Laço branco: campanha engaja homens pelo fim da violência contra a mulher (EBC Rádios – 04/12/2015)

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No dia 6 de dezembro de 1989, Marc Lepine, de 25 anos, invadiu uma sala de aula da Escola Politécnica, na cidade de Montreal, no Canadá. Ele ordenou que todos os homens se retirassem da sala, permanecendo somente as mulheres. Gritando: “Vocês são todas feministas!?”, Marc Lepine assassinou as 14 mulheres, com tiros a queima roupa. Suicidando-se em seguida. Lepine deixou carta  explicando que não suportava a ideia de ver mulheres estudando engenharia, um curso tradicionalmente dirigido ao público masculino.

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O crime mobilizou a opinião pública de todo o país, gerando debates sobre as desigualdades entre homens e mulheres e a violência gerada por esse desequilíbrio social. Com isso, um grupo de homens do Canadá se organizou para dizer que repudiavam a violência contra as mulheres. Eles elegeram o laço branco como símbolo e adotaram como lema: jamais cometer um ato violento contra as mulheres e não fechar os olhos frente a essa violência.

Ouça aqui o áudio da matéria: Laço branco: campanha engaja homens pelo fim da violência contra a mulher

Foi lançada então, a primeira Campanha do Laço Branco (White Ribbon Campaign): homens pelo fim da violência contra a mulher. Vários Países adotaram a campanha, inclusive o Brasil.

O Amazônia Brasileira conversou com a Coordenadora de Programas do Instituto Promundo, Vanessa Fonseca, que explicou a importância em promover a igualdade de gênero e a prevenção da violência com foco no envolvimento de homens e mulheres na transformação de masculinidades.

O Instituto é um dos representantes da Campanha do laço Branco aqui no Brasil e tem pensado campanhas e estratégias para envolver os homens na prevenção da violência contra a mulher: “campanhas e estratégias para que os homens repensem o que é ser homem e o que está associado a questão da violência, para que promovam relações mais baseadas no diálogo, no acesso e na igualdade com as mulheres”, explica a Coordenadora de Programas do Instituto Promundo.

De acordo com Vanessa Fonseca, os conflitos fazem parte da base das relações humanas, a questão é como eles são solucionados: “o problema é que por conta da nossa criação ou da nossa educação, os homens acham que tem o direito de resolver os seus conflitos, com suas esposas, na base da violência”, e complementa: “por conta, também, dessa educação, a gente nem se dá conta de que temos direitos, porque a gente naturaliza esses papéis de homens e mulheres”.

E não só de violência física sofrem as mulheres. Ameças, humilhações, retenção e controle dos bens de alguém fazem parte do rol da chamada violência psicológica e da violência patrimonial, trazendo grave consequências para quem sofre.

Em 2015, a Campanha do Laço Branco aborda as relações de violência nas escolas: “a gente tem falado da importância de discutir gênero na escola, para que os meninos também promovam relações de respeito com as meninas desde então”.

Algumas pesquisas de violência no namoro, registradas pelo Instituto, demonstram a importância dessa questão ser trabalhada desde muito cedo. A escola por ser um espaço social é um ambiente em que se reproduz as relações que estão na sociedade.

Ouça a entrevista na íntegra, disponível no player acima, e abrace essa Campanha do Laço Branco.

O Amazônia Brasileira vai ao ar de segunda a sexta, às 8h, pela Rádio Nacional da Amazônia, e às 6h, pela Rádio Nacional do Alto Solimões (horário local). O programa tem apresentação de Mara Régia e produção de Taiana Borges.

Taiana Borges

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