Maior nº de casos de violência contra a mulher no MA é do tipo psicológica (G1/Maranhão – 08/03/2016)

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterEmail this to someone

Números fazem parte de pesquisa divulgada nesta terça (8) pela Justiça.

O maior número de casos de violência doméstica contra a mulher em São Luís ainda é a psicológica e grande parte dos agressores são ex-companheiros com as quais as vítimas têm filhos, de acordo com pesquisa realizada pela Vara da Mulher, com base nos processos de medidas protetivas referentes ao ano de 2015, que tramitam na unidade judiciária. O inconformismo do homem com o fim do relacionamento continua aparecendo como o principal motivador para a prática da violência.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (08), Dia Internacional da Mulher, como parte das atividades da Campanha Nacional “Justiça pela Paz em Casa”, que vai até esta sexta-feira (11), e acontece em São Luis e mais 26 comarcas do interior do Maranhão. O objetivo é agilizar audiências e julgamentos de processos que envolvem violência ou grave ameaça contra a mulher. Também ocorrem audiências de ações cíveis ou de família em que a mulher é parte interessada, além de julgamento no tribunal do júri.

A pesquisa da Vara Especial de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de São Luís analisou 508 processos. De acordo com o juiz titular da unidade judiciária, Nelson de Moraes Rego, quanto ao perfil do agressor, a maior incidência ocorre com homens na faixa etária dos 26 e 34 anos (35,6% dos casos); solteiros (59%), seguido dos casados (21%); que exercem algum tipo de atividade remunerada como pedreiro (10%), motorista (6%), autônomo, vigilante e vendedor (4%). Os dados também mostram que 43,9% dos agressores eram ex-companheiros das vítimas, enquanto 15,2% eram companheiros e 11%, maridos. Mas também há homens com outro vínculo de parentesco como pai, filho, irmão, tio e cunhado (11,6%).

Quanto ao perfil da vítima, a pesquisa revela que a maioria está na mesma faixa etária dos agressores (26 a 34 anos); são solteiras (61%), casadas (19%) ou em união estável (16%); exercem algum tipo de atividade remunerada (84%); muitas são donas de casa (18,5%), empregadas domésticas (12,6%) ou autônomas (6,1%).

Outro dado apontado é que 62% das vítimas afirmaram ter filhos com o agressor. O estudo mostra, ainda, que quanto aos bairros de maior incidência de violência doméstica contra a mulher, identificou-se grande pulverização, destacando-se, na ordem de maior número de casos, o Cohatrac, Turu, Anjo da Guarda, São Francisco, Cidade Operária, Cidade Olímpica, Maracanã e Bairro de Fátima, que juntos somam 26,6% dos casos.

De acordo com o estudo, 66% dos casos de violência ocorreram dentro de casa, com uso de arma branca como facas e outros objetos (80%) e de arma de fogo (20%). A pesquisa revela que a maior prática é de violência psicológica, como ameaças (34,4%), violência física, como lesão corporal (29%) e violência moral, como injúria e difamação (28%).

Das denúncias apresentadas nos processos, 58% vêm da Delegacia Especial da Mulher, 14% originadas na própria Vara da Mulher, 9% na Defensoria Pública, 9% no Ministério Público e os demais de outras instituições.

O juiz Nelson Rego destaca que o inconformismo com o fim do relacionamento continua aparecendo como o principal motivador para a prática da violência (31,4%), seguido de outros motivos (24,3%) e do ciúme (21,8%). O magistrado ressalta que a grande maioria das mulheres recorre à justiça para obter s protetivas. Sendo que 30,2% das medidas solicitadas buscam o distanciamento do agressor, seguida da proibição de manter contato com vítima (29,4%) e proibição de frequentar determinados espaços como residência e local de trabalho da vítima (25,7%), além do pedido de alimentos (6%) e o afastamento do agressor do lar (4,8%).

Segundo o magistrado, na maioria dos casos quando a mulher decide denunciar é porque já sofreu muito com violência e não suporta mais e deseja que o agressor seja punido. Nas situações em que a vítima procura ajuda logo no início das agressões e o homem é responsabilizado, é possível um restabelecimento dos laços afetivos entre o casal. O psicólogo Raimundo Ferreira, que coordena um grupo reflexivo de gênero, na Vara da Mulher, envolvendo agressores que respondem processo na unidade judiciária, disse que a maioria dos 200 homens que passaram pelo grupo não reincidiu na violência e muitos retomaram os relacionamentos com suas companheiras.

A pesquisa foi realizada por uma equipe multidisciplinar da Vara da Mulher, com a participação de 21 servidores, entre psicólogo, assistentes sociais, estatístico, comissário de justiça e outros profissionais, além do juiz titular da unidade judiciária.

Acesse no site de origem: Maior nº de casos de violência contra a mulher no MA é do tipo psicológica (G1/Maranhão – 08/03/2016)