Juíza estimula contratação de mulheres vítimas de violência (G1/Espiríto Santo – 15/06/2016)

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Dependência financeira impede vítimas de deixarem casa do agressor. Herminia Azoury pediu apoio de empresas para ajudar mulheres em evento

A juíza Herminia Azoury, coordenadora estadual de enfrentamento à violência doméstica e familiar, estimulou a contratação de mulheres vítimas de violência doméstica, no Espírito Santo, durante um evento que discutia medidas para reduzir os índices de violência contra a mulher no estado nesta quarta-feira (15).
Herminia acredita que a inserção profissional da mulher agredida no mercado de trabalho pode ajudar a empoderar as vítimas. “Muitas dessas mulheres vivem em uma situação de submissão, vivem dependentes do agressor. Nós temos que colocar essas mulheres nas empresas, trabalhando para terem autonomia”, disse.

Juíza estimulou contratação de mulheres vítimas de violência no Espírito Santo (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)

Juíza estimulou contratação de mulheres vítimas de violência no Espírito Santo (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)

Segundo ela, em alguns casos, a mulher vive na casa do agressor e por não terem para onde ir, continuam na relação de submissão. “Eu faço um pedido até para as pessoas que conhecem empresários que podem ajudar, precisamos realizar a inserção desse mulher vítima no mercado de trabalho. Cursos profissionalizantes devem ser oferecidos para que elas saiam dessa posição”, completou.

Evento
A discussão sobre a violência contra a mulher aconteceu no auditório da Rede Gazeta, em Vitória, nesta quarta-feira. Também estiveram presentes na discussão o secretário de Segurança Pública do estado, André Garcia; a delegada da Delegacia Especializada da Mulher de Vitória, Arminda Rodrigues; a especialista e Ciências Criminais, Carmen Hein; e a psicóloga Adriana Muller.

Na ocasião, a delegada Arminda disse que Vitória já registrou mais de 30 casos de estupro contra a mulher em 2016. O número assusta já que em todo o ano de 2015 foram registrados 40 casos.

“O estupro é um crime invisível, de muita dor. Nós ainda temos dificuldade para apurar esse tipo de crime, porque a vítima encontra dificuldades em falar com a polícia. Se só até maio a gente já registrou 30 casos, assusta o que ainda pode ser registrado até o fim do ano. Esperamos que isso não aconteça”, pontuou.

Sobre o aumento no número de casos, Arminda acredita que isso acontece porque as mulheres estão procurando mais a delegacia para denunciar esse tipo de crime. “As mulheres estão falando mais sobre esse tipo de violência. Na minha delegacia, nós tentamos fazer com que o processo não faça com que a vítima relembre toda a violência que sofreu”, completou a delegada.

Para a especialista em Ciências Criminais, Carmen Hein, há estudos que comprovam que a maior divulgação dos casos pode permitir o aumento do número de denúncias. “Quando um grande caso de estupro ganha espaço, por exemplo, quando vemos muitas reportagens, campanhas de conscientização, o número de denúncias aumenta”, explicou.

Entre as propostas defendidas no debate, está a mudança de postura da sociedade em relação à temática da igualdade de gênero. “Temos que tomar consciência de que vivemos em uma sociedade machista. Todos os contextos sociais passam por isso, seja a escola, o trabalho, a igreja, em casa, etc. Não vamos e não podemos disseminar a cultura machista”, afirmou a psicóloga Adriana Muller.

A psicóloga também acredita que o agressor encontra certa legitimidade para agir por conta da cultura machista. “A gente vive em uma sociedade machista e isso não é novidade para ninguém. Isso é uma atitude do agressor e ele acha que tem legitimidade para tanto. Tem dificuldade de auto controle. O machismo tem que se tornar obsoleto para que as pessoas tenham vergonha de reproduzir isso”, completou.

Já o secretário de Segurança Pública do estado, André Garcia, afirma que é preciso atuar em duas frentes: na prevenção e na repressão. “Primeiro a gente tem que atuar na prevenção desse tipo de crime, com promoção de oficinas, patrulha, educação; e na repressão qualificada. Não pode ficar impune. O sistema tem que funcionar”, completou.

Viviane Machado
Do G1 ES

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