Justiça pela Paz: palestras reúnem mais de 700 PMs (TJMT – 15/08/2016)

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Como deve ser atendida uma mulher vítima de violência doméstica quando chama a polícia? Qual a abordagem mais adequada para não traumatizá-la ainda mais após a agressão? Essas foram algumas das perguntas respondidas pela juíza da 10ª Vara Criminal da Capital e responsável pela 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Ana Cristina Silva Mendes, que ministrou a primeira palestra da campanha Justiça pela Paz em Casa 2016, que abordou a temática ‘Cabeça de Mulher e a Humanização da Prática Policial’, no auditório do Hotel Fazenda Mato Grosso, nesta segunda-feira (15 de agosto).

A quinta edição da campanha intitulada ‘Cabeça de Mulher’ é desenvolvida pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso em parceria com a Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ-MT).

Ao longo de toda a semana, de 15 a 20 de agosto, serão realizadas atividades como palestras e seminários, em diversos pontos da Capital. O primeiro dia de evento conta com a participação de mais de 700 policiais militares, entre comandantes e alunos oficiais.

Conforme a magistrada, a escolha do assunto visa o esclarecimento quanto à abordagem dada às vítimas de violência doméstica e familiar. “Nossa intenção com a palestra foi mostrar aos policiais como funciona a cabeça de uma mulher que vive os ciclos de violência, como ela fica fragilizada ao ser agredida dentro do seu lar, diante dos filhos. E mostrar ainda mais, que o atendimento que eles fazem é essencial para romper com a violência”, destacou.

Durante a palestra Ana Cristina questionou a forma como as mulheres agredidas física ou emocionalmente são recepcionadas pelos PMs. Citando as contradições de sentimentos vividas pela mulher neste período, a exemplo da vontade de punir seu companheiro agressor em um momento e a defesa do mesmo, em outro. Discorreu sobre os diversos tipos de violência, destacando àquelas não tão visíveis como um olho roxo, mas que atingem a autoestima feminina, como o xingamento, maus tratos, gritos e ameaças de morte.

A juíza também falou sobre os tipos de vulnerabilidades que as mulheres sofrem frente ao companheiro, como a dependência financeira, familiar, afetiva e psicológica. Destacando que a estória de que mulher gosta de apanhar não é verdade. “Esta é uma inverdade machista. Não conheço ninguém que goste de ser espancado. O que existe são mulheres que se intimidam e não conseguem reagir diante de um homem violento”.

Outro ponto salientado por ela foi a agilidade no atendimento aos chamados e a valorização das denúncias. “É preciso responder rapidamente a esse chamado, em alguns casos, essa celeridade no atendimento é o que salva uma vida. Vamos esquecer o tipo de roupa que a mulher usava quando sofreu a violência ou aonde estava, o que importa é evitar tragédias como as que lemos todos os dias nos jornais. Evitar esses crimes depende de cada um de nós”.

A segunda palestra de hoje teve como mote a ‘Empatia’. O conteúdo foi proferido pelo juiz da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Jeverson Luiz Quinteiro, que aproveitou a presença dos militares para conceituar o que é empatia, explicar quais as características de uma pessoa empática, como expandir o potencial e as estratégias para se tornar empático.

Após apresentar um vídeo publicitário, em poucas palavras, o magistrado resumiu. “Empatia também é ajudar ao próximo, mas não apenas isso. Dar uma moeda a um cego como vários fizeram na propaganda mostrou um exemplo de caridade. A empatia aconteceu quando a moça sentou-se ao lado do deficiente, interagiu com ele, demonstrou atenção a um desconhecido e dispôs-se a ouvi-lo”.

Ele ressaltou que é dessa forma que a força policial deve agir com uma vítima de violência, se colocar no lugar dela, estabelecer uma ligação, imaginar que poderia ser alguém de sua própria família que estivesse enfrentando aquela dificuldade. “Na maior parte do tempo o que nos falta é ouvir o outro, tentar nos imaginar naquela situação. A falta de diálogo tem destruído muitas famílias e resultado em crimes bárbaros. Todos nós podemos ajudar, basta ter empatia com a mulher violentada”.

Quinteiro frisou que há dois caminhos a seguir, um é mais fácil, tratar a questão apenas como um problema natural e corriqueiro e ser apenas mais uma ocorrência do dia. Ou acabar com o individualismo e se tornar empático ao caso. “Vamos deixar de lado os juízos de valor, de querer descobrir qual o erro que a mulher cometeu para merecer apanhar. Para acabar com isso temos que ver o mundo com os olhos do outro, porque a empatia é doação de tempo, de ação, de cuidado e de amor ao próximo”.

A programação desta segunda-feira conta ainda com palestras sobre ‘Medidas protetivas – a norma, o direito e a proteção afetiva’, do também juiz da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Jamilson Haddad Campos; ‘Abuso sexual contra infante e adolescente’, ministrada pelo coordenador do curso de Psicologia da Unic/Sinop, doutor Antonio Roberto Garcia Junior; e ‘A guarda compartilhada e a Lei Maria da Penha’, proferida pela juíza da 3ª Vara de Família e Sucessões de Várzea Grande, Jaqueline Cherulli.

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