quando uma mulher mata um homem, quase sempre ela foi vítima de violência ou abusos cometidos por ele. Quando homens matam mulheres, geralmente já vinham cometendo violência contra essa ou outras mulheres havia anos.”

“Não basta apenas recorrer à polícia. A polícia está melhorando tremendamente o modo como lida com a violência doméstica. Mas, mesmo que tivéssemos uma polícia perfeita, homens ainda matariam mulheres. Mas o sistema de justiça criminal não é o lugar onde este problema precisa ser combatido. O buraco é mais embaixo. O problema vem de como educamos nossos filhos, com as meninas vestidas de cor-de-rosa e chamadas de princesinhas. Ouvindo de seus pais que o garoto que bateu nelas no playground fez isso porque, lá no fundo, ele gosta dela. Que espécie de mensagem é essa? Precisamos transmitir mensagens claras aos meninos e às meninas. Precisamos retroceder um pouco para enxergar como nossa sociedade é sexista.”

Ingala Smith diz ainda que a “invisibilidade” da violência cometida contra mulheres é exacerbada pela “hierarquia dos mortos”. “Tudo ressalta a ideia de um incidente isolado; há uma dificuldade ampla em traçar conexões. A narrativa preferida é a da mulher jovem, branca e bonita assassinada por um homem feio e vilão. Posso dizer por experiência própria como é mais difícil encontrar um retrato divulgado quando a vítima foi uma mulher negra –e isso é lamentável, é errado. É por isso que acho o banco de dados tão importante.”

Polly Neate, executiva-chefe da Women’s Aid, comentou: “É crucial que o governo continue a mostrar liderança, reconhecendo as dimensões e a importância da violência de homens contra mulheres. No momento, os casos que, vistos coletivamente, demonstram essas dimensões e importância, muito frequentemente ficam enterrados em notícias de jornal e estatísticas, minimizando seu impacto coletivo. Não vamos entender melhor a violência contra mulheres, como enfrentá-la e como preveni-la, se não a identificarmos primeiro. Esta campanha é um passo importante para o entendimento dessa violência.”

Segundo Neate, se ficasse a cargo de ativistas feministas individuais destacar o problema da violência masculina e suas raízes na cultura da misoginia, a discussão ficaria excessivamente polarizada. “Alguns dizem que o simples reconhecimento da natureza epidêmica da violência masculina leva todos os homens a serem estereotipados como responsáveis por violência. Pedimos ao governo que recolha e divulgue estatísticas sobre vítimas femininas de violência masculina, para que a discussão possa ser orientada para uma busca por soluções.”

Na semana passada, Ingala Smith acrescentou os dois nomes mais recentes às fileiras de fotos de mulheres mortas. Sete mulheres foram assassinadas no Reino Unido em janeiro. Cristina Randell foi encontrada morta num quarto de hotel em Hull no dia 1º de fevereiro. Um homem de 51 anos foi acusado pelo crime. No mesmo dia, Joanne Harrison, 20 anos, de Wigan, foi morta a facadas. Christopher Foley, 23, foi acusado pela morte.

ESTUDOS DE CASO

MUMTAHINA JANNAT, 29

Estrangulada em sua casa, na zona oeste de Londres

Mumtahina Jannat foi morta por seu marido abusivo, Abdul Kadir, em 5 de julho de 2011. Kadir, 49 anos, foi condenado por homicídio doloso e sentenciado à prisão perpétua, tendo que cumprir um mínimo de 17 anos de prisão.

Conhecida como Ruma, Jannat tinha 16 anos quando se casou com o rico Kadir em Bangladesh, mas sofreu violência contínua desde a noite do casamento até sua morte. Eles se mudaram para o Reino Unido em 2002. “Ela tinha um rosto tão doce. Queria viver cercada de livros”, comentou Onjali Rauf, uma sobrinha de Jannat.

