Juíza atacada em fórum de SP cria curso para tratamento de agressores (G1/São Paulo – 11/05/2016)

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Tatiane Moreira Lima ficou refém de um homem dentro do Fórum do Butantã. ‘Se a gente não trabalhar com o agressor a violência não termina’, afirma.

A juíza Tatiane Moreira Lima, que ficou refém de um homem durante mais de 30 minutos dentro do Fórum do Butantã, em 30 de março, vai abrir um curso para tratamento de agressores. O projeto piloto começa a partir de agosto, no mesmo fórum.

Os alunos serão homens agressores que enfrentam processos na Vara da violência doméstica, que não sejam reincidentes, e que geralmente respondam por ameaça, lesão corporal ou vias de fato (briga). Crimes mais graves, como estupro, estão fora do padrão estabelecido para os candidatos.

Será formada uma turma com 20 integrantes. Serão 12 aulas. O curso vai ser ministrado por psicólogos e assistentes sociais do fórum. A juíza vai dar a aula inaugural e coordenar o curso.

Os agressores serão selecionados para participar por meio de entrevista. O curso não é obrigatório, mas uma recomendação. Caso o agressor frequente todas as aulas ele pode ter um benefício que é uma possível diminuição da pena, caso venha a ser condenado.

“A gente percebe através de outras experiências que, quando ele frequenta esse curso, há uma mudança de postura desse homem dentro da família. Ele começa a entender melhor o papel dele, entende o papel da mulher, e percebe que não é com violência que as coisas funcionam”, disse a juíza ao G1.

“Acho super importante a gente trabalhar com esse elo, porque muita gente trabalha com a vítima. Se a gente não trabalhar também com agressor a violência não termina”, afirmou. “A vítima pode até dar um basta, mas o agressor pode constituir uma nova família e tudo continua.”

Recuperada do ataque

A juíza diz que se recuperou bem do incidente no fórum. A magistrada ficou meia hora refém nas mãos do vendedor Alfredo José dos Santos, que ameaçou incendiá-la. O agressor exigiu que ela gravasse um vídeo no celular dizendo que ele era inocente das acusações de bater na ex-mulher. O homem, que é réu num processo, culpava equivocadamente Tatiane por ter tirado dele a guarda do filho. Esse processo, porém, não estava com ela, mas sim com outra magistrada.

As imagens das ameaças e da prisão de Alfredo foram gravadas por policiais militares. Logo após a Polícia Militar (PM) deter o homem, num momento de distração dele, as cenas foram compartilhadas pelo aplicativo WhatsApp, viralizando nas redes sociais.

“Graças a Deus estou bem, exercendo minhas atividades. Não fiquei afastada por nem um dia sequer. Graças a Deus recuperada, recebendo muito carinho”, diz.
“A recuperação se deu muito em razão do apoio que eu recebi, tanto de colegas quanto de minha própria instituição, como de outras instituições, o Ministério Público, tribunais de Justiça do Brasil inteiro. Recebi mensagens carinhosas de muitas pessoas, visitas de pessoas religiosas. Esse carinho todo tem me ajudado a continuar e a fazer o que gosto de fazer.”

A juíza deve ser homenageada na Câmara Municipal de São Paulo nesta quinta-feira com o diploma de honra ao mérito, proposto pelo vereador Nelo Rodolfo (PMDB) por seu trabalho em defesa das mulheres.

Roney Domingos

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