Justiça manda cliente ficar longe de garota de programa (Diário de Canoas, 18/07/2014)

A Lei Maria da Penha, instituída há oito anos para amparar mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, se popularizou a ponto de garota de programa ganhar medida protetiva contra cliente. Isso mesmo. E em Novo Hamburgo. A prostituta de 21 anos foi à Delegacia para denunciar um homem a quem prestou serviços cinco vezes. “Acho que ele se apaixonou por mim. Passou a exigir exclusividade, começou a me perseguir e, quando me ameaçou com um revólver para casar com ele, resolvi procurar a Polícia”, diz a jovem. A delegada plantonista encaminhou o pedido de proteção imediatamente, na tarde de 4 de julho, e a Justiça determinou que o acusado não se aproxime da vítima, nem da casa dela. Ele tem o dobro da idade da garota.

“É o primeiro caso que vejo. É comum entre marido e mulher, mãe e filho, até nora e sogra”, declara a juíza responsável pelos processos de violência doméstica em Novo Hamburgo, Traudi Grabin, que também é diretora do Foro e atua na Vara de Execuções Criminais. A decisão foi tomada no último dia 5, um domingo, pela juíza da 1ª Vara Cível, Valkiria Kiechle, que estava no plantão. Traudi observa que, na ocorrência policial, consta que a garota de programa tem relacionamento afetivo com o acusado há mais de um ano. “Foi isso que determinou”, salienta. E mesmo que fosse só em razão do trabalho da vítima, segundo a magistrada, a tendência seria a concessão. “Havendo algum risco à integridade física ou psicológica da vítima, os juízes deferem a medida protetiva. Depois, nas audiências, o caso será aprofundado.”

“Saí com ele por dinheiro e agora quer casar comigo”

Amedrontada com a ameaça do cliente, a jovem pensa em sair do mundo da prostituição, que habita há três anos. “Entrei no ramo porque só estudei até a 5ª série e era difícil encontrar serviço que paga bem. Comecei a ganhar dinheiro, mas não vale a pena passar por isso. Saí com ele por dinheiro e agora quer casar comigo na força.”

Como foi a ameaça com revólver?

Eu estava chegando em casa e nisso parou o carro de um homem, pra fazer um programa comigo. Ele (acusado) viu que entrei no carro e me mostrou um revólver. Depois me ligou. Disse que ia me matar. Depois foi à minha casa e disse pra minha mãe que só não atirou em mim porque tinha muita gente na rua.

E o que você fez?

Aí fui à Delegacia. Ele já estava com umas conversas estranhas. Uma noite antes da ameaça com arma, só porque eu recusei um programa com ele, disse que iria viver eternamente comigo, dando a entender que me mataria e depois se suicidaria. Alguns dias antes, falou que comprou um sítio, onde construiria nossa casa.

Como vocês se conheceram? 

Ele mora perto de casa. Um dia ofereceu carona e começamos a conversar. Era uma pessoa totalmente diferente do que é hoje. E já sabia que eu fazia programas.

Você fez programas com ele?

No começo a gente só saía. Não fazia nada. Ele só me queria do lado dele. Mas aí, a partir de janeiro, fiz cinco programas pra ele. Sempre me pagou.

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