Maioria dos estupros no Distrito Federal acontecem nos finais de semana (R7 – 07/12/2014)

As cidades que mais registram casos de estupro são Ceilândia, Planaltina e Samambaia

O Distrito Federal registrou 393 ocorrências de estupro nas delegacias do DF nos primeiros oito meses de 2014, a maioria nos finais de semana. O domingo foi o dia de maior incidência, sendo verificado em fevereiro, março, junho e agosto de 2014. Em julho, 17% dos estupros registrados ocorreram em uma sexta-feira e em abril 20% dos casos foram registrados aos sábados. Apenas em janeiro e maio a maioria dos crimes ocorreram em dias da semana, terça e quinta-feira, respectivamente.

Os números mostram que há mais de um estupro por dia no DF (1,6 por dia em 2014). As cidades que mais registram casos são Ceilândia, Planaltina e Samambaia. O levantamento foi feito pela SSP-DF (Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal), a pedido do R7 DF.

Só em agosto deste ano, segundo a secretaria, houve 70 ocorrências de estupros no DF, envolvendo 84 vítimas. No mesmo mês do ano passado, a secretaria registrou 4 ocorrências a mais, o que garantiu uma queda de 5,4% no número de ocorrências. Metade desses casos ficaram concentrados em apenas cinco cidades administrativas: Ceilândia, Taguatinga, Gama, São Sebastião e Samambaia. O domingo foi o dia da semana de maior incidência, contendo 20% dos casos, e o período da tarde, de 12h às 17h59, concentra 32,9% dos casos. Os estupros de agosto ocorreram em grande maioria (67,9%) na residência da vítima ou na casa do autor e 22,6% se deram em locais públicos.

Ainda sobre os casos registrados em agosto deste ano, a SSP-DF informa que em 77,4% existe vínculo entre o estuprador e a vítima. No período em questão, apenas 19 agressores eram pessoas desconhecidas das vítimas. Em 73,8% dos casos registrados as vítimas têm até 17 anos de idade, sendo que a faixa de 4 a 8 anos estão em 26,2% dos casos registrados no DF. Desse mesmo total, 84,5% são do sexo feminino. Dos autores de estupro, 40,5% têm até 43 anos.

Para a assessora jurídica da Secretaria da Mulher, Juliana Pereira Clementino, o alto número de ocorrências de estupro no Distrito Federal pode ser justificado com a Lei Maria da Penha. Isso porque, depois dela, as mulheres passaram a conhecer os seus direitos e a cobrar mais respeito.

— A partir do momento que a mulher conhece mais sobre os direitos dela, ela está mais preparada para procurar o Estado e noticiar a ocorrência desse crime. Esse dado mostra que a mulher agora comunica o crime e confia na investigação e na punição do agressor.

Segundo ela, a Secretaria da Mulher do Distrito Federal tem trabalhado para que todas as mulheres da cidade conheçam os seus direitos e registrem os crimes sexuais.

— Estamos em uma sociedade machista, que ainda diz que ela contribuiu [para o estupro], e esse é um pensamento atrasado. Sabendo de seus direitos, esse entendimento cai. Hoje a mulher sabe que aquilo é crime, que ela não é objeto sexual, que tem que registrar [a ocorrência] e punir.

Para Juliana Clementino, a única solução para que as ocorrências de estupro diminuam, não no só no Distrito Federal, mas em todo lugar, é discutir o tema e educar as pessoas.

— Para que você evite [o estupro], só mesmo com educação. Tem que ter mudança da cultura machista e incentivar para que o número de registro dessas ocorrências aumente e haja punição aos agressores.

Myrcia Hessen, do R7

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