Justiça de SP condena homem a 56 anos de prisão por matar 3 no Japão (G1/São Paulo – 10/09/2016)

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Edilson Neves foi acusado de matar a namorada e os 2 filhos dela em 2006. Ele fugiu para o Brasil e foi capturado em 2013 pela Polícia Federal em MG

A Justiça de São Paulo condenou a 56 anos, nove e dez dias de prisão em regime fechado um homem acusado de matar a namorada e os dois filhos dela no Japão em dezembro de 2006. Edilson Donizete Neves foi julgado na sexta-feira (10) no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital. As informações são do site do Tribunal de Justiça (TJ).

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Pelo fato de ser brasileiro e ter sido detido em 2013 no Brasil, ele não foi extraditado.

Edilson foi condenado pelo crime de triplo homicídio, por motivo torpe e meio cruel cometido na província de Shizuoka contra Sônia Misaki e os filhos dela, um deles tinha menos de 14 anos. A condenação foi decidida por um júri popular, formado por sete pessoas. A pena foi dada pelo juiz Roberto Zanichelli Cintra, da 1ª Vara do Júri.

O motivo do crime e a defesa de Edilson não foram informados pelo TJ de São Paulo em sua página oficial na internet.

De acordo com o Ministério Público (MP), Edilson usou uma corda para asfixiar as vítimas e fugir em seguida para o Brasil. Como já está preso desde 15 de agosto de 2013, quando foi capturado, ele continuará detido (veja acima vídeo da EPTV Sul de Minas sobre a prisão dele à época).

De acordo com a lei brasileira, ninguém pode cumprir mais de 30 anos de prisão. Após isso, a pessoa ganha a liberdade.

Se o julgamento acontecesse no Japão, Edilson poderia ser condenado à pena de morte.

“Ficou demonstrado nos autos que o acusado ostentava conduta social reprovável, posto que, em parte do tempo que residiu no Japão, dedicou a atividade de agiotagem, emprestando dinheiro aos compatriotas, sem autorização legal, a taxas de juro elevadas”, escreveu o magistrado em sua sentença.

Prisão em MG

Há três anos, Edilson foi preso pela Polícia Federal (PF) em Córrego do Bom Jesus (MG). Ele estava em um sítio onde residia e não resistiu à prisão. O homem tinha um mandado de prisão preventiva em aberto pelo 1º Tribunal do Júri de São Paulo.

Quando decidiu fugir para o Brasil, ele se tornou o criminoso mais procurado pelo Japão. Edilson chegou a figurar na lista vermelha da Interpol, a Organização Internacional de Polícia Criminal.

Segundo a PF, os agentes rodaram mais de três mil quilômetros na investigação que resultou na prisão de Edilson, que foi levado a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.

Antes de ser preso pela PF em 2013, Edilson já havia sido detido em janeiro de 2008 em Sarutaiá, interior de São Paulo. Porém, ele foi solto seis meses depois, porque deveria ser julgado pela Justiça Federal, já que o crime foi no exterior. A prisão dele havia sido decretada novamente em maio de 2009.

Em fevereiro de 2010, ele conseguiu renovar a carteira de motorista em um posto da Ciretran, em Jandira, na Grande São Paulo, quando já era procurado pela Interpol. À época, o Detran afirmou que não havia registro de que ele estava sendo procurado quando renovou o documento em 2010.

Crime premeditado

O crime no Japão aconteceu em 18 de dezembro de 2006 na província de Shizuoka, a 160 quilômetros de Tóquio. A polícia japonesa identificou Edilson cinco dias depois do crime, quando ele já havia retornado ao Brasil.

Segundo o inquérito, exames do material coletado na cena do crime (pedaços de unha, impressões digitais e amostras de sangue) comprovaram que era de Edilson a corda usada no estrangulamento das vítimas.

Sônia havia embarcado para o Japão em 1990 com o marido Marcilio Misaki. Seus dois filhos nasceram lá, e o casal se separou em 2004. Sônia começou a namorar Edílson.

“A Sônia estava insatisfeita com o relacionamento porque ele [Edilson] era muito violento com as crianças. Ela resolveu separar-se dele e ele, inconformado, resolveu matar tanto a Sônia quanto os filhos dela”, disse em janeiro de 2008 o promotor Marcelo Milani.

(Com informações do G1 Minas Gerais)

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