Kadir se enfureceu com a independência de sua mulher, e Jannat contou a seus familiares que seu marido a drogava, espancava e violentava. Ela foi forçada a desistir da faculdade que fazia e das aulas de direção. Pouco depois do nascimento do segundo filho do casal por cesárea, Kadir chutou Jannat no abdome, levando os pontos da cirurgia a se abrirem.

Sob a pressão da “honra familiar”, Jannat passou anos suportando os maus-tratos. Mas, quando Kadir começou a ser violento com seus filhos, ela procurou ajuda, e em 2005 se refugiou em um abrigo. Munida de um mandado judicial, tentou construir uma vida nova. “Ela tinha tanto orgulho de ter conseguido o certificado de cidadania britânica e achou que esse era o primeiro passo para tornar-se uma mulher instruída”, contou Rauf. Mas Kadir não desistiu de persegui-la, e Jannat acabou exausta depois de três anos de batalha dele para ter contato com seus filhos. Cada vez que ela fazia um esforço renovado para se libertar, ele ameaçava a família dela ou usava as crianças para se fazer presente outra vez em sua vida.

Num esforço para se ver livre de Kadir, Jannat pediu a guarda exclusiva de seus filhos. Ela disse ao juiz: “Tenho medo que ele me mate”. O juiz lhe disse que ela estava sendo tola. “Diante disso, Ruma desistiu. Ela perdeu a esperança”, falou Rauf.

Kadir conseguiu voltar para a casa dela à força. Os maus-tratos continuaram. No início de 2011, Jannat fez sua tentativa final de conquistar a liberdade: disse a ele que não poderia voltar. Dois dias depois ela foi vista deixando sua filha na escola. Uma hora e meia mais tarde, Kadir telefonou a seu irmão para dizer: “Estou numa enrascada”. Jannat tinha sido estrangulada com seu próprio lenço.

Kadir negou o homicídio doloso, dizendo que a morte de Jannat fora acidental. O júri levou menos de uma hora para declará-lo culpado.

SAMANTHA SYKES, 18

Morta a punhaladas em Wakefield

Samantha Sykes, 18 anos, e Kimberley Frank, 17, foram mortas em 9 de março de 2012 num apartamento em Wakefield. Ahmad Otak foi condenado pelo assassinato delas e sentenciado à prisão perpétua.

Otak chegou ao Reino Unido em 2007, vindo do Afeganistão, para pedir asilo no país. Disse que tinha 15 anos e foi encaminhado a um lar para menores, onde conheceu as irmãs Elisa e Kimberley Frank, então com 13 e 12 anos. Elisa e Otak formaram um relacionamento intermitente que continuou quando os dois deixaram o lar.

Pouca coisa é sabida sobre o passado de Otak no Afeganistão, mas na Inglaterra ele se mostrou controlador e violento. Ele ameaçou Elisa repetidas vezes dizendo que, se ela algum dia o deixasse, ele a mataria e mataria sua família e seus amigos. Otak carregava uma faca sempre, e sua namorada tinha medo de fazer uma denúncia à polícia.

Sua amiga Samantha Sykes não se deixou intimidar. Tendo crescido numa família estável, Sykes tinha espírito independente. Quando Elisa deixou Otak pela primeira vez, em 2011, e ele então ameaçou jogar ácido em seu rosto, costurar sua boca e jogar coquetéis Molotov na casa de sua mãe, Sykes denunciou Otak à polícia comum e à polícia de fronteiras do Reino Unido. “Mas ninguém confrontou Otak por seu comportamento”, disse a mãe de Sykes, Julie Warren-Sykes.

Elisa terminou o namoro com Otak em fevereiro de 2012. No dia dos crimes, tinha pedido a ele que devolvesse seus pertences. Percebendo que o relacionamento tinha terminado de fato, Otak comprou uma faca de trinchar e foi à casa dela. Quando entrou, perguntou a Elisa se ela voltaria para ele. Quando ela respondeu “de jeito nenhum”, ele atacou Kimberley, sua irmã.

