Justiça decreta prisão preventiva de pintor por 6 mortes e estupros, diz MP (G1/São Paulo – 25/11/2015)

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Jorge Oliveira passa a ser réu no processo e responderá preso pelo crime. Segundo promotor, provas apontam que 6ª vítima é Kelvin Silva; falta DNA

A Justiça de São Paulo decretou na terça-feira (24) a prisão preventiva do pintor de paredes Jorge Luiz Morais de Oliveira, de 41 anos, acusado pelo Ministério Público (MP) de cometer seis assassinatos, dois estupros e um roubo. Os crimes ocorreram entre janeiro a setembro. O assassino, que enterrava as vítimas em sua casa, na Zona Sul da capital paulista, passou a ser réu no processo pelo qual responderá preso.

Jorge em documentos de processo de 1995 (Foto: Carolina Dantas/G1)

Jorge em documentos de processo de 1995 (Foto: Carolina Dantas/G1)

Detido temporariamente desde o dia 26 de setembro, o ‘serial killer’ terá deixar a carceragem do 77º Distrito Policial (DP), em Santa Cecília, no Centro da capital paulista. Ele será transferido a uma unidade prisional, onde deverá aguardar preso seu julgamento.

Existe a possibilidade de Jorge seguir para a Penitenciária de Tremembé, no interior do estado, onde estão presos famosos e que correm risco de serem mortos por outros detentos se forem para presídios comuns, como o ex-médico Roger Abdelmassih e Alexandre Nardoni.

Até a publicação desta matéria, a assessoria de imprensa da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) não havia respondido ao questionamento do G1 para qual local Jorge será levado. A equipe de reportagem não conseguiu localizar os advogados do pintor para comentarem o assunto nesta quarta-feira (25). Durante a investigação, a defesa alegou que seu cliente cometeu os crimes sob efeito de drogas, mas que estava arrependido.

De acordo com a acusação do MP, Jorge confessou ter praticado a maioria dos crimes, alegando ter agido sob legítima defesa e por medo de ser morto por uma facção criminosa rival que atua na favela Alba, onde ele morava, no Jabaquara, na Zona Sul da cidade. O pintor já havia cumprido pena de quase 18 anos de prisão por dois assassinatos, ganhou liberdade e voltou a matar.

O novo caso ganhou repercussão após uma denúncia anônima levar a polícia até a casa de Jorge, onde estava enterrado o corpo de uma das vítimas desaparecidas. Sete locais com cadáveres e ossadas foram encontrados enterrados na residência. DNA e exames comparativos de radiografias com as ossadas foram feitos para identificar os mortos.

6 mortes
Segundo a denúncia, Jorge é acusado de matar seis pessoas: Renata Christina Pedrosa Moreira, 33 anos; Paloma Aparecida dos Santos, 21; Andreia Gonçalves Leão, 21; Kelvin Dondoni Cabral da Silva, 23; Natasha Silva Santos, 21; e Carlos Neto Alves de Matos Júnior, 21.

Na terça-feira (24), a Polícia Civil havia informado à equipe de reportagem que cinco dos seis corpos tinham sido identificados. A investigação não havia confirmado o reconhecimento de Kelvin entre as vítimas.

Questionado pelo G1, o promotor Alexandre Rocha Almeida Moraes, responsável por denunciar Jorge à Justiça, respondeu que apesar de os exames de DNA e antropológico de Kelvin, produzidos pelo Instituto Médico Legal (IML), ainda não terem ficado prontos, ele não tem dúvidas de que o rapaz foi morto pelo pintor.

“Jorge matou Kelvin, baseado em provas produzidas no inquérito, entre elas uma testemunha ocular do crime, que foi ouvida, além das roupas da vítima encontradas na casa do assassino e reconhecidas por familiares”, explicou Alexandre, que denunciou Jorge por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima), além de dois estupros e um assalto.

