Lições contra violência de gênero (TJPA – 19/08/2016)

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Palestra ocorreu nesta sexta, 19, no Fórum Criminal

Ao som do clip Pop “Quem Ama Abraça”, cerca de 30 alunos do 7º e 8º ano da Escola Estadual General Gurjão foram recebidos, nesta sexta-feira, 19, no auditório do Fórum Criminal de Belém para assistirem à palestra “Violência de gênero e os 10 anos da Lei Maria da Penha”. Ministrada por uma equipe do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), a palestra integra a programação alusiva à 5ª etapa da campanha nacional “Paz Nossa Justa Causa”. Após o encontro, os estudantes também visitaram as três Varas de Violência Doméstica de Belém.

Palestra na obra Conjunto Residencial Viver Primavera, na Estrada do Ranário, no bairro do Tapanã (Foto: null / Ricardo Lima/TJPA)

Palestra na obra Conjunto Residencial Viver Primavera, na Estrada do Ranário, no bairro do Tapanã (Foto: null / Ricardo Lima/TJPA)

Com metodologia diferenciada e estimulo à autorreflexão dos alunos, a pedagoga da equipe multidisciplinar de violência doméstica e familiar contra a mulher do Judiciário, Riane Freitas esclareceu sobre os casos que configuram a violência doméstica e familiar, os cinco tipos de violência (física, moral, patrimonial, psicológica e sexual) e o que prevê a Lei Maria da Penha, que completou 10 anos em vigos, no último dia 7.

No Brasil, uma a cada duas mulheres já sofreu algum tipo de violência física, sexual ou abuso praticado por um homem. Esse foi um dos dados apresentados por Riane. Por isso, ela considera essencial trabalhar o tema com os jovens para o fim da violência de gênero. “Quando a gente se aproxima do jovem, estamos buscando a prevenção, para que eles não se tornem adultos violentos e reconheçam quais as formas de violência para ajudarem outras pessoas, porque o senso comum ainda acredita que a violência contra a mulher é só física”, observou.

A estudante Evelyn Almeida, 13 anos, identificou, durante a palestra, que os colegas de sala de aula praticam violência moral contra as meninas da escola. “Eles não deixam a gente brincar de bola, porque dizem que somos muito devagar e moles”, exemplificou. “Nós mulheres não temos que guardar só para nós isso. O homem também tem que denunciar a violência. Um amigo, parente, até vizinho pode denunciar”.

Para a lei Maria da Penha ser aplicada, a vítima tem que ser mulher e o autor da violência não necessariamente tem que ser homem, pode ser também uma mulher em virtude das relações homoafetivas”, observou Riane Freitas.

A Diretora da Escola Estadual General Gurjão, Georgina Barros, ressaltou que trabalhar esse tema com os jovens é essencial porque há uma desestrutura nas famílias. “A Escola General Gurjão já vem trabalhando o combate à violência, mas tendo como parceiros o Tribunal de Justiça, a Secretaria de Estado de Educação, e vários outros, nos sentimos muito mais fortalecido nesse processo”.

Construção Civil

Às 7h da manhã desta sexta-feira, 19, cerca de 200 operários, entre eles seis mulheres, da obra Conjunto Residencial Viver Primavera, na Estrada do Ranário, no bairro do Tapanã, também assistiram à palestra do projeto piloto “Mãos à obra: trabalhadores no combate à violência contra a mulher”.

“Fomos bem recebidos. Eles fizeram muitas perguntas. Nosso maior ganho foi a interação. Se nós não fossemos até a obra, não conseguiríamos alcançar de uma só vez todas essas pessoas” disse a pedagoga Riane Freitas, que está em negociação com construtoras e escolas para a cada 15 dias levar a palestra em um lugar diferente. Na última quinta, 18, cerca de 100 operários da obra do edifício Sunset Boulevard, na Doca de Souza Franco, no centro de Belém, também se reuniram para ouvir a palestra.

Campanha

A ação, referente a 5ª etapa da campanha nacional “Paz Nossa Justa Causa”, teve início no último dia 16 e seguirá até o próximo sábado, 20. Até esta sexta-feira 19, haverá mutirão em todas as Comarcas do Estado para dar andamento aos processos que envolvem a Lei Maria da Penha. A estimativa é que cerca de 6 mil processos sejam analisados durante a força-tarefa.

No sábado, dia 20, a partir das 8h, haverá ação de cidadania na Aldeia de Cultura Amazônica Davi Miguel (Aldeia Cabana), no bairro da Pedreira, em Belém, com atendimento jurídico, orientação sobre os direitos da mulher, emissão de documentos, consultas com clínico geral e pediatra, além de testes rápidos de HIV e sífilis. A 5ª etapa da campanha “Paz Nossa Justa Causa” comemora os 10 anos da Lei Maria da Penha.

Fonte: Coordenadoria de Imprensa
Texto: Nara Pessoa

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