Iracema Portela: as mulheres continuam sendo as maiores vítimas da cultura do machismo (Capital Teresina – 11/06/2015)

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Em plenário, deputada comentou o caso das meninas violentadas de Castelo do Piauí

Consternada com a tragédia que ocorreu no Piauí recentemente e chocou a população do Estado, no ultimo dia 27 de maio, a deputada federal Iracema Portella (PP-PI) ficou muito abalada com tamanha crueldade, onde quatro meninas foram brutalmente violentadas na cidade de Castelo do Piauí, localizada a 190 quilômetros de Teresina. As jovens foram estupradas, agredidas e amarradas. O crime foi cometido por quatro adolescentes e um quinto envolvido, de 40 anos, que já estão todos presos.

Deputada federal Iracema Portella (PP-PI) (Foto: Ascom)

Além das meninas terem sido amarradas, amordaçadas e, durante duas horas, sofreram violência sexual, foram arremessadas de uma altura de mais de seis metros. Infelizmente, uma das adolescentes, a Danielly, morreu no início da noite deste domingo, dia 07 de junho, depois de ficar dez dias internada, cinco dos quais na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela teve esmagamento da face do lado direito, lesões pelo pescoço e traumatismo torácico. Mesmo após procedimentos cirúrgicos, a equipe médica não conseguiu evitar as complicações em decorrência das hemorragias.

As amigas sobreviveram. Uma das meninas já teve alta e as outras duas permanecem internadas. Mas as marcas da tragédia ficarão para sempre na vida dessas adolescentes e de suas famílias – lamentou a deputada.

Diante desse cenário, Iracema Portella registrou em Plenário, sua imensa tristeza e a revolta diante desse crime bárbaro, além de prestar solidariedade irrestrita às famílias dessas meninas. “Precisamos exigir punição exemplar para os culpados. Mas temos que ir além. Intensificar a nossa luta contra a banalização da violência. Intensificar as ações em favor dos direitos de meninas e mulheres”, defendeu.

Iracema ressaltou que tragédias como esta que aconteceu no Piauí viraram cenas cotidianas no Brasil. E as mulheres continuam sendo as maiores vítimas de uma cultura ainda impregnada pelo machismo e pela violência. Para a deputada, uma cultura que acha normal que agressões físicas e psicológicas sejam direcionadas às mulheres.

Lamentavelmente, ponderou Iracema Portella, é possível ver essas manifestações em todos os espaços da vida pública e privada, além de comerciais que exaltam a figura feminina apenas como objeto sexual. Violência doméstica. Violência sexual contra meninas e mulheres de todas as faixas etárias – muitas vezes, cometida por algum parente da vítima. Preconceitos nos ambientes de trabalho e nas escolas. Insultos e xingamentos nas redes sociais.

“A violência contra mulheres e meninas é uma grave violação dos direitos humanos. Seu impacto provoca consequências físicas, sexuais e mentais, incluindo a morte. Ela afeta o bem-estar geral das mulheres e as impede de ter uma participação plena e ativa na sociedade”, reforçou.

Pesquisa do Instituto Data Popular, de novembro de 2014, revelou que três em cada cinco mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos. E, de acordo com o balanço do Ligue 180, de 2014, 77% das mulheres que relatam viver em situação de violência sofrem agressões semanal ou diariamente. Em mais de 80% dos casos, a violência foi cometida por homens com quem as vítimas têm ou tiveram algum vínculo afetivo.

Para finalizar, Iracema disse que não podemos nos calar. Não podemos mais aceitar que as mulheres sejam agredidas, violentadas, subjulgadas e discriminadas.  Temos que agir contra essa cultura que banaliza a violência e que ainda enxerga o mundo com as lentes do machismo.

“Precisamos garantir autonomia e liberdade às mulheres, assegurando seus direitos no dia a dia. Lutar pela ampliação da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, pela aplicação plena da Lei Maria da Penha e pelo aprimoramento do conjunto de ações públicas voltadas para a população feminina”, concluiu a parlamentar piauiense.

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