Ossadas encontradas em dois sacos também estão sendo periciadas para tentar saber se pertencem a uma suposta sétima vítima de Jorge. Ela seria um comparsa do pintor e o teria ajudado a matar Kelvin.

De acordo com o promotor, Jorge cometia os crimes por diversos motivos. “Ele é um psicopata homofóbico, que é intolerante a homossexuais, travestis e viciados em droga, apesar de também ser viciado”.

Segundo depoimentos de testemunhas, todas as vítimas teriam envolvimento com drogas e três delas eram gays. “Elas foram atraídas por Jorge para consumir drogas e manter relações sexuais. Para algumas ele dava bebidas e depois as matava por estrangulamento ou esganadura”, completou Alexandre.

Os casos de estupro e roubo chegaram ao conhecimento da investigação policial após a divulgação do rosto de Jorge na imprensa. “Outras vítimas apareceram. Duas mulheres estupradas por ele entre julho e outubro; e uma pessoa que foi roubada por ele também, em janeiro”, afirmou o promotor.

AS VÍTIMAS

JANEIRO: Renata Christina Pedrosa Moreira

De acordo com a Promotoria, Jorge matou a estudante carioca de 33 anos, Renata Christina Pedrosa Moreira, no dia 11 de janeiro deste ano.
Ela era homossexual e usuária de drogas, segundo a acusação, e foi atraída pelo pintor para usar entorpecentes na casa dele.

Lá, o assassino a embriagou e estrangulou. Após isso, familiares passaram a procurá-la na região da favela Alba.
Exame de DNA confirmou que o corpo achado é de Renata.

FEVEREIRO: Paloma Aparecida dos Santos

Ainda segundo o MP, Paloma Aparecida dos Santos, 21, foi morta pelo pintor em fevereiro nas mesmas circunstâncias: foi embriagada e estrangulada.

Ela era homossexual e moradora da região no Jabaquara. Exame de DNA confirmou que o corpo achado é de Paloma.

ABRIL: Andréia Gonçalves Leão

A acusação informa que Andréia Gonçalves Leão, a ‘Baianinha’, 20, foi assassinada por Jorge no dia 30 de abril, também por estrangulamento.

Ela também morava na favela Alba, perto do pintor. Exame de DNA confirmou que o corpo achado é de Andréia.

MAIO: Kelvin Dondoni Cabral da Silva

A Promotoria informou que o prestador de serviços Kelvin Dondoni Cabral da Silva, 23, foi morto pelo pintor em 29 de maio.

Ele, que era usuário de drogas, foi estrangulado, segundo a denúncia. Jorge teria tido a ajuda de um comparsa, que sumiu e é procurado pela polícia. Uma amante do pintor teria visto o crime, de acordo com a polícia.
O outro assassino teria sido morto pelo pintor. Dois sacos com ossadas estão sendo periciadas para saber se pertencem a esse suposto comparsa.

Roupas apreendidas na casa de Jorge foram reconhecidas por familiares de Kelvin. O exame de DNA dele ainda não ficou pronto.

JULHO: Natasha Silva Santos

A vendedora de livros Natasha Silva Santos, 21, foi assassinada por Jorge no dia 1º de julho, segundo a acusação.

Ela foi estuprada pelo pintor e outras pessoas não identificadas, de acordo com a denúncia. Em seguida, foi estrangulada. Exame de DNA confirmou que o corpo achado é de Natasha.

SETEMBRO: Carlos Neto Alves Júnior

Vizinho de Jorge, Carlos Neto Alves Júnior, ‘Mudinho’, 21, foi morto no dia 23 de setembro, de acordo com o Ministério Público.

A vítima acabou esfaqueada pelo pintor pelo fato de ser homossexual.
O pintor alegou legítima defesa para matar Carlos. Disse que o rapaz, acompanhado de outro jovem, entrou em sua casa com uma faca na mão.

Após discussão, a vítima o teria esfaqueado no braço, mas ele conseguiu tomar sua faca e o atacou. O suposto comparsa teria fugido.

Kleber Tomaz

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