Em seguida Otak obrigou Elisa a telefonar para Sykes, pedindo que ela viesse ao apartamento para socorrê-la. Quando ela chegou, Otak partiu para cima dela com a faca, usando tanta força que fraturou uma de suas costelas e cortou sua jugular e sua artéria carótida. Em seguida, Otak fez Elisa de refém e a levou com ele de carro até Dover, numa tentativa de fugir para a França. Foi detido quando outro candidato a asilo chamou a polícia.

A revisão judicial do assassinato de Kimberley Frank levantou preocupações com a ausência de uma resposta coordenada das agências policiais e de justiça. “Houve várias oportunidades de intervir que foram perdidas. Se as medidas apropriadas tivessem sido tomadas, esses crimes provavelmente poderiam ter sido evitados”, disse a mãe de Samantha Sykes.

JOANNA SIMPSON, 46

Assassinada a marteladas em Ascot

Joanna Simpson foi assassinada em sua casa, em 2010, por seu marido, Robert Brown, de quem estava separada. Brown foi condenado em 2011 por homicídio doloso com circunstâncias mitigantes e está cumprindo pena de 26 anos de prisão.

Simpson estudou administração de empresas na Universidade de Bath e iniciou uma carreira bem-sucedida com marketing. Ela conheceu Brown, piloto da British Airways, em 1998, e eles se casaram após um namoro breve.

Simpson não demorou a se arrepender da decisão. Sua mãe, Diana Parkes, contou: “Jo me telefonou quando estavam na lua de mel e disse que percebeu que tinha cometido um erro”.

O casal vivia em Ascot e teve dois filhos. Mas o relacionamento era infeliz. “Jo era uma pessoa afetiva e generosa, e todo mundo gostava dela -menos seu marido. Brown era frio, arrogante e grosseiro”, disse Parkes. “Ele isolava Jo e vigiava o que ela fazia.” Em 2007 ele ameaçou matá-la e encostou uma faca em sua garganta. Afirmou que ela estava tendo um caso extraconjugal, o que não era verdade. Segundo Parkes, “ele disse ‘se você contar para qualquer pessoa, será pior para você’. Jo não teve coragem de contar para a polícia.”

Simpson conseguiu um mandado judicial contra seu marido e iniciou o processo de divórcio, mas continuou a viver assustada. Ela era rica, e ela e Brown tinham assinado um acordo pré-nupcial. Durante o divórcio, Brown pediu £800 mil, recusando a oferta de £500 mil feita por Simpson. Em outubro de 2010 a Suprema Corte decidiu que o acordo pré-nupcial era válido e podia ser aplicado. Parkes acha que foi isso que determinou o destino de sua filha: “Brown a matou por cobiça”.

No dia 31 de outubro desse ano, Brown levou os filhos de volta à casa de Simpson, depois de uma visita deles. Levou um martelo numa sacola, e, quando Simpson o deixou entrar, ele a matou a marteladas. As crianças ouviram os golpes. Brown pôs o corpo de Simpson no porta-malas de seu carro, tirou a câmera de vigilância da casa e enterrou o corpo numa cova no Great Park de Windsor. No dia seguinte, ligou para a polícia e disse que ele e sua ex-mulher tinham tido um “desentendimento doméstico”.

Brown admitiu ter cometido homicídio e alegou responsabilidade diminuída, mas negou o homicídio cometido com intenção prévia, deixando a família de Simpson indignada porque, para ela, as provas de que ele tinha planejado o crime eram fortes. “Houve um erro judicial enorme. Brown mentiu e os jurados sentiram pena dele. Enquanto isso, Jo foi descrita como uma pessoa má, alguém que eu não reconhecia. Uma injustiça foi feita com os filhos dela”, disse Parkes. Ela está determinada a não deixar a morte de sua filha ser esquecida. Sua família e amigos criaram a Fundação Joanna Simpson para fazer campanhas por mudanças na política pública e levantar fundos para melhorar o atendimento a crianças afetadas por violência doméstica e homicídio.

Tracy McVeigh e Claire Colley do Guardian/Tradução: Clara Allain

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