Homicídios de mulheres aumentaram 140% no Pará, aponta pesquisa (G1/Pará – 11/11/2015)

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Estudo foi feito por Faculdade de Ciências Sociais Latino Americana. Principais vítimas dos crimes são mulheres negras

O número de casos de homicídios de mulheres aumentou no Pará em 140%, nos últimos 10 anos, segundo uma pesquisa feita pela Faculdade de Ciências Sociais Latino Americana. Em 2003 foram 93 mulheres assassinadas, já em 2013, os crimes aumentaram para 230. O estudo, feito em todo o Brasil, revelou ainda a maioria das vítimas são mulheres negras.

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“Ele sempre me ameaçou que se eu arrumasse outra pessoa, ele ia me matar, que não ia aceitar”, disse uma vítima que pediu para manter a identidade sob sigilo. “Ninguém vive obrigada com ninguém e ele quer me obrigar a ficar com ele, como se fsse uma propriedade dele”, conta outra mulher vítima de violência.

Esses são alguns relatos de mulheres que são constantemente ameaçadas pelos ex-companheiros. Uma vítima conta que terminou o namoro há mais de um ano e, mesmo assim, as persegiuções continuam. “Me segue quando sai do trabalho, na hora do almoço, tenho evitado de sair, almoço na empresa por medo de sair e ele já estar lá na frente me esperando”, desabafou.

O mapa de homicídios mostra que a maioria dos crimes que ocorrem hoje na região metropolitana de Belém são praticados por maridos, ex-maridos, companheiros, ex-companheiros e filhos. Os principais motivos estão relacionados a não aceitação de um término de relacionamento, ciúmes, muitos deles também têm envolvimento com alcoolismo e drogadição”, afirmou a delegada Daniela Santos.

Grupo atingido

Os dados mostram ainda que das 230 mulheres assassinadas no estado em 2013, 189 eram negras. “Os índices são desfavoráveis, desde o ponto de vista das desigualdades sociais, da baixa escolaridade, da moradia em locais que não favorecem uma boa qualidade de vida”, avaliou o presidente da Comissão da Igualdade Racial da OAB/PA, Jorge Farias.

A delegacia especializada de Polícia Civil registrou, de janeiro a setembro deste ano, mais de 5 mil denúncias de violência contra a mulher. Nestes casos, 179 homens foram presos em flagrantre, e há muitos processos em andamento.

Caso permanece sem solução

Fernanda Trindade desapareceu em dezembro de 2013, após sair para um passeio em uma moto aquática, na ilha de Cotijuba. De acordo com a polícia, ela estava acompanhada do empresário Lauro Sérgio Nogueira, que se tornou o principal suspeito do crime. Em depoimento, Lauro disse que uma onda forte atingiu a moto aquática, jogando os dois no rio.

Segundo a família, Fernanda não sabia nadar. O Instituto Médico Legal descartou a hipótese que ela tenha sido baleada ou sofrido um trauma forte. Lauro responde em liberdade por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

O pai da jovem, Raimundo Nascimento, aguarda junto com a família a conclusão do processo. “As pessoas que cometem esse tipo de crime ficam passeando, achando graça, vivendo com a sua família numa boa,e os familiares, no nosso caso, vivem sentindo aquela dor, uma dor que nunca vai passar. É hora das autoridades fazerem alguma coisa”, diz emocionado.

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